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Para polícia, morte de George Michael foi inesperada, mas não suspeita

O ícone do pop britânico morreu no último domingo de uma parada cardíaca na cama

Morre George Michael
Homenagens em Londres a um artista muito querido que foi porta-bandeira da liberdade sexual. REUTERS

Sua dependência das drogas e seus enfrentamentos com o mundo discográfico não o impediram de vender milhões de discos e ser idolatrado por seus fãs. George Michael lutou ao longo de sua longa carreira para não se sentir como uma marionete do mercado musical, embora nem sempre tenha sido vitorioso nisso. Esse ícone do pop britânico morreu no último domingo de uma parada cardíaca na cama, como anunciou seu manager Michael Lippman. O astro do pop “partiu em paz”.

No dia do Natal, pouco antes das duas horas da tarde, uma ambulância chegou à casa do músico, nas margens do rio Tâmisa. A polícia afirmou que a morte de George Michael está sendo tratada como "inesperada, mas não suspeita", até que a autópsia seja realizada.

Uma coroa de flores em forma de coração figurava entre as improvisadas homenagens colocadas na porta da casa onde o cantor morreu, uma lembrança de um artista que fez da liberdade sexual a sua bandeira.

Liberdade, como o título de seu grande sucesso de 1990, é o nome, também, do documentário em que George Michael vinha trabalhando nos últimos meses e que conta a sua ascensão à fama com a dupla Wham!. O lançamento estava previsto para este ano que se encerra, mas foi adiado recentemente para março de 2017. O artista havia pedido a seus fãs, pelo Twitter, uma rede social em que abundavam manifestações de carinho a ele desde a sua morte, que lhe enviassem seus vídeos e fotografias pessoais entre os anos de 1988 e 1996.

Neste mesmo mês, fora anunciado também que o cantor estava trabalhando com o produtor e compositor Naughty Boy em um novo álbum. George Michael obteve um de seus últimos grandes sucessos musicais em 2012 com a simples White Light, interpretada na cerimônia de encerramento dos Jogos de Londres daquele ano, inspirada em uma crise de saúde desencadeada após uma pneumonia que o obrigou a cancelar uma série de shows em 2011 e que, segundo o próprio artista admitiu, quase o levou à morte.

No início desta década, George Michael anunciou o fim de seu relacionamento de 15 anos com Kenny Goss e, depois daquilo que ele próprio classificou como um “período muito longo de dor e abusos”, anunciou a volta aos palcos. Preso em diversas ocasiões por penalidades relacionadas às drogas e infrações de trânsito, manifestou seu arrependimento pelo possível impacto que suas detenções, sempre espalhafatosas, pudessem ter nos jovens homossexuais que buscavam aceitação social.

Nos últimos meses, George Michael levava uma vida reclusa e era pouco visto no próprio vilarejo onde vivia, segundo depoimentos obtidos pela imprensa britânica. As últimas fotografias, de setembro deste ano, o mostram envelhecido e com sobrepeso.

Homenagens políticas

Flores e velas colocadas na frente de sua casa em Londres, no bairro sofisticado de Highgate, no norte da capital, testemunhavam o carinho de que desfrutava George Michael no mundo do pop. Os fãs se reuniam diante de da mansão de um homem que lutou para defender, como dizia em sua canção Sex is Natural, que toda sexualidade é natural e que o antinatural são as atitudes intolerantes.

Vários líderes políticos de destaque também lamentaram a perda daquele que foi, nas palavras do líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, “um artista extraordinário e um grande defensor dos direitos da comunidade LGBT e dos trabalhadores”. A primeira-ministra, a nacionalista Nicola Sturgeon, também expressou suas condolências pela morte “muito prematura de um talento maravilhoso”.

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