Seleccione Edição
Login

Um atlas da beleza para defender a diversidade feminina

“Quero homenagear todas as mulheres do mundo. E mostrar que não há nenhum ‘mas’ na sua beleza”, diz a autora do livro

  • Mihaela Noroc (Bucareste, 1985) cresceu rodeada dos quadros de seu pai, pintor de profissão. Apesar de ter optado por se expressar com uma câmera fotográfica, a diversidade de cores vista nas telas que lhe acompanharam durante a infância marcou suas necessidades vitais. Em 2013, viajando pelo mundo como mochileira, percebeu que muitos países são mais complexos do que imaginamos à primeira vista. Decidiu registrar isso através dos rostos femininos que ia encontrando pelo caminho.  O fruto dessa viagem fotográfica se concentra no livro Atlas of Beauty (Atlas da beleza). Nele, Noroc reúne 500 imagens dos mais de 2.000 retratos femininos registrados em suas visitas a 50 países. Cada fotografia é acompanhada da história que se esconde por trás dela.  Esta imagem foi clicada no rio Ganges, em Varanasi (Índia). "É um lugar sagrado para o hinduísmo. Lá vi esta jovem peregrina preparando-se para a oferenda. A luz da manhã era perfeita, e seu rosto sereno era como de outro mundo. Eu estava tão vinculada a esse momento mágico que entrei no rio vestida para fazer a foto. Pedi permissão a ela e imediatamente lhe deixei que continuasse com seu ritual.”
    1Mihaela Noroc (Bucareste, 1985) cresceu rodeada dos quadros de seu pai, pintor de profissão. Apesar de ter optado por se expressar com uma câmera fotográfica, a diversidade de cores vista nas telas que lhe acompanharam durante a infância marcou suas necessidades vitais. Em 2013, viajando pelo mundo como mochileira, percebeu que muitos países são mais complexos do que imaginamos à primeira vista. Decidiu registrar isso através dos rostos femininos que ia encontrando pelo caminho. O fruto dessa viagem fotográfica se concentra no livro Atlas of Beauty (Atlas da beleza). Nele, Noroc reúne 500 imagens dos mais de 2.000 retratos femininos registrados em suas visitas a 50 países. Cada fotografia é acompanhada da história que se esconde por trás dela. Esta imagem foi clicada no rio Ganges, em Varanasi (Índia). "É um lugar sagrado para o hinduísmo. Lá vi esta jovem peregrina preparando-se para a oferenda. A luz da manhã era perfeita, e seu rosto sereno era como de outro mundo. Eu estava tão vinculada a esse momento mágico que entrei no rio vestida para fazer a foto. Pedi permissão a ela e imediatamente lhe deixei que continuasse com seu ritual.”
  • “Uma viagem à Etiópia em 2013 mudou minha perspectiva de vida. Naquele momento a fotografia era só um hobby. Essas mulheres que conheci me fascinaram. Umas viviam em tribos, e outras em cidades, experimentando uma vida moderna, mas quase todas lutavam contra a discriminação. Apesar de seu entorno, brilhavam como estrelas, com dignidade, força e beleza.” Na imagem: Samira, muçulmana, posa no café da seu melhor amiga, de religião cristã, em Addis Abeba (Etiópia).
    2“Uma viagem à Etiópia em 2013 mudou minha perspectiva de vida. Naquele momento a fotografia era só um hobby. Essas mulheres que conheci me fascinaram. Umas viviam em tribos, e outras em cidades, experimentando uma vida moderna, mas quase todas lutavam contra a discriminação. Apesar de seu entorno, brilhavam como estrelas, com dignidade, força e beleza.” Na imagem: Samira, muçulmana, posa no café da seu melhor amiga, de religião cristã, em Addis Abeba (Etiópia).
  • “Naquela viagem imaginei, se havia encontrado tanta diversidade e tantas histórias femininas em um só país, como seria no resto. Por isso tento chamar a atenção para todas essas mulheres que merecem ser vistas. A beleza real costuma passar despercebida e, naquele momento, comecei a fantasiar com a ideia de sair da minha zona de conforto, largar meu trabalho e começar este projeto.” Na imagem: A capitã Berenice Torre luta contra o tráfico de drogas como piloto de helicóptero na Cidade do México.
