“Homem de confiança” de Temer, ex-deputado Rodrigo Rocha Loures é preso em Brasília

O ministro do STF Edson Fachin acata pedido da PGR e autoriza a detenção de Loures, filmado pela PF com uma mala com 500.000 reais entregues pela JBS

Rodrigo Rocha Loures preso
Michel Temer, o dia 31 de maio. REUTERS

Rodrigo Rocha Loures (PMDB), ex-deputado pelo Paraná e ex-assessor do presidente Michel Temer, foi preso na manhã deste sábado em Brasília, após a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Loures se encontra na superintendência da Polícia Federal em Brasília e deverá ser transferido na próxima segunda-feira para o Complexo Penitenciário da Papuda, informa Afonso Benites. Ele havia sido filmado pela PF carregando uma mala com 500.000 reais entregues pela JBS. Segundo o dono do frigorífico, Joesley Batista, ele era o homem de confiança do presidente e havia sido indicado para receber a propina.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido ao STF a prisão de Loures nesta quinta-feira, 31 de maio. Trata-se do segundo pedido feito, já que o primeiro havia sido negado por Fachin porque Loures ainda era deputado.

Entretanto, o político paranaense perdeu seu posto nesta semana após Temer indicar Torquato Jardim para o ministério da Justiça, no último dia 29. Osmar Serraglio, que então ocupava a Justiça, foi convidado por Temer para ocupar a pasta de Transparência, mas negou o convite. Ele então retomou seu mandato como deputado pelo Paraná, afastando assim Loures da Câmara – que era suplente e havia se tornado parlamentar após a nomeação de Serraglio para Justiça.

Segundo a Folha de S. Paulo, a defesa de Loures está "indignada" porque acredita que a Justiça não se deu ao trabalho de analisar os argumentos apresentados nesta sexta-feira contra a detenção do ex-assessor de Temer.

Uma possível prisão de Loures era motivo de preocupação para o Planalto, já que poderia forçar uma delação premiada. Temer chegou a buscar outros nomes do PMDB do Paraná para a pasta de Transparência, para que Loures mantivesse o cargo como deputado. Ainda que estivesse afastado de suas funções, Loures manteria dessa forma o foro privilegiado, evitando que seu processo caísse nas mãos de um juiz de primeira instância, como Sergio Moro. Entretanto, como seu processo está ligado ao de Temer, já era previsto que, mesmo perdendo o cargo, seu caso continuasse no STF.

A detenção de Rocha Loures ocorre em um momento delicado para Temer. Na próxima semana, a partir de terça-feira, 6 de junho, o TSE começará a julgar o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer. O atual Governo se encontra na beira do abismo desde que o jornal O Globo noticiou uma conversa comprometedora de Temer com Joesley Batista, dono da JBS. A delação dos executivos da empresa foi divulgada um dia depois, causando mais estragos na elite política brasileira. O ministro Fachin, do STF, autorizou a abertura de inquérito para apurar possíveis crimes de obstrução da justiça, corrupção passiva e organização criminosa.

Loures foi preso devido às revelações de Batista, mas a Operação Lava Jato já vinha cercando o presidente e as pessoas mais próximas de seu Governo meses antes da delação da JBS. Quando Temer ainda era presidente interino, Romero Jucá teve de deixar o ministério do Planejamento por causa de uma conversa com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, na qual eles falavam sobre parar a Lava Jato. Entretanto, Jucá segue firme como líder do Governo no Senado. Já em dezembro do ano passado, as delações da Odebrecht, ainda não homologadas, causaram outra importante baixa no Executivo. José Yunes, amigo de longa data de Temer, deixou o cargo de assessor especial da Presidência após ser acusado de receber 10 milhões de reais que deveriam ser repassados ao PMDB.

A operação também ameaça outros ministros próximos a Temer, como Eliseu Padilha e Moreira Franco. Logo após a homologação das delações da Odebrecht, Temer recriou através de Medida Provisória (MP) a Secretaria-Geral da Presidência entregou seu comando a Franco, a fim de que ele tivesse direito a foro privilegiado. Como a MP não foi validada pelo Senado, Temer repetiu a manobra na noite desta quarta-feira para renovar a blindagem de Franco. 

O Governo Temer também sofreu uma importante baixa no final de maio, quando teve de demitir o assessor especial da presidência Tadeu Filippelli. Também próximo a Temer, ele foi alvo da Operação Panatenaico, que investiga uma organização criminosa suspeita de fraudar e desviar recursos das obras de reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, para Copa do Mundo de 2014. Filippelli, que foi alvo de mandado de prisão, havia sido vice-governador do Distrito Federal.

MAIS INFORMAÇÕES