Malásia investiga possível atentado no sumiço do avião rumo a Pequim

As autoridades investigam quatro passageiros cujas identidades são suspeitas

Una frota internacional de barcos e aviões busca a aeronave desaparecida com 239 pessoas

Orações pelos desaparecidos no aeroporto de Kuala Lumpur. / E. SU (Reuters)

O Governo da Malásia colocou em marcha uma investigação sobre a possibilidade de que um ato terrorista seja a causa do desaparecimento na madrugada de sábado de um avião da companhia Malaysia Airlines, com 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo, pouco menos de uma hora após decolar de Kuala Lumpur com destino a Pequim. Ao menos dois passageiros viajavam com passaportes roubados.Uma frota internacional, composta por 40 barcos e 22 aviões, continua pairando as águas e os céus entre a costa do Vietnã e da Malásia, em busca do avião, mas até agora não se confirma que restos foram encontrados.

As forças aéreas da Malásia asseguraram neste domingo que os registros de radar militares indicam que o avião –que não emitiu nenhum sinal de alarme antes de desaparecer- deu meia volta à rota prevista, algo que os pilotos deveriam ter informado aos controladores aéreos e a linha aérea e não fizeram. Isso fez com que a zona de busca se expandisse para a costa ocidental da Malásia, do outro lado do país em relação a onde se supunha que o avião teria desaparecido. “Existe uma clara possiblidade de que o avião deu meia volta, desviando-se da sua rota”, afirmou o chefe da força aérea, o general Rodzali Daud, que citou dados dos radares do exército, segundo a Associated Press. Daud assegurou que, em algumas partes, esta linha de investigação foi confirmada pelo radar civil. Ahmad Jauhari Yahya, conselheiro delegado da Malaysia Airlines, disse, entretanto, que esta manobra teria disparado alarmes da aeronave, um Boeing B777-200 de onze anos de idade.

As autoridades asseguram que estão investigando todas as possibilidades, incluído um possível atentado terrorista, em particular, porque o avião não emitiu nenhum sinal de alarme antes que o contato com ele fosse perdido e também porque se comprovou que dois passageiros voavam com passaportes roubados. “Não descartamos nenhuma possibilidade”, disse Jauhari Yahya, conselheiro da linha aérea. O ministro dos Transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein, assegurou que as autoridades estão pesquisando quatro possíveis casos de identidade suspeita, e disse que os serviços de inteligência estão em contato com os de outros países, incluído o FBI norte-americano.“Todas as unidades antiterroristas de todos os países implicados estão recebendo informações atualizadas”, explicou. As imagens das câmeras de segurança estão sendo analisadas.

Não está descartada a conexão com o extremismo uigur, minoria muçulmana da região chinesa de Xinjiang. Vários uigures foram deportados da Malásia para a China em 2011 e 2012 por levar passaportes falsos e participar de uma rede de tráfico humano. Azharuddin Abdul Rahman, diretor de Aviação Civil da Malásia, afirmou que cinco passageiros que tinham passagem não se apresentaram no embarque e seus equipamentos foram retirados do avião. Até o momento não houve reivindicação de sabotagem.

A lista de embarque divulgada pela Malaysia Airlines inclui os nomes de um italiano, Luigi Maraldi, e de um austríaco, Christian Kozel, que, na verdade, não estavam no voo. O Ministério das Relações Exteriores da Áustria afirmou que a polícia localizou o homem são e salvo em sua casa, e que o passaporte foi roubado há dois anos quando ele viajou à Tailândia. O Ministério das Relações Exteriores de Roma, por sua vez, assegurou que nenhum italiano viajava no avião desaparecido. A mãe de Maraldi confirmou à agência Reuters que ele perdeu seu passaporte e provavelmente foi roubado, no ano passado, também na Tailândia. No avião –um Boeing 777-200-, estavam 227 passageiros de 14 nacionalidades; a maioria deles da China (153), seguidos de 38 da Malásia e sete da Indonésia.

Fontes anônimas do serviço de inteligência dos Estados Unidos afirmaram ao NYTimes que estão investigando o roubo dos passaportes e a lista de passageiros, mas advertiram que as identidades falsas são utilizado a miúdo por traficantes e imigrantes ilegais. “Por ora não identificamos isso como um ato de terrorismo”, disse a fonte. Um fucionário do Governo norte-americano assegurou também ao jornal que o Pentágono revisou os dados de um sistema que detecta flashes pelo mundo na zona em que o avião despareceu e não encontrou indícios de uma explosão.

