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FARC fecham acordo e dizem que vão depor armas após 50 anos de guerra na Colômbia

O cessar-fogo, "bilateral e definitivo", só entrar em vigor após a assinatura do acordo de paz

Juan Manuel Santos anunciará nesta quinta os detalhes que terminam com o conflito

Dois membros das FARC.

O Governo da Colômbia e as FARC anunciaram em um comunicado na manhã desta quarta-feira, dia 22 de junho, que chegaram com sucesso "ao acordo de cessar-fogo e de hostilidades bilateral e definitivo, a entrega das armas e as garantias de segurança". Este texto é o passo prévio ao anúncio oficial que será feito nesta quinta-feira, dia 23, também em Havana. O acordo não implica que o cessar-fogo seja adotado de imediato, já que só entrará em vigor depois que o ponto 3 do documento do acordo de paz, o do Fim do Conflito, seja assinado. Depois de mais de 50 anos de guerra, o conflito armado mais longo das Américas chega ao seu fim após deixar seis milhões de pessoas refugiadas, mais de 200.000 mortos e 45.000 desaparecidos.

O comunicado também especifica que o final da guerra implica "na luta contra as organizações criminosas responsáveis por homicídios e massacres ou que atentam contra defensores dos Direitos Humanos, movimentos sociais e movimentos políticos, incluindo as organizações criminosas que foram apontadas como sucessoras do paramilitarismo e suas redes de apoio, e a perseguição das condutas criminosas que ameacem a implementação dos acordos e a construção da paz".

Está previsto que no ato desta quinta seja abordado o cronograma para o cessar-fogo, as condições para sua implementação e os detalhes da entrega de armas. Além da presença duas delegações que negociam a paz há mais de três anos, participarão o presidente Juan Manuel Santos, o secretário geral da ONU Ban Ki-Moon (que estará acompanhado pelo Presidente do Conselho de Segurança e do Presidente da Assembleia Geral), o presidente cubano Raúl Castro, o chanceler da Noruega Borge Brende, a presidenta chilena Michelle Bachelet, e o mandatário venezuelano Nicolás Maduro.

Carlos Antonio Lozada, membro da delegação da guerrilha nas negociações, se adiantou ao anuncio e desde a primeira hora da manhã desta quarta vem compartilhando mensagens em sua conta do Twitter com a hashtag #ElUltimoDiaDeLaGuerra, que se tornou trending topic na Colômbia.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou em janeiro passado a criação de uma missão política especial que supervisionará e verificará o cessar-fogo bilateral. As tarefas de supervisão durarão um ano, com a possibilidade de se estender se o Governo e as FARC assim o pedirem, e começarão a contar depois da assinatura do acordo final de paz entre as partes.

Na terça-feira os negociadores viajaram para Cuba para preparar esse planejamento e permanecerão na ilha até 5 de julho a fim de obter um acordo definitivo, ou pelo menos deixar fechado quanto aos assuntos mais relevantes. Na segunda-feira à tarde, o presidente, Juan Manuel Santos afirmou que espera ter assinado a paz com as FARC até 20 de julho, dia da Independência da Colômbia. Até essa data, o presidente acredita que a Corte Constitucional terá aprovado a realização do plebiscito —a consulta que prometeu aos cidadãos para referendar o acordo— e que estejam prontos os mecanismos jurídicos para aplicar a maior parte dos pactos alcançados em Havana. Depois de 23 de março. “Acredito que as duas partes querem terminar o quanto antes para conseguir começar a implementar. Não quero dar datas porque sempre acaba repercutindo com grande força. A prática demonstrou que fixar datas prejudica o processo, mas se não é um acordo... Apesar de termos avançado, ainda faltam alguns detalhes”, respondeu pelo Twitter o líder das FARC, cujo codinome é Timochenko.

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