20ª JORNADA DE UNE | LEVANTE 1 X 1 BARCELONA

O Barça bate em um osso duro

A coragem do Levante, que já havia feito Real Madrid e Atlético sofrerem, neutraliza o talento azulgrana

Keylor Navas, no chão, evita um gol de Messi
Keylor Navas, no chão, evita um gol de Messiheino kalis (REUTERS)

A imagem da Inter de Mourinho, mas menorzinha, o Levante se defendeu como um tigre e deixou a seco o Barça, que se chocou contra uma barreira. Sob o comando de Juanfran, o agora zagueiro pela esquerda, de 37 anos, um ímã contra os disparos azulgrana. O capitão da equipe granota acabou a partida cambaleante, já sem as caneleiras e nenhuma grama mais de força, mas presumindo ter detido o gigante. 500 milhões de orçamento os separam. Nem sequer Messi com corda total, arrancando quase sempre desde o meio-campo, pôde com a coragem granota, bastante reforçada contra os grandes, a ponto de já fazer amargar Real Madrid e Atlético, que se salvaram por pouco. Adversário duro para o Barça, e na quarta-feira voltará a tê-lo pela frente na Copa.

Caparrós não enganou ninguém ao dispor a tropa granota em seu próprio campo, com uma linha de quatro na defesa que na verdade se convertia em uma de cinco, já que o habitualmente lateral-direito, Pedro López, jogava no meio como um 8 muito disposto a ajudar o lateral Vyntra. A partir daí, havia mais duas ordens: velocidade e estratégia. Ao primeiro escanteio, prêmio. Bons “golpeadores” e bons “cabeceadores”, segundo a terminologia de Simeone, brilharam na bola parada. A batida do austríaco Ivanschitz colocou a bola desde o corner na testa do grego Vyntra, que finalizou no segundo pau. Desbancou Fàbregas e Piqué, em mais uma mancha na lenda negra azulgrana no jogo aéreo.

O contratempo não alterou o ritmo de Xavi, empenhado em alargar o campo para entrar pelas alas, tanto quanto Montoya se atropelava ao alcançar a linha de fundo. O capitão azulgrana ajudou na ponta esquerda do gol granota pressionado pela necessidade, com a intenção de devolver o golpe. Seu cruzamento, balanceado e na frente da pequena área, exigia também um arremate bastante preciso. Piqué quase pediu perdão à bola ao pegar de frente, amortecendo o golpe para evitar que fosse para fora. Não foi. Caiu em suave diagonal até a trave contrária, como havia imaginado Piqué.

Xabi sabia que o rival é uma rocha por dentro, mas Pedro e Alexis foram bem anulados

A quantidade e qualidade do futebol de Xavi farão muita falta quando ele não estiver mais. Ele sabia que o Levante é uma rocha por dentro, por isso sua obsessão por abrir para os pontas, Alexis e Pedro, bem anulados por Niko e Vyntra, um zagueiro adaptado para a ocasião com ares de Ivanovic, o sérvio do Chelsea. Houve alguma salvação, como em uma jogada de Pedro dentro da área, quando Vyntra vinha como um búfalo e passou direto. A jogada de mestre de Pedro foi admirada pela torcida atrás deste gol, ainda que fosse principalmente granota. Na primeira meia hora, o time de Caparrós ainda conseguiu sair de sua guarita para dar uma respirada no campo barcelonista, graças principalmente à capacidade de Diop para se desvencilhar no tráfego. Mas o chute de karatê de Juanfran na bola simbolizou a último parte do primeiro tempo. O Levante, asfixiado pela pressão dos rivais, já não podia sair jogando. O estádio Ciutat de València se levantou para se despedir de seus jogadores na saída para o intervalo, orgulhoso do que tinham conseguido. Antes, o público homenageou o capitão Juanfran pelo recorde de 100 partidas pelo Levante na Primeira Liga.

Quando Messi encontrou espaços, Keylor Navas apareceu para frustrá-lo

Alexis só esquentou no começo da segunda etapa. Sem êxito. Desperdiçou uma passe de Fàbregas, um lançamento de 35 metros. E, a seguir, demonstrou honradez ao querer avançar e evitar cair apesar de ter sido tocado por Ivanschitz dentro da área. Caparrós refrescou o ataque ao trocar um falso 9, El Zhar, por outro de verdade, Ángel, ainda que este tenha jogado apenas nesta temporada.

Messi demorou a arrancar. Esta centelha entrou na casa granota não se sabe muito bem por onde, atrás de uma parede. E dali nasceram três chutes à queima-roupa, dois de La Pulga e um de Xavi, defendidos pelos zagueiros e por um Keylor Navas muito ágil para chegar à qualquer rincão do gol. O Barça começou a encontrar espaços para penetrar, mas também pernas de jogadores do Levante que repeliam todos os disparos. Principalmente as de Juanfran. Ao Levante sobraram forças para sair nos contra-ataques por meio do galope inesgotável de Nikos. Ou do chutaço de canhota de Ivanschitz, que fez Valdés voar.

Martino observou sintomas de esgotamento em Fàbregas e o substituiu por Sergi Roberto. Um sem fim de paredes bombardeadas por Messi não encontrou o resultado esperado. E o tempo se esgotava. Tello entrou para ventilar mais pela ponta esquerda. Seu chute enroscado, a cinco minutos do fim, exigiu outro salto prodígio de Keylor Navas. Dongou foi a última bala perdida por Martino.

Uma jogada de Juanfran contra Dongou, que tem metade de sua idade, resumiu o que foi a partida. A coragem e o trabalho granota para se defender contiveram as toneladas de talento azulgrana.

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