O que promete a próxima Bienal de Arquitetura de São Paulo

A diretoria do IABsp propõe ampliar ainda mais o caráter da bienal como evento promotor de uma cultura urbana e arquitetônica democrática

Ariel Martini
Fernando Túlio Gabriela Matos Sabrina Fontenele

Ao mesmo tempo em que cidades ao redor do mundo desenvolvem experiências de gestão urbana que aprofundam a democracia, assistimos a um contexto global de escaladas autoritárias. É diante dessa realidade que o IABsp anuncia seu novo modelo para a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

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A mudança de abordagem começou na 10ª edição do evento, em 2013, quando a bienal ocorreu ao mesmo tempo em diversos equipamentos culturais e institucionais distribuídos nas imediações da rede de transporte público. Até então, e desde a primeira edição em 1973, a mostra ocorreu no Parque Ibirapuera, quase que exclusivamente no Pavilhão da Bienal.

Uma nova mudança foi testada na 12ª Bienal, realizada entre setembro e dezembro de 2019. A seleção da curadoria foi decidida por um júri internacional, com a escolha de um tema cujo enfoque foram os usos cotidianos nos espaços urbanos e arquitetônicos. Parte significativa dos projetos e trabalhos expostos nesta última bienal também foram escolhidos por meio de uma chamada aberta. Esse novo modelo de gestão busca engajar não somente a classe de arquitetos, mas a sociedade como um todo, em uma reflexão contínua.

Agora, com a chapa de continuidade da atual gestão reeleita para o próximo triênio, a diretoria do IABsp propõe ampliar ainda mais o caráter da bienal como evento promotor de uma cultura urbana e arquitetônica democrática, que tenha como norte melhorar as condições de vida nas cidades, especialmente as de quem mais precisa. Com esse objetivo, propõe um modelo replicável, a ser usado nas próximas cinco edições (2021-2031).

O recorte territorial terá dois enfoques prioritários. Um centralizado, em equipamentos culturais e espaços públicos no eixo da avenida Paulista. Outro disperso, formando uma rede de equipamentos nas periferias próximos a projetos de transformação urbana e ambiental em curso, conduzidos em diálogo com as comunidades locais. Nesses equipamentos ocorrerão exposições, debates e atividades para envolver as diferentes populações da cidade. O objetivo é que o evento acolha a diversidade regional, cultural, de práticas profissionais, de escala, de linguagens, e de autores em função do gênero e raça.

Uma série de encontros ocorrerão nos primeiros meses de 2020 para debater e consolidar o edital do concurso de curadoria, em que constarão os temas a serem investigados no evento e as parcerias previamente firmadas com universidades, instituições culturais e movimentos sociais, a serem ampliadas a cada ano. Permanecem as chamadas abertas para selecionar projetos, atividades e intervenções urbanas vinculadas à bienal. O que se busca é reunir um conjunto de propostas que abordem problemas urgentes relacionados aos diferentes modos de vida nas cidades e alternativas possíveis que contemplem tanto questões estruturais como abordagens simbólicas e táticas.

O processo que começa agora em 2020 visa criar e fortalecer uma rede de colaboração reunida em torno de um pacto social de compartilhamento de projetos, narrativas, experiências e ferramentas de compreensão e a transformação do ambiente e da cultura urbana.

Fernando Túlio, presidente, Gabriela Matos, vice-presidente e Sabrina Fontenele, diretora de cultura do Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento São Paulo (gestão 2020-22)

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