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Frente a frente com Moro, Eduardo Cunha diz ter aneurisma como o de dona Marisa

Ex-deputado afirmou que não está recebendo os cuidados médicos adequados para suas condições de saúde

Operação Lava Jato política brasileira
Cunha escoltado por policiais REUTERS

O ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta terça-feira, diante do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, que tem um aneurisma cerebral semelhante ao de dona Marisa, mulher do ex-presidente Lula que morreu na semana passada. Ela tinha um aneurisma cerebral que se rompeu, provocando um AVC em 24 de janeiro. Ao final de seu depoimento que durou pouco mais de três horas, o peemedebista leu uma carta manuscrita de dez páginas na qual explica sua condição médica e afirma que não está recebendo o tratamento adequado no Complexo Médico Penal de Pinhais. A informação foi confirmada pelo escritório de advocacia responsável pela defesa de Cunha. Foi a primeira vez que o ex-parlamentar ficou frente a frente com Moro.

Os advogados do ex-deputado apresentaram ao juiz um pedido de liberdade para o peemedebista, que está preso preventivamente desde outubro de 2016, por determinação de Moro. Ele é réu em uma ação penal no âmbito da Operação Lava Jato por ser acusado de ter recebido 5 milhões de reais em propina relativas a contratos firmados com a Petrobras para explorar campos petrolíferos em Benin, na África. O valor teria sido depositado em contas secretas que o parlamentar mantinha na Suíça junto com sua mulher, a jornalista Cláudia Cruz, para dificultar o rastreamento do dinheiro. Ele sempre negou ser o titular das contas, e sempre disse ser apenas beneficiário dos trusts.

Agora cabe a Moro analisar o pedido e permitir ou não que Cunha responda ao processo em liberdade. A defesa do ex-deputado também protocolou pedidos de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Já acuados pelas delações da Odebrecht, que implicam praticamente toda a cúpula do Governo de Michel Temer, peemedebistas temem que Cunha firme um acordo de colaboração com a Justiça e coloque mais lenha na fogueira da Lava Jato. O ex-deputado, apontado como um dos maiores artífices do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff no ano passado, sofreu uma derrocada política após aceitar o pedido de afastamento da petista. Abandonado pelo partido e pelos deputados do centrão - sua base de sustentação - e envolvido no escândalo de corrupção da Petrobras, o então todo-poderoso da Câmara se viu isolado.

A situação dele se complicou após ser acusado de ser titular de offshores não declaradas em paraísos fiscais. Ele negou o fato diante da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, mas o Ministério Público Federal apresentou documentos que comprovam o faro. A mentira custou caro para Cunha, que acabou afastado da presidência da Câmara e perdeu o mandato por ordem do STF. No entendimento dos ministros, ele usou seu poder na Casa para obstruir as investigações contra ele. O processo contra ele corria no STF, mas como o peemedebistae teve o mandato cassado o caso foi para a primeira instância.

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