No sábado foram descobertas duas grandes manchas de óleo no mar –cada uma com cerca de 10 a 15 quilômetros de extensão-, o que poderia indicar que o avião -um Boeing B777-200 de 11 anos- tenha explodido. O Governo malaio não confirmou se essas manchas têm relação com a aeronave (voo MH370) desaparecida, mas disse que elas se encaixam com o tipo de manchas que seriam produzidas pelos dois tanques do avião.

Quinze aviões, seis barcos militares e três da guarda costeira da Malásia fazem parte dos trabalhos de busca. O Vietnã enviou dois barcos, dois aviões e um helicóptero, enquanto preparam seis aviões e mais nove barcos para reforçar a busca. A China e as Filipinas também enviaram barcos ao local. Os Estados Unidos mobilizou um navio de guerra e um avião radar, e Cingapura, um avião e um submarino.

O desaparecimento do avião é especialmente misterioso porque ocorreu depois de um bom tempo de voo e, segundo os indícios, quando a aeronave já alcançava uma altura de cruzeiro, a mais de 10.000 metros de altitude, e não durante as fases de decolagem e aterrissagem, que são as mais perigosas. Só 9% dos acidentes mortais de aviação ocorrem quando o avião se encontra em altitude de cruzeiro, segundo a Boeing. A falta de um sinal de alarme pode indicar que o problema que sofrido pela aeronave foi tão repentino que os pilotos não tiveram tempo do comunicar, ou algo os impediu o fazê-lo.

Segundo John Goglia, um antigo membro do Conselho de Segurança do Transporte Nacional (NTSB em inglês) dos Estados Unidos -o comitê que pesquisa os acidentes aéreos-, a falta de um aviso de emergência sugere que o avião teve uma descompressão explosiva ou foi destruído por um dispositivo explosivo, informa a Reuters. Goglia acha que a existência de passageiros com identidade falsa aponta para a possibilidade de uma bomba.

Não está claro como pessoas com passaportes que não eram delas conseguiram subir no avião. A polícia internacional Interpol tem um banco de dados com mais de 39 milhões de documentos de viagem e que 166 países informam os que foram roubados ou perdidos, o que permite à polícia e aos agentes de imigração comprovarem a validade de um passaporte em segundos. A polícia italiana assegura que a perda do passaporte de Luigi Maraldi foi denunciada no dia 1 de agosto de 2013, e que foi registrada nos bancos de dados de Interpol.

A quantidade de tempo necessária para encontrar um avião que cai no mar pode variar muito. Os aparelhos que explodem em águas não muito profundas, como as situadas na costa do Vietnã, são  mais fáceis de localizar e recuperar que aqueles que caem entre cadeias montanhosas ou no oceano profundo.

Uma vez localizado, a prioridade será recuperar as caixas pretas, onde estão registradas as conversas dos pilotos. Estes dispositivos vão equipados com emissores de ultrassom que, com boas condições, podem ser detectados a centenas de quilômetros de distância.

O voo MH370, operado em código partilhado com a companhia chinesa Southern Airlines, decolou da capital da Malásia às 00h41, hora local do sábado, e tinha previsão de aterrissar na capital chinesa às 6h30 do mesmo dia (horário local). O último contato dos controladores aéreos com o aparelho ocorreu a 120 milhas náuticas (228 quilômetros) da cidade costeira de Kota Bharu (Malásia), já em espaço aéreo do Vietnã. O controle aéreo do Vietnã nunca chegou a ter sinal do avião.

O Conselho de Segurança do Transporte Nacional norte-americano enviou uma equipe para ajudar na investigação, acompanhada de especialistas da Administração Federal da Aviação dos Estados Unidos e da Boeing.

A tragédia do Boeing 777 lembra ao caso do voo 447 da Air France que desapareceu no Atlântico no dia 1 de junho de 2009, depois de partir do Rio de Janeiro em direção a Paris. O A-330, com 228 pessoas a bordo, explodiu e afundou em águas muito profundas. Levou quase dois anos para que se recuperasse a parte principal da funilaria e as caixas pretas, que estavam a uma profundidade de 4.000 metros. A aeronave explodiu por uma série de falhas mecânicas e dos pilotos.

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