    3“Naquela viagem imaginei, se havia encontrado tanta diversidade e tantas histórias femininas em um só país, como seria no resto. Por isso tento chamar a atenção para todas essas mulheres que merecem ser vistas. A beleza real costuma passar despercebida e, naquele momento, comecei a fantasiar com a ideia de sair da minha zona de conforto, largar meu trabalho e começar este projeto.” Na imagem: A capitã Berenice Torre luta contra o tráfico de drogas como piloto de helicóptero na Cidade do México.
  • “O conceito de beleza nos é imposto pela mídia e a publicidade. O que mais me incomoda é a sua maneira simplista de definir o que é bonito e o que merece ser admirado. Não admite alternativas à sua proposta, e isso leva as pessoas a perderem a confiança em si mesmas. Tudo pela ânsia por dinheiro, por vender mais e que o negócio cresça, sem pensar nos efeitos secundários.” Na imagem: Anja é belga de origem polonesa. Posa em Paris e sonha em disputar os Jogos Paralímpicos.
    4“O conceito de beleza nos é imposto pela mídia e a publicidade. O que mais me incomoda é a sua maneira simplista de definir o que é bonito e o que merece ser admirado. Não admite alternativas à sua proposta, e isso leva as pessoas a perderem a confiança em si mesmas. Tudo pela ânsia por dinheiro, por vender mais e que o negócio cresça, sem pensar nos efeitos secundários.” Na imagem: Anja é belga de origem polonesa. Posa em Paris e sonha em disputar os Jogos Paralímpicos.
  • “Há uma enorme pressão sobre as mulheres de todo o mundo para que tenham um determinado aspecto. Do contrário, sofrem muita discriminação. Percebi que um projeto sobre suas lutas e sonhos feito com honestidade era muito necessário neste momento.” Na imagem: Uma jovem de Salvador (Brasil) posa para a fotógrafa.
    5“Há uma enorme pressão sobre as mulheres de todo o mundo para que tenham um determinado aspecto. Do contrário, sofrem muita discriminação. Percebi que um projeto sobre suas lutas e sonhos feito com honestidade era muito necessário neste momento.” Na imagem: Uma jovem de Salvador (Brasil) posa para a fotógrafa.
  • “Em geral, nos ambientes conservadores era para mim especialmente complicado retratar mulheres. Algumas não aceitavam serem fotografadas sem antes pedirem permissão ao marido ou pai.” Na imagem: Jovem passando a tarde no lago Pokhara (Nepal), como fazem muitos de seus habitantes a cada domingo.
    6“Em geral, nos ambientes conservadores era para mim especialmente complicado retratar mulheres. Algumas não aceitavam serem fotografadas sem antes pedirem permissão ao marido ou pai.” Na imagem: Jovem passando a tarde no lago Pokhara (Nepal), como fazem muitos de seus habitantes a cada domingo.
  • “Uma dessas surpresas eu tive no Afeganistão. A maioria de mulheres mantém o rosto coberto. Passei vários dias numa zona rural, chamada Corredor de Wakhan. Lá não havia caras tampadas, e todas elas adoravam ser fotografadas. Foi um dos poucos lugares onde me pediam isso.” Na imagem: Jovem trabalhando no campo, em um dos lugares mais remotos do mundo.
    7“Uma dessas surpresas eu tive no Afeganistão. A maioria de mulheres mantém o rosto coberto. Passei vários dias numa zona rural, chamada Corredor de Wakhan. Lá não havia caras tampadas, e todas elas adoravam ser fotografadas. Foi um dos poucos lugares onde me pediam isso.” Na imagem: Jovem trabalhando no campo, em um dos lugares mais remotos do mundo.
  • “Na Coreia do Norte, sempre ia acompanhada de guias locais, como qualquer estrangeiro que decide visitar o país. Mas tive a oportunidade de passear pela rua, de me aproximar de mulheres e de capturar um pouco do seu cotidiano.” Na imagem: Mulher que trabalha como guia no museu militar do país. Em poucos lugares se pode encontrar tamanha concentração de uniformes militares.
    8“Na Coreia do Norte, sempre ia acompanhada de guias locais, como qualquer estrangeiro que decide visitar o país. Mas tive a oportunidade de passear pela rua, de me aproximar de mulheres e de capturar um pouco do seu cotidiano.” Na imagem: Mulher que trabalha como guia no museu militar do país. Em poucos lugares se pode encontrar tamanha concentração de uniformes militares.
