O ano de El Greco começa no Museu do Prado

O quarto centenário da morte do autor será celebrado com seis mostras em Toledo e Madri As exposições exploram a vida e obra do cretense e sua influência na arte moderna

Em 2014 cumprem-se 400 anos da morte do Greco. (atlas)

O ano começou no dia 14 de janeiro. Ao menos, o ano de Doménikos Theotocópulos, El Greco. 2014, quando se completam 400 anos da morte do pintor, será o ano do pintor cretense, e de Toledo, renomeada capital europeia da cultura. A cidade que acolheu o artista a partir de 1577 até sua morte vai receber duas grandes exposições das seis previstas nos atos de comemoração. Outras três serão celebradas no Prado, museu que acolheu a primeira exposição antológica sobre este artista, em 1902, quando mal havia sido redescoberta sua obra e com a discussão acadêmica sobre a mestria de Theotocópulos ainda aberta. 

As mostras pretendem iluminar a vida do autor (na exposição principal, O greco de Toledo), suas inovações produtivas, e sua influência sobre pintores como Picasso, Pollack ou Bacon (na exposição O Greco e a pintura moderna, que acolhe o Prado). O greco de Toledo, que reunirá em cinco sedes 100 obras cedidas por museus de 29 cidades diferentes, é uma exposição que não se repetirá, nas palavras de Gregorio Marañón, presidente da Fundação El Greco 2014, organizadora dos atos do centenário.

O Prado acolhe a apresentação do ano Greco —presidida pelo ministro de Cultura, José Ignacio Wert, e pela presidenta da comunidade de Castilla-La Mancha, María Dolores de Cospedal— ao mesmo tempo em que se encerra a exposição temporária do espólio de Cristo, do pintor cretense, que foi transferida ao Prado da Catedral de Toledo para sua restauração. Em oito dias, essa obra voltará a seu local habitual na sacristia, que estreia também uma nova iluminação e disposição dos quadros para dar mais destaque às peças de Greco.

A obra do pintor vai receber muitos financiamentos, assim como os eventos em homenagem a seu aniversário. Dos 52 milhões de reais que custou a organização do centenário, só 9,75 milhões de reais procedem de fundos públicos, e os outros 42,25 milhões de reais foram obtidos de doações de diferentes empresas. Nas palavras do ministro, "a parceria público-privado é o santo e senha do gerenciamento cultural moderna". Marañón disse mencionou a "austeridade" da celebração: para os 500 anos da publicação do Quixote, que acontecem em 2015, os gastos vão atingir 195 milhões de reais, mais do triplo do investido no ano do Greco. 

Do ateliê de El Greco a Picasso

C. M.

Os atos de celebração do ano de Greco incluem concertos, conversas, e amostras gastronômicas, mas tudo gira em torno de seis exposições que acontecerão entre fevereiro e dezembro de 2014:

  • Toledo contemporânea. Um retrato da cidade a partir da obra de 13 fotógrafos que coincide com a próxima edição da feira de arte contemporâneo ARCO. De 18 de fevereiro a 14 de junho no Centro Cultural San Marcos (Toledo).
  • O greco de Toledo. A grande exposição do ano Greco, é a primeira grande amostra sobre o pintor que se celebra em sua cidade natal. A centena de obras cedidas por museus de 29 cidades diferentes serão expostas em cinco sedes diferentes. O principal, o museu Santa Cruz e os Espaços Greco. De 14 de março a 14 de junho em Toledo.
  • El Greco: Arte e ofício. A amostra revela as inovadoras técnicas de produção e reprodução utilizadas na oficina do pintor em Toledo. Entre as obras expostas se encontram os quatro apostolados do artista conservados. Entre 8 de setembro e 9 de dezembro no museu de Santa Cruz, em Toledo.
  • El Greco e a pintura moderna. Reúne parte da obra do artista com a de alguns autores (de Manet e Cézanne a Pollock e Picasso) que influenciou entre o século XIX e 1960. De 24 de junho a 5 de outubro no museu do Prado.
  • A biblioteca de Greco. Explora as raízes teóricas e literárias da obra do pintor através de seus livros. Nas margens encontraram-se mais de 30.000 palavras escritas pelo artista que esclarecem sua visão do ato criativo. De 31 de março a 29 de junho no museu do Prado.
  • Entre o céu e a terra. Doze olhares quatrocentos anos depois. Explora a influência do pintor em 12 autores contemporâneos nacionais e internacionais. Entre 29 de abril e 27 de julho no Museu Nacional de Escultura de Valladolid, e entre setembro e novembro na Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madri.

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