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Louvre fecha as portas devido a licenças em massa dos funcionários

Guardas do museu parisiense estão ficando esgotados devido à falta de recursos e reforços.

Eles não conseguem atender aos mais de 10 milhões de visitantes por ano

Museo del Louvre
Visitantes do Louvre tiram fotos da ‘Mona Lisa’, em 3 de dezembro. REUTERS

O museu de maior sucesso no mundo fecha suas portas devido ao excesso de público. Os guardas do Louvre não aguentam mais. O crescimento das visitas está acabando com a sua saúde, e as licenças por esgotamento foram tão numerosas depois do último fim de semana que a direção do museu parisiense comunicou, de maneira inesperada, o fechamento nesta segunda-feira. O centro se desculpa com quem tinha visitas programadas e informa que os ingressos já vendidos serão reembolsados. Além disso, avisa que o fluxo previsto para os próximos dias, depois deste intervalo, será muito maior do que habitual, por isso só está garantido o acesso a quem fizer reserva pelo site.

Com esta licença em massa, os funcionários querem denunciar os problemas em sua jornada trabalhista, segundo o sindicato SUD Culture Solidaires. “O Louvre se asfixia”, diz seu comunicado. “O pessoal nota uma deterioração sem precedentes das condições de visita e de trabalho”, acrescenta, apontando como responsáveis por isso o aumento de visitantes e a falta de gasto para reforçar o pessoal. O sindicato diz ainda que, apesar de o público ter crescido em mais de 20% desde 2009, o investimento em pessoal não acompanhou. “Os agentes decidiram exercer seu direito à licença e se instalar na administração do museu para gritar seu descontentamento”, segundo o sindicato. O Louvre comunicou o fechamento “sem mais comentários por enquanto”.

Em 2018, o Louvre obteve um recorde histórico de visitas: 10,2 milhões de pessoas. Com essa cifra, o museu cresceu 25% com relação ao ano anterior, ou seja, um visitante entra a cada dois segundos, e a cada dia mais de 20.000 pessoas passam pelas catracas para ver obras como La Gioconda (ou Mona Lisa), de Leonardo da Vinci. Especialistas ouvidos pelo EL PAÍS no ano passado já advertiam para um efeito perigoso e insustentável perante a massificação das instituições. O ocorrido nesta segunda-feira é um fato sem precedentes na corrida para atrair multidões.

Avalanche de popularidade

Nunca nenhum outro museu havia conseguido jamais superar os 10 milhões de pessoas. Entre os fatores que possibilitaram essa cifra se encontram a melhora do turismo na França (depois dos atentados de 2015) e a expansão do museu para novos públicos, graças ao videoclipe de Beyoncé e Jay-Z gravado no Louvre e visto por mais de 150 milhões de pessoas. Na sua entrevista de 2018, o presidente do museu, Jean-Luc Martinez, disse que o ano passado havia sido “marcante para a reputação do Louvre”, porque tanto o clipe como a abertura da filial do museu em Abu Dhabi fizeram do Louvre um destino mais atraente. “Uma das consequências é esta espetacular melhora das visitas em 2018”, disse Martínez na ocasião. A outra razão acaba de ser conhecida nesta segunda: o patrimônio resiste como pode; seus profissionais, não.

As críticas ao fechamento apontam para um número insuficiente de vigilantes, e as partes envolvidas exigem do Ministério da Cultura que contrate mais pessoal para atender os milhões de visitantes. Desde sua nomeação em 2014, o presidente do Louvre investiu cerca de 270 milhões de reais na melhora dos acessos, na redução das filas e em acelerar as entradas e saídas do recinto, além de fomentar a venda on-line. Um em cada três visitantes compra sua entrada para o museu pela Internet. Entretanto, os funcionários reivindicam mais atenção e investimento na presença de vigilantes, sobretudo nas salas, levando em conta que o aumento de 2,2 milhões no número de visitantes em 2018 se refletiu em um faturamento adicional de mais de 15 milhões de euros (quase 68 milhões de reais). Atualmente, 50% do orçamento do museu procede dos cofres públicos.

Para os especialistas ouvidos por este jornal, o sucesso de um museu não depende do volume de público, mas sim de oferecer uma experiência gratificante. Para isso, é necessária uma organização rigorosa na previsão de visitas, para evitar a massificação e suas consequências. Uma das conclusões do relatório A Experiência da Visita ao Museu (2013), produzido pelo Ministério de Cultura da Espanha, é que os museus devem se situar além das cifras, porque se um grande número de visitantes passar pela exposição sem aprender nada “é um fracasso”. A especialista Eloísa Pérez Santos, pesquisadora de públicos em museus e exposições, já advertiu que os museus lotados resultam em uma experiência estressante. Para o público e para os vigilantes.

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