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Futebol feminino descobre o VAR

No primeiro torneio de mulheres com videoarbitragem haverá árbitras no campo e árbitros na frente das telas

Uma tela indica uma decisão arbitral mediante o VAR.
Uma tela indica uma decisão arbitral mediante o VAR. REUTERS

Descobrir o VAR em uma Copa do Mundo. As 24 seleções também jogarão diante da tela. O torneio que acontece na França é a primeira competição feminina que testará a videoarbitragem. Nenhuma liga nacional do mundo teve acesso à tecnologia e, no caso da Liga Iberdrola [o campeonato espanhol feminino], ela tampouco está prevista para a próxima temporada. Assim, para as jogadoras espanholas e suas adversárias, o grande torneio de futebol coincide com seu batismo na maior revolução dos últimos anos.

Para prepará-las, o presidente do Comitê Técnico de Arbitragem (CTA), Carlos Velasco Carballo, deu há dois meses um curso rápido de uma hora às futebolistas espanholas. Durante a palestra, Velasco explicou o funcionamento do VAR e seus protocolos de ação, e até sugeriu algum truque, como cobrar rapidamente o tiro de meta antes de dar tempo para rever a jogada anterior no caso de as jogadoras pensarem que a visualização do grande irmão possa prejudicá-las. “Velasco nos disse o que podemos e o que não podemos fazer”, explica a atacante Mariona Caldentey; “por exemplo, podemos receber um cartão se fizermos o gesto de pedir o VAR. Ele também nos disse para não pressionarmos muito o árbitro porque as jogadas já são revistas na sala, para que não fiquemos loucas com isso, mas aprendamos como funciona, e que pensemos também que com o VAR pode haver 10 minutos de acréscimo quando o jogo tiver mais interrupções. É justo que tenhamos essa tecnologia.”

Velasco está na França como instrutor da FIFA. No gramado, 26 árbitras apitarão, nenhuma delas espanhola. Nos controles do VAR haverá 15 árbitros, entre eles Carlos Del Cerro Grande e José María Sánchez Martínez. Mulheres no campo e homens diante do monitor. A falta de trios de arbitragem compostos por espanholas no grupo de elite, o que pode apitar em torneios como esse, provoca essa ausência de representação feminina nacional entre os juízes. Marta Huertas e María Dolores Martínez estão no segundo grupo. E enquanto na Alemanha (Bibiana Steinhaus) e França (Stéphanie Frappart) já estrearam na primeira divisão, na Espanha não há nenhuma árbitra ou bandeirinha na categoria máxima, e apenas duas bandeirinhas na segunda divisão.

April Heinrichs, diretora do Grupo de Estudos Técnicos da FIFA nesta Copa do Mundo (foi capitã dos EUA na primeira, em 1991, vencida pela equipe norte-americana, e primeira mulher no Hall da Fama do Futebol de seu país), também analisa o impacto do VAR: “Como regra geral, em cada Copa entre cinco e 10 gols são duvidosos. Agora acertaremos em todos. Por outro lado, e embora não seja habitual no futebol feminino fingir ou simular em alguma jogada, a honestidade das jogadoras prevalecerá com o VAR. É um sistema que incentiva o espírito esportivo”. Ela também aponta para uma mudança no padrão de jogo que pode afetar a arbitragem: “Acredito esta que será a Copa do Mundo feminina mais rápida da história nas transições da defesa para o ataque e na passagem da posse à perda da bola. Mais razões para contar a ajuda do VAR”.

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