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Cristiano Ronaldo: “Só peço que não me vaiem aqui”

Cristiano, que marcou três gols para resgatar o Madrid contra o Bayern, pede mais carinho no Bernabéu

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Cristiano manda que os torcedores se calem depois do gol de empate. AFP

Não há tarde ou noite tranquila para o Real Madrid de Zinedine Zidane. Nunca. Nem quando começa o jogo com um gol de vantagem da partida de ida. Nem mesmo quando domina o duelo e mantém o rival, nesse caso o Bayern de Munique, sob controle depois de uma pressão muito forte nos primeiros 15 minutos. O Real de Zidane está condenado ao sofrimento. Está em seu DNA, como a garra e o caráter. Também está condenado a seguir seu caminho na Champions League depois de empatar e virar na prorrogação. Cristiano, protagonista no jogo de ida, foi também no de volta. Dois gols em Munique, três gols em Madri. O segundo, um passe de Sergio Ramos que trouxe alívio em uma noite na qual parecia que a Champions tinha dado as costas para ele.

Três de Cristiano, três de Cristiano”, gritava o locutor do estádio, enlouquecido após o terceiro gol do português. Comemorou o primeiro mandando que os torcedores do Real Madrid ficassem quietos. “Só peço que não me vaiem aqui. Tento dar o meu melhor e ajudar o Real Madrid”, explicou no fim do jogo ainda no gramado quando perguntado por que tinha mandado que se calassem. Mais que vaias, no estádio houve alguma agitação após o gol do Bayern. Talvez houve um pouco de barulho no primeiro tempo, quando o português cortou um contra-ataque e caiu no chão. Os torcedores, no entanto, estavam reclamando que a equipe atacasse mais. Mas Cristiano teve que escutar mais que os outros. E levou isso a sério. Olhou desafiante e irritado para a arquibancada depois do gol de empate.

Comemorou os outros dois gols com um sorriso de orelha a orelha. O mesmo que começou a crescer no rosto de Zidane. E no de Sergio Ramos. Era a noite em que o capitão do Madrid completava 100 jogos na principal competição europeia, a noite em que tinha convocado os torcedores para que a equipe sentisse a animação antes de chegar ao estádio. E por um tempo foi a noite mais amarga para o capitão. O gol que tinham pedido a ele toda a tarde chegou, mas contra. Foi logo depois que Cristiano empatou uma partida que o Real Madrid tinha controlada. O zagueiro bateu cabeça com Nacho dentro da área a poucos metros de Keylor Navas e acabou marcando contra. Um gol que obrigou a irem para a prorrogação e deixou o Real com medo, mais mental do que físico.

“Como não vou te amar, como não vou te amar”, cantava todo o estádio enquanto o time do Real se juntava antes de começar a prorrogação com vantagem, pois Vidal havia sido expulso. A convocação de Sergio Ramos funcionou, embora não tenha ido tanta gente à praça dos Sagrados Corações como em ocasiões anteriores. Como no ano passado, sem ir mais longe, quando o Real Madrid tinha que virar um 2 x 0 contra o Wolfsburg. Foi ali que o capitão pediu que os torcedores se reunissem. O apoio dos que foram acompanhou o ônibus da equipe merengue até a rampa de acesso ao estádio em uma tarde muito quente.

Sergio Ramos respondeu aos cânticos dos torcedores no aquecimento. Nos momentos mais difíceis da partida, tentava tranquilizar a todos. Com as mãos, pedindo calma, como se não estivesse vendo cinco jogadores vestidos de vermelho na área da sua equipe. Mostrava experiência, como um chefe. Construiu um muro do qual escaparam uns tijolos apenas no gol contra. Uma calamidade da qual foi resgatado por Cristiano Ronaldo em uma noite única.

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