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Morre a cantora María Dolores Pradera aos 93 anos

Intérprete de músicas que tornou muito populares, conquistou enorme fama e reconhecimento na Espanha e América Latina

María Dores Pradera, em imagem de 2012.

A cantora e atriz espanhola María Dolores Pradera (Madri, 1924) faleceu na segunda-feira em sua cidade natal aos 93 anos, confirmaram ao EL PAÍS fontes da família da artista. Com uma trajetória profissional de mais de sete décadas, de pé nos palcos até quase os 90 anos, María Dolores Fernández Pradera conquistou grande celebridade como difusora da canção espanhola e da música da América Latina. Com um repertório de canções de ontem e de sempre, fados, coplas, rancheras, baladas e boleros, se tornou famosíssima pela elegante interpretação com sua voz grave de músicas como Amarraditos, Pa’ todo el Año, Procuro Olvidarte e, principalmente, La Flor de la Canela.

Conhecida especialmente por seu lado musical, que desenvolveu de forma exclusiva a partir dos anos setenta, também foi, entretanto, uma estrela do teatro desde sua juventude. A madrilenha combinou os dois talentos sobre os palcos, em que representava cada uma de suas canções. Mulher de humor fino e irônico, participou também de mais de vinte filmes e foi casada, entre 1945 e 1957, com o ator Fernando Fernán Gómez, com quem teve dois filhos, Fernando e Helena.

Após a confirmação do falecimento de María Dolores Pradera, a também cantora Rosa León, produtora de quatro de seus discos e amiga, a lembrou como uma “cantora sensacional e uma magnífica atriz, que teve uma vida maravilhosa”. “Isso é o que o mundo sabia, mas também era inteligentíssima e tinha um grande senso de humor que a fazia rir das coisas mais solenes, como o fato de a chamarem de a grande senhora da canção”, disse ao EL PAÍS.

Seu último disco foi de duetos, lançado em 2012, Gracias a Vosotros, em que cantou as músicas mais conhecidas de seu repertório com cantores de diversas gerações que a homenagearam, como Juan Manuel Serrat, Joaquín Sabina, Ana Belén, Diego El Cigala, Miguel Poveda e Pablo Alborán. Sempre sensível ao que acontecia ao seu redor, disse à época, sobre a complicada situação econômica da Espanha, que “esses tempos ruins aos artistas não durarão porque sempre haverá música, sem ela a vida seria ainda mais triste”. No pessoal, havia se recuperado de problemas respiratórios que a obrigaram, em maio desse mesmo ano, a suspender a que foi sua última turnê.

Entre seus álbuns anteriores se destaca o que lançou em 2001 em homenagem ao cantor de Granada (Espanha) Carlos Cano, amigo de Pradera, falecido um ano antes.

Pradera, ao longo de sua carreira, recebeu mais de 30 discos de ouro e tinha, entre outros galardões, o Prêmio Nacional de Teatro, a Medalha de Ouro das Belas Artes, a Medalha do Mérito ao Trabalho, a Medalha de Madri ao Mérito Artístico, um Grammy Latino à Excelência Musical, o Prêmio Ondas por sua trajetória musical e a Grande Cruz de Alfonso X o Sábio, distinção recebida em outubro de 2016.

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