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Assassinato em Cleveland: Facebook admite ser incapaz de administrar a violência

Rede social promete melhorar censura de vídeos em tempo real após homem matar idoso e transmitir crime ao vivo

Steve Stephens, assassino de Cleveland
Steve Stephens, o assassino de Cleveland, durante a transmissão do crime ao vivo pelo Facebook. REUTERS

A publicação de um assassinato em Cleveland expôs uma das falhas do Facebook: a ausência de barreiras para publicar conteúdo, e disparou os alarmes da rede social. O vídeo, em que apareciam vítimas mortais, permaneceu disponível por várias horas. “Como resultado de uma sequência de fatos terríveis, decidimos revisar nossos procedimentos para garantir que vídeos e materiais que violam nossas normas possam ser denunciados de maneira rápida e simples”, declarou a empresa em nota assinada pelo vice-presidente global de operações, Justin Osofsky.

O Facebook não foi capaz de administrar a divulgação de um vídeo em que um homem, identificado pela polícia como Steve Stephens, se aproximava de Robert Godwin Senior, de 74 anos, e atirava. A empresa ressalta que sua resposta, normalmente, não demora mais que uma hora ou 45 minutos. Ainda assim, tentaram se justificar: “Encerramos a conta do suspeito 23 minutos depois de receber o primeiro alerta sobre o vídeo do assassinato, que foi duas horas depois da publicação. Sabemos que precisamos melhorar isso”. A vítima tinha nove filhos e 14 netos. Os investigadores acreditam que Stephens e Godwin não se conheciam.

O Facebook admite que combina dois fatores para checar o que os usuários compartilham, uma mistura de padrões de inteligência artificial e funcionários que revisam o conteúdo. “Milhares de pessoas em todo mundo”, segundo o diretor.

A investigação da rede social indica que o suspeito publicou três vídeos. O Facebook não recebeu nenhum alerta sobre o primeiro, em que Stephens falava abertamente em matar. Depois, postou o do tiroteio. Por último, no terceiro, através da ferramenta de transmissão ao vivo Facebook Live, confessava o assassinato. Conversou com seus contatos sobre isso por cinco minutos. De acordo com a versão do Facebook, foi então que, antes de terminar a transmissão, começaram a chegar mais alertas.

“Manter segura a nossa comunidade é parte de nossa missão”, diz a nota, “agradecemos a todos os que avisaram. Obrigado por fazer do Facebook um espaço seguro”.

Em nenhum momento o Facebook detalha as medidas que tomará para melhorar seus métodos, mas se espera que Mark Zuckerberg se pronuncie a respeito nesta terça-feira em San José, onde revelará os planos de um serviço com mais de 1,8 bilhão de perfis ativos acessado diariamente por mais de 1,2 bilhão de usuários.

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