O desemprego na Espanha fecha 2013 em 26%, com o sexto ano de queda na ocupação

O relatório sobre a população ativa revela uma redução irrisória no número de desempregados – apenas 8.400 A população ativa se reduz em 74.300 pessoas no trimestre, retrocedendo aos níveis de 2008

Pela sexta vez consecutiva, a Espanha voltou a ter um ano ruim para o seu mercado de trabalho. O saldo da abertura de vagas em 2013 acabou sendo negativo, como já havia acontecido em 2008, 2009, 2010... Foi uma perda menor do que em todos esses anos anteriores. Porém, a perda de 198.900 postos de trabalho em 12 meses se soma às quedas anteriores, até acumular 3,75 milhões, conforme a Pesquisa de População Ativa publicada nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística. Por outro lado, houve uma redução do desemprego. No último trimestre do ano passado, havia 65.000 pessoas a menos sem trabalho do que no mesmo período do ano anterior, ficando o total em 5.896.300.

Com esses ingredientes na equação, a resposta lógica seria que houve uma queda no índice de desemprego. Mas não. Ele subiu para 26,03%. Por quê? Porque diminuiu a população ativa, o conjunto de pessoas em idade e com disposição para trabalhar. Foi uma redução de 267.900 indivíduos. Prolonga-se assim um retrocesso que já dura quase dois anos. A duração da crise se nota no ânimo das pessoas, que, fartas de não encontrarem emprego, acabam por desistir (por isso o INE deixa de contá-los como desempregados) ou vão embora da Espanha para tentar a sorte.

É preciso buscar o outro lado da moeda nos dados não-sazonais, os quais, pela primeira vez desde o começo de 2008, apresentam uma recuperação. A alta foi de 0,29%. Este dado parece apontar para uma mudança de tendência, algo que o Governo espera que se confirme ao longo deste ano. “No ano de 2014, as projeções que temos no Ministério da Economia é de que haverá uma geração líquida de emprego, inclusive superior à que havíamos projetado quando elaboramos os orçamentos”, disse o ministro da Economia, Luis de Guindos, há algumas semanas.

Emprego agrícola e com jornadas reduzidas

Baixando aos detalhes da pesquisa, a agricultura passou a empregar 85.200 indivíduos a mais. Já nos serviços houve uma queda de 109.100, pois esse é um setor que se ressente do fim da temporada do turismo na Espanha. A construção civil (35.200 empregos a menos) e a indústria (6.000) também registraram quedas.

O ano de 2013 termina com um aumento dos empregos em jornada parcial, com 140.400 postos a mais do que no ano anterior. A tendência, que vem de longe, se acentuou e contrasta com o significativo retrocesso dos trabalhos com jornada integral, que tiveram um retrocesso de 339.300 vagas. Assim, o percentual de pessoas que trabalham em período reduzido aumentou quase um ponto percentual, chegando a 16,34%.

O mais provável, dada a tendência de fundo e as medidas adotadas pelo Governo, é que o emprego em jornada parcial continue em alta neste ano. Só assim se explica que o Executivo preveja uma geração de emprego “significativa” apesar do raquítico comportamento esperado na atividade econômica.

O número total de trabalhadores por conta própria caiu em 51.500 pessoas no quarto trimestre de 2013. Além disso, o número de assalariados diminuiu em 10.400 indivíduos. Os trabalhadores com contratos indefinido aumentaram em 45.600, e os de contrato temporário diminuíram em 56.000. A taxa de temporalidade baixou em 0,39 ponto, ficando em 23,92%. Nos 12 últimos meses, o número de assalariados diminuiu em 188.200, e o de trabalhadores por conta própria caiu em 9.000. O emprego privado teve uma redução de 30.200 pessoas no último trimestre, situando-se em 13.962.400. Já o total do funcionalismo público diminuiu em 34.800 pessoas.

A face mais amarga do mercado de trabalho continua estando nos lares em que todos os integrantes estão desempregados. A cifra chegou a 1,83 milhão. A longa duração da crise e a falta de emprego fazem com que em muitos desses lares seus integrantes já tenham esgotado o recurso ao seguro-desemprego. Com isso, o número de domicílios nos quais ninguém tem renda chegou ao seu máximo histórico: 686.600.