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Republicanos e democratas respaldam o ataque de Trump à Síria

Os dois partidos consideram “proporcional” a resposta ordenada pela Casa Branca

Estados Unidos ataque Siria
Membros do gabinete de Trump presencian seu discurso em Mar-a-Lago (Flórida) na quinta-feira pela noite. AP

O bombardeio à Síria ordenado pelo presidente Donald Trump na noite de quinta-feira foi recebido pelos legisladores republicanos e democratas como uma resposta “proporcional” ao ataque com armas químicas ocorrido nesta semana no país árabe. O consenso, porém, se rompeu na hora de avaliar os próximos passos do mandatário republicano contra o ditador Bashar al Assad. A Câmara de Representantes (deputados) iniciou um recesso de duas semanas, razão pela qual qualquer autorização de novas ações militares deverá ser convocada em regime de urgência pelo presidente da Casa, Paul Ryan.

Os senadores John McCain e Lindsey Graham publicaram um comunicado conjunto elogiando a decisão de Trump em resposta ao ataque químico contra a população civil, que deixou mais de 80 mortos. Ambos os legisladores, principais críticos do presidente dentro do seu próprio partido, comemoram que o comandante-em-chefe “tenha enviado a importante mensagem de que os EUA não continuarão à margem enquanto Assad, ajudado pela Rússia de Putin, massacra sírios inocentes com armas químicas”.

O republicano Marco Rubio, ex-rival de Trump nas eleições, declarou que o ataque às bases aéreas do regime de Damasco “diminuirá sua capacidade de cometer atrocidades contra inocentes”. O comunicado divulgado por seu gabinete em Washington propõe a partir de agora “uma estratégia exaustiva para garantir que Assad não continue sendo uma ameaça para seus cidadãos e para a segurança dos EUA”. Rubio acrescenta que “a Rússia não tem total liberdade para apoiar esse regime”.

Ileana Ros-Lehtinen, uma deputada republicana da Flórida que não costuma esconder desacordos internos, respaldou neste caso os ataques contra a base aérea síria. “Os EUA fizeram o que o resto do mundo não fez: liderar e responder aos crimes de guerra de Assad”, escreveu no Twitter.

Horas antes do ataque, quando já se sabia que tal possibilidade estava sobre a mesa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata derrotada por Trump na eleição do ano passado, admitiu que os EUA deveriam ter sido mais “agressivos” com o regime de Assad. Ela defendeu represálias contra as bases aéreas sírias de onde partiram os ataques químicos no norte do país. “São a causa da maior parte das mortes de civis”, acrescentou.

O único republicano a criticar a intervenção foi Rand Paul. Seu argumento coincide com o dos legisladores do Partido Democrata, já que Trump agiu sem a autorização expressa do Congresso. Paul disse ainda que intervir nesta região, afetada pela guerra civil síria há seis anos e pela instabilidade no Iraque, nunca contribuiu para a segurança norte-americana.

O senador democrata Dick Durbin declarou na noite de quinta que a resposta americana foi “proporcional” aos ataques químicos, mas defendeu que “qualquer medida a partir de agora seja analisada pelo Congresso”. Durbin acrescentou que uma escalada militar além dos bombardeios “exigirá a participação dos cidadãos nessa decisão”.

Na Câmara de Representantes, o democrata Ben Cardin foi o primeiro a pedir que qualquer ação militar ordenada por Trump conte com a aprovação do Congresso. “Não posso enfatizar suficientemente que qualquer operação militar de longo prazo na Síria deverá ser realizada após consultar o Congresso. O presidente tem a responsabilidade de informar ao Poder Legislativo e aos cidadãos tanto sobre a sua política na Síria como sobre as bases legais de qualquer das suas ações nesse país.”

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