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Sindicatos e movimentos sociais promovem ato pró-democracia

Confederações de trabalhadores, sem-teto e sem-terra promovem manifestação dois dias antes de um ato que pede o impeachment da presidenta

Sem-terra durante protesto no dia 12 em Porto Alegre.
Sem-terra durante protesto no dia 12 em Porto Alegre. Divulgação / MST

Dois dias antes do ato que pedirá o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, lideranças sindicais promovem protestos nesta sexta-feira nas 27 capitais do país em apoio à Petrobras, a favor da democracia, e contra o chamado golpismo. Apesar de refutar a pauta dos protestos de domingo, que visam pedir o impeachment de Dilma, as centrais vão cobrar a derrubada das medidas provisórias, que estão alterando as regras de acesso ao salário desemprego e a benefícios como pensão por morte de cônjuge, e fazem parte do plano de ajuste fiscal da presidenta.

Entre os participantes dos atos deste dia 13, a preocupação é evitar comparações com a manifestação do domingo e com a possível infiltração de vândalos no protesto. “Boa parte da imprensa quer fazer essa comparação, mas só queremos demonstrar que somos a favor da democracia e que é um equívoco defender o impeachment”, declarou o presidente da Confederação Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP), Adi dos Santos.

Difícil, porém, não identificar que o ato servirá como um contraponto ao momento hostil vivido pelo Governo. Santos, por exemplo, defende que os protestos de domingo levam uma pauta perigosa para as ruas: “O mesmo grupo que faz um protesto para derrubar a presidenta corre o risco de nunca mais poder se manifestar, porque podemos voltar a ter uma ditadura, com um protesto pedindo que não tenhamos mais direito a nos manifestar”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho político de Rousseff, cogitou a hipótese de participar do ato a favor do Governo. Entretanto, depois de reavaliar com aliados, Lula decidiu não ir à manifestação. Em fevereiro, ele esteve no Rio de Janeiro em um ato semelhante. Na ocasião, uma frase sua gerou combustão suficiente para insuflar ainda mais o clima belicoso de protesto – contra e a favor do Governo – das últimas semanas. Lula afirmou que se necessário, “sabemos ir para rua, ainda mais se o exército do Stédile estiver ao nosso lado”, disse ele, em referência a João Pedro Stédile, líder do Movimento Sem Terra (MST), que também apoiará os atos desta sexta-feira. A frase de Lula foi amplamente utilizada por opositores do Governo do PT pelas redes sociais, insinuando que o ex-presidente estaria organizando uma marcha armada junto com Stédile. O episódio rendeu até ameaças de morte a Stédile pela internet.

Protesto muda rotina até de futebol em São Paulo

Os protestos de sexta-feira e de domingo mudarão a rotina dos moradores de São Paulo. Além do transtorno no trânsito, as manifestações alteraram até o calendário futebolístico da cidade.

A partida entre Palmeiras e XV de Piracicaba que estava prevista para as 16h de domingo foi antecipada para as 11h. A justificativa é que o contingente policial estaria voltado para a manifestação que ocorrerá a tarde na cidade e dificultaria o acompanhamento dos torcedores que estarão no Allianz Parque, o estádio do Palmeiras.

Já com relação ao protesto de sexta-feira, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil orientou seus cidadão que estão no país a evitarem as áreas da manifestação. A mesma orientação valeria para domingo.

Além da CUT, participarão da manifestação desta sexta-feira a Nova Central Sindical, a Confederação dos Trabalhadores Brasileiros, a Central dos Sindicatos Brasileiros, o Movimento dos Trabalhadores Sem-teto e o Movimento dos Trabalhadores Sem-terra, além do MST. Os organizadores não quiseram fazer uma estimativa do público. O presidente do PT, Rui Falcão, gravou uma mensagem em vídeo para os seus filiados, incentivando a participação nas manifestações desta sexta, pedindo que não aceitem provocações mas não abaixem a cabeça. “Vamos ampliar as nossas mobilizações em todo o país, em defesa do PT, da reforma política, e do Governo da presidenta Dilma”, sugeriu.

Para o cientista político e estudioso dos movimentos sociais Gonzalo Adrián Rojas, professor da Universidade Federal de Campina Grande, a pauta oficial dos protestos é um apoio velado ao Governo, ainda que eles contenham críticas a sua política econômica.“Como os movimentos sociais se dizem independentes, eles não poderiam declarar que estão completamente a favor da presidência. Precisam mostrar que estão a favor dos trabalhadores”, analisa.

Desde o início da manhã, já era possível ver manifestantes em cidades como Paulínia, no interior de São Paulo, onde há uma refinaria da Petrobras, marchando em defesa da Petrobras, e em outros pontos do país, onde há unidades da Petrobras.

Em São Paulo, o ato começará às 15h em frente a uma das sedes da Petrobras, na avenida Paulista. Uma hora depois, representantes de um grupo de militantes virtuais contrários ao governo Rousseff, o Revoltados Online, fará um protesto no mesmo local. A polícia reforçou o esquema de segurança para evitar um confronto.

Ao menos três das sete confederações que representam trabalhadores não participarão do protesto do dia 13. Duas delas, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Intersindical, estavam até fevereiro caminhando juntamente com as demais. Mas decidiram mudar de rumo, ainda que temporariamente.A UGT disse que apoia as reivindicações, porém alegou que foi convidada a participar dos atos de última hora. “Nos chamaram para participar de tudo no andar da carruagem. Não tivemos tempo de nos mobilizar”, afirmou o presidente da UGT, Ricardo Patah, advogado vinculado ao Partido Social Democrático, uma das legendas da base de apoio de Rousseff. Já a Intersindical desclassificou o ato desta sexta-feira. “Ao invés de organizarem de fato uma luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora, estão mais preocupados em defender o governo”, declarou a Intersindical A entidade é ligada a partidos de esquerda como o PSOL e o PSTU.

A outra confederação contrária ao ato de sexta-feira é a Força Sindical, que apoiou o Governo Dilma no seu primeiro mandato, e se afastou por discordar das suas propostas até romper com a presidenta. Ao criar um partido eleitoral no ano passado, o Solidariedade, a Força passou a se posicionar de forma ainda mais contundente ao lado de líderes da oposição à Rousseff, entre eles o senador Aécio Neves (PSDB). O Solidariedade, por exemplo, já está com uma petição online que pede o impeachment da presidenta e disse que vai ceder três caminhões de som para o protesto de domingo, contrário ao Governo.

Líder do MST é ameaçado de morte

Sindicatos e movimentos sociais promovem ato pró-democracia

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-terra, João Pedro Stedile, recebeu uma ameaça de morte pela internet. Desde a manhã desta quinta-feira, circula nas redes sociais um cartaz com os dizeres “Procurado, vivo ou morto”. O falso cartaz com o mesmo padrão dos produzidos pelo Disque-Denúncia do Rio de Janeiro, é oferecida uma recompensa de 10.000 reais para quem passar informações.

Em sua página oficial, o MST afirmou que há indícios de uma ação criminosa promovida por pessoas que “destilam ódio contra os movimentos populares, migrantes, petistas e agora, especialmente, contra a presidenta Dilma Rousseff.” A entidade afirmou ainda que essas mesmas pessoas “deixam-se levar por instintos golpistas, embalados pelo apoio e a conivência da mídia conservadora e antidemocrática”.

O movimento informou que tomou as providências junto as autoridades e espera que os autores do cartaz sejam responsabilizados pelo crime de incitação ao homicídio.

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