Esta não é uma série sobre Versace

Destaque no Globo de Ouro 2019, 'American Crime Story: O assassinato de Gianni Versace' é a história de um assassino em série

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O sujeito do título da série deixa claro, por isso não se sinta enganado. O Assassinato de Gianni Versace não está interessada na vida e no trabalho do costureiro italiano, mas em sua morte. A segunda temporada de American Crime Story, que estreou no Brasil na FX (e que a Netflix vai transmitir a partir do próximo dia 17), não tem nada a ver com passarelas. Este thriller, indicado a quatro prêmios no Globo de Ouro 2019, se livra do glamour para compreender a patologia de seu assassino, o serial killer Andrew Cunanan. Um retrato da loucura e da obsessão que também mergulha em um contexto complicado: o que significa ser homossexual nos anos 90?

A estratégia vai na esteira desta antologia em sua primeira temporada, que usou o crime do esportista O. J. Simpson para narrar um drama judicial cujo objetivo era compreender delitos não penalizados, como o machismo e o sensacionalismo da mídia, e não focar tanto na figura do famoso protagonista. Ryan Murphy e sua equipe voltam a participar de um caso conhecido para questionar os crimes que corroem a sociedade, a homofobia e o preconceito de classe.

Mas esta reinvenção da série revelação de 2016 não só luta contra as expectativas no fundo, mas também na forma. Sua tortuosa (e, às vezes, enganosa) estrutura voltará ao tempo em cada capítulo para descobrir um novo crime, outra mentira, na vida obscura de Cunanan. Em pequenas doses, esta true crime desvendará seus assassinatos e suas motivações em detalhes. Sua história pertence mais ao surpreendente Darren Criss do que a Édgar Ramírez, Penélope Cruz e Ricky Martin, meros coadjuvantes sem arestas nem padrão duplo (na verdade, não dá para entender por que Donatella se ofendeu tanto).

Uma história nada desprezível, mas cuja coragem é uma das razões pelas quais a série passou despercebida nos Estados Unidos, perdendo mais da metade dos telespectadores. Afinal, o jogador de futebol era um mito da história da televisão e Versace não ocupa esse espaço no subconsciente coletivo. Pouco importa. Esta não é sua história. Cunanan finalmente alcançou seu objetivo macabro: não ser esquecido. Hoje tem sua história, escabrosa, complicada e relevante. Que é o que nos atrai em um serial killer ...

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