Slim e Televisa boicotam Donald Trump por insultos xenófobos

Magnata mexicano e rede de TV rompem relações com o empresário por insultar latinos

Univisión e a NBC também optaram por romper seus vínculos com o multimilionário Trump

Donald Trump
Donald Trump nesta segunda-feira em Chicago. EFE

A fortuna de Donald Trump tem uma nova utilidade para o magnata: financiar sua verborragia xenófoba. Os insultos do multimilionário norte-americano contra os imigrantes mexicanos, a quem ele descreveu como traficantes e estupradores, estão tendo caríssimas consequências nos últimos dias. Primeiro foram as redes de TV norte-americanas Univisión e NBC, que romperam suas relações comerciais com o império de Trump por seus desvarios contra o mundo latino. Na segunda-feira foi a vez de dois mexicanos influentes se unirem a esse boicote: o magnata Carlos Slim, o segundo homem mais rico do mundo, e a Televisa, mais importante empresa de mídia do mundo hispânico.

A emissora Ora TV, criada por Slim em sociedade com o ex-apresentador Larry King, cancelou um programa que estava sendo desenvolvido por uma empresa de Trump. “Trabalhar com alguém tão fechado não nos parece que vá funcionar”, declarou o genro e porta-voz de Slim, Arturo Elías Ayub, ao anunciar a decisão. Ele acrescentou que interpretou os comentários de Slim como sendo claramente racistas.

Trump, multimilionário que ocupa o 405º. na lista da Forbes, com uma fortuna de 4,1 bilhões de dólares, perdeu o beneplácito do número dois, dono de uma fortuna calculada em cerca de 71 bilhões de dólares, angariada principalmente no negócio das telecomunicações (especialmente a telefonia celular).

A Televisa, por sua vez, esnobou o empresário norte-americano com um comunicado no qual anuncia que “não participará de nenhum projeto de comunicação relacionado a Donald Trump”. “O sr. Trump não demonstrou compreensão nem respeito pelos migrantes mexicanos e ofendeu toda a população mexicana”, acrescenta a nota de imprensa divulgada pela rede, que detém em média 46% da gigantesca audiência televisiva do México.

A Univisión já havia se desvinculado de Trump por seus “comentários ofensivos”, ao passo que a NBC, embora usando outro adjetivo (“depreciativas”) para descrever as declarações dele, também argumentou em um comunicado que “o respeito e a dignidade das pessoas são uma pedra angular dos nossos valores”.

Trump (Nova York, 1946), longe de recuar, respondeu tachando a NBC de “fraca” e acusando a Univisión de ter sido pressionada pelo Governo mexicano a participar de um boicote. O magnata, pré-candidato republicano à Casa Branca, foi na segunda-feira o convidado de honra de um almoço em Chicago, no qual reafirmou seus comentários. “São 100% corretos”, disse. Trump foi recebido com um protesto no qual havia cartazes com frases como “Não ao ódio no debate” e “O discurso do ódio não é presidencial”.

O rompimento com a NBC e a Univisión trouxeram um problema urgente ao magnata dos cabelos dourados: como ficam os direitos de transmissão dos concursos Miss EUA, em julho, e Miss Universo, em janeiro. Os dois canais eram seus sócios na exibição desses eventos, dos quais Trump é o proprietário e que ironicamente refletem a presença exponencial do mundo latino na sociedade norte-americana. As atuais rainhas são a colombiana Paulina Vega, Miss Universo 2014, e a Miss EUA Nia Sánchez, neta de um mexicano (e faixa-preta de taekwondô).

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