Maicon Siqueira, o ex-pedreiro que levou o Brasil ao pódio no taekwondo

Mineiro conquistou neste sábado a medalha de bronze na categoria acima de 80 quilos

Maicon Siqueira, após conquistar o bronze neste sábado.
Maicon Siqueira, após conquistar o bronze neste sábado. AP

Maicon de Andrade Siqueira, um mineiro nascido em Justinópolis há 23 anos, conquistou nesta sábado uma inesperada medalha de bronze no taekwondo, na categoria acima dos 80 quilos, ao vencer por 5 a 4 o lutador Mahama Cho — que, apesar de ser da Costa do Marfim, competia pela Grã-Bretanha. Com a vitória de Andrade, o Brasil conquistou sua última medalha no Parque Olímpico da Barra nesses Jogos Olímpicos do Rio.

Ninguém contava que Siqueira poderia dar uma medalha para o Brasil, já que ele nem sequer está entre os 10 primeiros do ranking olímpico da Federação Internacional da modalidade. Até este sábado, o taekwondo só havia dado uma medalha para o Brasil, Natália Falavigna ganhou o bronze em nos Jogos de Pequim, em 2008. A vitória de Siqueira, também dentro do programa das Forças Armadas de fomentar atletas de alto rendimento, foi a 18ª medalha do Brasil nos Jogos.

Siqueira é um lutador não apenas dentro da arena olímpica, mas também, "como qualquer outro brasileiro", na vida. Caçula de oito irmãos (sete homens e uma mulher), teve de trabalhar como ajudante de pedreiro para sustentar a família ou, até mais recentemente, de garçom de buffet infantil. Ao mesmo tempo mantinha os treinos nos fins de semana.

"Nunca sonhei que um dia disputaria uma Olimpíada na vida. Por isso agradeço muitos aos meus amigos e à minha família", disse ao final da disputa desta sábado. "Por mais que eu tente te explicar, é uma sensação única. É um sonho. Não tem como explicar como é estar aqui. É um momento único. Por mais que fale palavras bonitas, não tem como descrever".

O terceiro lugar não veio fácil. Siqueira estreou com uma vitória de virada contra o americano Stephen Lambdin por 9 a 7, mas perdeu para o nigerino Abdoulrazak Issoufou nas quartas de final. No entanto, seu algoz passou para a final e Siqueira pôde voltar aos tatames na repescagem. Bateu o francês Bar Diaye por 5 a 2 passou para a decisão do terceiro lugar. Começou perdendo, mas ganhou fôlego e finalmente deu ao Brasil sua 18ª medalha.

Com a vitória, Siqueira espera agora atrair mais dinheiro para o esporte. "Já deixamos de ir a competições porque não havia dinheiro", disse.

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