Christine Lagarde

Christine Lagarde: “É possível ser feliz física e sexualmente com 50 anos e mais”

A diretora-gerente do FMI, de 63 anos, responde ao escritor Yann Moix, que se declarou incapaz de amar mulheres maduras

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em Buenos Aires durante uma entrevista.
A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em Buenos Aires durante uma entrevista.Gustavo Bosco

No início do ano, declarações do escritor francês Yann Moix à revista Marie-Claire provocaram uma tempestade de críticas. O autor de 51 anos, vencedor do prestigioso prêmio Renaudaut em 2013, se declarou incapaz de amar uma mulher da sua idade ou mais, tendo o físico como argumento. "O corpo de uma mulher de 25 anos é extraordinário. O corpo de uma mulher de 50 anos não é extraordinário em absoluto", disse.

Suas palavras ecoaram fortemente, mesmo além das fronteiras francesas. A ex-primeira dama Valérie Trierweiler, ex-mulher de François Hollande, foi um dos mais explícitas ao dedicar a Moix nas redes sociais uma capa do semanário Charlie Hebdo com as palavras "Foda-se o macho". Quase cinco meses depois da controvérsia, a revista Elle perguntou à diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, se estava a par da grosseria de Moix. Foi meu marido que me contou. E sua reação foi dizer: 'Minha mulher tem 63 anos, ela me faz totalmente feliz e eu a acho sublime'. Muita gente lhe deu razão."

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Lagarde, a terceira mulher mais poderosa do planeta, depois da chanceler alemã, Angela Merkel, e da primeira-ministra britânica, Theresa May, segundo a revista Forbes, defendeu a plenitude vital das mulheres que passam dos 50 anos. "Você pode ser extremamente feliz em todas as áreas: mental, física e sexual, com 50 anos e muito além."

A dirigente francesa, casada e divorciada duas vezes, tem dois filhos de seu primeiro casamento. Desde 2006 ela está com o empresário corso Xavier Giocanti, dedicado ao setor imobiliário, um velho amigo da Universidade de Nanterre com quem se reencontrou em Marselha em 2006, durante uma reunião com empresários quando era ministra do Governo de Nicolas Sarkozy.

Apesar da enxurrada de críticas por seu comentário, qualificado de machista, Yann Moix não recuou. O romancista diz não se sentir orgulhoso de sentir atração somente por mulheres jovens. "Vivo isso mais como uma maldição, não somos responsáveis por nossos gostos", argumenta. E situa seus críticos como membros de um "tribunal de bom gosto".

Moix afirma que suas preferências não infringem nenhuma lei, e fez uma provocação diante da avalanche de recriminações. "Deveria ter dito que prefiro meninas de 23 anos, porque as de 25 anos me parecem um pouco velhas, na realidade, aliás, melhor de 19", ironizou.