‘Playboy’ lança “edição especial da igualdade” e tira a roupa de ex-modelos de até 77 anos

Nova edição da histórica publicação de Hugh Hefner recupera cinco ‘playmates’ que posaram durante cinco décadas para a revista, num ensaio que busca homenagear a beleza e sensualidade de todas as idades

Brande Roderick, Candace Collins, Victoria Valentino, Reneé Tenison e Raquel Pomplun, as cinco modelos de diferentes décadas que voltam à 'Playboy' em uma imagem publicada no Twitter oficial da revista.
Brande Roderick, Candace Collins, Victoria Valentino, Reneé Tenison e Raquel Pomplun, as cinco modelos de diferentes décadas que voltam à 'Playboy' em uma imagem publicada no Twitter oficial da revista.Nadie Lee Cohen / Twitter Playboy

Um número especial sobre a igualdade na Playboy, uma revista famosa pelas mulheres nuas na sua capa? A discussão é tão antiga quanto a própria revista (que nasceu em 1953 com um famosíssimo número cuja capa trazia Marilyn Monroe sem roupa). Um setor opinará que é um título que sempre explorou sexualmente as mulheres para construir um império milionário; outro dirá que nos anos sessenta ela estabeleceu o modelo de uma mulher que não estava mais na cozinha, e sim reivindicando sua própria identidade sexual. O fato é que, junto a ensaios fotográficos de nu explícito, de bom ou mau gosto segundo os olhos que os vejam, nas páginas da Playboy foram publicadas fantásticas entrevistas com ícones culturais como Miles Davis, Stanley Kubrick, Bette Davis, Yoko Ono e Martin Luther King, e a publicação inspirou ensaios interessantes, como Pornotopia, do Paul B. Preciado.

A criação de Hugh Hefner, que morreu em 2017, sofreu alguns tombos nos últimos anos (os nus desapareceram em outubro de 2015, mas voltaram um ano depois, por causa da queda nas vendas). O novo golpe de efeito da revista é o primeiro “especial igualdade” da sua história, que estará disponível nas bancas a partir de 17 de dezembro. Essa edição recuperara ex-playmates legendárias diante das lentes da fotógrafa Nadie Lee Cohen. Playmate é o nome dado às garotas que posam em suas páginas, e que não deve ser confundido com as “coelhinhas”, que são as mulheres que trabalham nos clubes que a revista mantém em várias cidades do mundo, ostentando as famosas orelhas como parte do uniforme.

Especificamente, são cinco mulheres que posaram na revista numa faixa temporal que vai de 1963 a 2012. A mais idosa é Victoria Valentino, de 77 anos, que foi capa em 1963, aos 20, e ultimamente teve uma indesejada notoriedade por ser uma das 46 mulheres que acusaram Bill Cosby de abuso sexual.

Torna-se assim a mulher mais idosa a posar para a Playboy (recorde que até fevereiro de 2018 cabia a Jane Seymour, a famosa Doutora Queen, que posou aos 67). Victoria Valentino não aparece completamente nua. Esse é o caso de Candance Collins Jordan, de 62, que no entanto cobre os seios com um braço. Ela foi playmate aos 22 anos, em 1979.

Reneé Tenison, de 51 anos, capa da publicação em 1979, aos 22, se atreve a posar em topless, assim como Brande Roderick, de 45, capa em 2000 aos 25. A mais jovem é Raquel Pomplun, de 32 anos, que foi capa em 2012, aos 24, e agora posa completamente nua (a única do grupo).

A revista defende que este ensaio fotográfico, intitulado Uma vez playmate, playmate para sempre, busca "humanizar esse conceito", mostrando que as playmates evoluem, envelhecem e mudam. "Em 2020 a noção de positividade sexual encontrou um novo entusiasmo entre mulheres jovens que acreditam que a verdadeira autonomia de seus corpos significa ter o direito de desfrutar e participar do que alguma vez se qualificou como ser mulher-objeto", escreve a colunista Jamilah Lemieux no texto que acompanha o ensaio.

“Em 2020 a noção de positividade sexual encontrou um novo entusiasmo entre mulheres jovens que acreditam que a verdadeira autonomia de seus corpos significa ter o direito de desfrutar e participar do que alguma vez se qualificou como ser mulher-objeto.”

"O sexy é mais complicado que o belo e historicamente causa divisão entre as feministas", acrescenta. "Alguns ainda consideram que o trabalho sexual e o nu são irredimíveis e misóginos, postulando que o olhar masculino é inextricável nestas instituições inclusive se forem propriedade de mulheres. Outros sentem que a capacidade de existir nesses espaços é essencial, ou ao menos é uma opção necessária para nós."

O debate é tão fascinante como as imagens, que gerarão novamente um debate sobre se Playboy é ou não rançosa e machista. Mas, pelo menos, elas dão um passo à frente ao mostrar, numa revista que sempre celebrou a juventude, mulheres que beiram os oitenta anos.

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