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Aécio aproveita o último debate para explorar os pontos fracos de Dilma

A presidenta se defende dos questionamentos sobre mensalão e Petrobras e afirma que as acusações da Veja são eleitoreiras e desaparecerão na segunda-feira

Aécio Neves e Dilma Rousseff, no último debate.
Aécio Neves e Dilma Rousseff, no último debate. EFE

O tucano Aécio Neves aproveitou o debate da TV Globo, o último espaço de embate eleitoral antes das eleições deste domingo, para atacar a presidenta Dilma Rousseff (PT) em temas que se tornaram o calcanhar de Aquiles do PT: o mensalão, os desvios na Petrobras e a inflação. Rousseff, que apareceu mais hesitante neste debate do que nos últimos dois, se defendeu das denúncias, que chamou de “eleitoreiras”, e atacou a gestão do PSDB em Minas Gerais e em São Paulo, Estado que atualmente enfrenta uma enorme crise hídrica.

Neves, que se mostrou mais incisivo no debate, abriu o programa citando a reportagem da revista Veja, publicada nesta sexta-feira, que traz o suposto depoimento do doleiro Alberto Youssef, um dos acusados de liderar o esquema de corrupção na Petrobras. Segundo a revista, ele afirmou em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público que tanto a presidenta como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam das irregularidades ocorridas na empresa.

“É um golpe eleitoral”, afirmou Rousseff. “O povo não é bobo, sabe que esta informação está sendo manipulada porque não há nenhuma prova. Acredito que depois de segunda-feira ela vai desaparecer”, disse ela, que completou dizendo que tomará as medidas judiciais cabíveis contra a revista, como já havia afirmado em seu programa eleitoral desta sexta-feira, em que abordou as denúncias da revista.

No meio do debate, ele também citou o mensalão e questionou a candidata se ela acredita que os membros do partido condenados foram punidos adequadamente.

Rousseff não respondeu, mas questionou os motivos que levaram o mensalão tucano a não ter sido julgado. E acusou o PSDB de deixar que os casos de corrupção dos governos do partido prescrevessem para não passarem por julgamento. Neves, entretanto, tentou reforçar a imagem de que o partido da presidenta é o mais ligado aos casos de corrupção, estratégia que vem usando durante toda a campanha, e afirmou: “Para acabar com a corrupção é preciso tirar o PT do Governo”.

A presidenta, por sua vez, questionou novamente a não aplicação do mínimo exigido pela Constituição das verbas da saúde e da educação durante a gestão de Neves como governador de Minas Gerais e usou a crise hídrica de São Paulo para questionar a capacidade de gestão tucana. “Teve falta de planejamento em São Paulo, candidato?”. “Não planejar no maior Estado do país é uma vergonha. O Nordeste teve o mesmo problema [de falta de chuvas] e não enfrenta a mesma situação”. Ela citou ainda um bordão usado pelo colunista de humor do jornal Folha de S.Paulo, José Simão, para dizer que o Estado precisaria do programa “Meu banho, minha Vida” – hashtag que entrou para os Trending Topics do Twitter.

Neves trouxe ainda para o debate questionamentos sobre o investimento de 2 bilhões de dólares do Brasil no porto de Mariel, em Cuba, e a alta da inflação durante o Governo de Rousseff.

Em um debate que atingiu pico de 38 pontos no Ibope, algo parecido com o que registram as novelas do horário nobre, a discussão de propostas só foi garantida pela participação de eleitores indecisos, presentes no estúdio. Eles questionaram sobre os projetos para moradia, geração de emprego, e das políticas para a juventude.

Rousseff aproveitou suas considerações finais para afirmar seus compromissos com as mulheres, os negros e os jovens. “Nós que lutamos tanto para melhorar de vida não vamos permitir que nada, nem ninguém, tire isso de você”. Já Neves voltou a defender a mudança e se disse honrado pela confiança recebida de seus apoiadores. “Travei um bom combate, jamais perdi a esperança e não perdi a fé”.

As duas últimas pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, a três dias do segundo turno das eleições presidenciais, dão vitória à candidata Dilma Rousseff, com uma diferença que chega a até oito pontos percentuais.

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