Temer troca comando do Ministério da Justiça

Torquato Jardim, que era ministro da Transparência troca de cargo com Osmar Serraglio

Torquato Jardim
Torquato Jardim, o novo ministro da Justiça. EFE

Em meio à crise gerada pelas delações da JBS, o presidente Michel Temer exonerou do cargo o ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Em seu lugar, será colocado Torquato Jardim, que ocupava o ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU). Em princípio, Serraglio, que é deputado federal filiado ao PMDB, voltaria para o Congresso Nacional, reocupando a vaga que estava com Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer, flagrado recebendo propina da gigante frigorífica JBS. Porém, com a repercussão da demissão, o Governo decidiu colocá-lo no cargo que era de Jardim, na Transparência. Esta é a segunda troca ministerial desde que o escândalo da JBS veio à tona, na semana retrasada.

Em nota, a assessoria do Palácio do Planalto informou que a decisão da nomeação de Torquato aconteceu na tarde deste domingo. "Ao anunciar o nome do novo ministro, o presidente Michel Temer agradece o empenho e o trabalho realizado pelo deputado Osmar Serraglio à frente do Ministério, com cuja colaboração tenciona contar a partir de agora em outras atividades em favor do Brasil", ressaltou o texto.

A exoneração de Serraglio e consequente nomeação de Jardim levou em conta o julgamento que Temer enfrentará no próximo dia 6 de junho no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico na eleição de 2014 – quando concorreu como vice na chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT). A ação pode resultar na cassação de seu mandato. Por oito anos, Jardim foi ministro do TSE e há quatro décadas atua na área eleitoral. Não é filiado a nenhum partido político e tem pouca afinidade com alguns dos temas da nova pasta que comandará neste momento, como segurança pública, administração penitenciária e questões indígenas. Contudo, seu bom trânsito nos tribunais superiores, algo que Serraglio jamais teve, pesou na sua indicação.

Se a situação de Temer, antes de vir à público a gravação de uma conversa pouco republicana dele com o empresário da controladora da JBS, Joesley Batista, poderia se beneficiar politicamente da leve recuperação econômica que o país vivia, agora a situação dele deve se complicar. As apostas no meio político são de que o mandato do presidente deve ser cassado no TSE, que pode considerar a instabilidade política de um possível impeachment prejudicial ao país.

Antes mesmo de ser nomeado para a Justiça, ainda na condição de chefe da Transparência, Jardim concedeu uma entrevista ao jornal Correio Braziliense, publicada neste domingo, na qual disse que só sairá do Governo quando Temer descer a rampa presidencial e que acredita que o TSE não levará em conta a situação política, mas apenas o caráter técnico-jurídico da ação. “Nunca vi tantos especialistas em TSE, e sem entender nada”, afirmou ao periódico.

Nos cerca de dez dias que faltam até o início do juízo, o presidente tem costurado alianças que possam fortalecê-lo. E quer mostrar que o Governo não está parado. Neste final de semana, esteve em Alagoas e deve ainda ir a Pernambuco, para visitar as vítimas das enchentes, e a São Paulo, em um evento internacional nesta semana.

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