  • “As pessoas no Irã eram muito amáveis com os estrangeiros, e muitas mulheres gostavam de posar para a câmera. É na verdade um dos poucos países fora do Ocidente onde quase não me recusavam uma foto.” Na imagem: Quando era adolescente, o pai de Masha estava empenhado em que sua filha estudasse medicina. Ela, independente desde os 18 anos, conseguiu se dedicar à sua vocação: o desenho gráfico. Vive em Teerã.
    9“As pessoas no Irã eram muito amáveis com os estrangeiros, e muitas mulheres gostavam de posar para a câmera. É na verdade um dos poucos países fora do Ocidente onde quase não me recusavam uma foto.” Na imagem: Quando era adolescente, o pai de Masha estava empenhado em que sua filha estudasse medicina. Ela, independente desde os 18 anos, conseguiu se dedicar à sua vocação: o desenho gráfico. Vive em Teerã.
  • “Beleza e diversidade são sinônimos para mim. Se você colocar as palavras ‘mulher bonita’ no buscador do Google, vai encontrar o mesmo tipo de imagens. Nas ruas, a beleza feminina tem muitas facetas distintas. Basta abrir bem os olhos para ver. A beleza está em nossas diferenças, em ser você mesma, natural, autêntica, sem importar a raça, idade ou situação social.” Na imagem: Uma comerciante no mercado de alimentos de Cuenca (Equador).
    10“Beleza e diversidade são sinônimos para mim. Se você colocar as palavras ‘mulher bonita’ no buscador do Google, vai encontrar o mesmo tipo de imagens. Nas ruas, a beleza feminina tem muitas facetas distintas. Basta abrir bem os olhos para ver. A beleza está em nossas diferenças, em ser você mesma, natural, autêntica, sem importar a raça, idade ou situação social.” Na imagem: Uma comerciante no mercado de alimentos de Cuenca (Equador).
  • “Quando comecei na fotografia, há 16 anos, minhas primeiras modelos eram minha mãe e minha irmã. Depois testei outro tipo de fotografia, mas percebi que como artista tinha que me centrar num nicho. Gosto de retratar mulheres. Sinto uma curiosidade que, afinal, me ajuda a descobrir a mim mesma.” Na imagem: Magda organiza frequentemente eventos de moda em Bucareste (Romênia) nos quais desfilam mulheres cadeirantes.
    11“Quando comecei na fotografia, há 16 anos, minhas primeiras modelos eram minha mãe e minha irmã. Depois testei outro tipo de fotografia, mas percebi que como artista tinha que me centrar num nicho. Gosto de retratar mulheres. Sinto uma curiosidade que, afinal, me ajuda a descobrir a mim mesma.” Na imagem: Magda organiza frequentemente eventos de moda em Bucareste (Romênia) nos quais desfilam mulheres cadeirantes.
  • “Quero homenagear todas as mulheres do mundo. E mostrar que não há nenhum ‘mas’ em sua beleza, como tampouco deveria haver no amor e na empatia.” Na imagem: Laila não queria posar em Milão (Itália). Dizia que não era suficientemente bonita. Quando a autora compartilhou o retrato nas redes, obteve 22.000 curtidas.rn
    12“Quero homenagear todas as mulheres do mundo. E mostrar que não há nenhum ‘mas’ em sua beleza, como tampouco deveria haver no amor e na empatia.” Na imagem: Laila não queria posar em Milão (Itália). Dizia que não era suficientemente bonita. Quando a autora compartilhou o retrato nas redes, obteve 22.000 curtidas.
  • “Em cada canto do mundo, das ruas de Manhattan às aldeias isoladas do Afeganistão, sentia haver uma conexão profunda entre nós, como mulheres e como seres humanos. É impossível de explicar em palavras, mas espero que este trabalho fotográfico explique.” Na imagem: As irmãs Patricia e Rebecca posam numa estação de Zurique (Suíça). Quando pequenas, seus colegas de classe riam delas pela cor dos cabelos.
    13“Em cada canto do mundo, das ruas de Manhattan às aldeias isoladas do Afeganistão, sentia haver uma conexão profunda entre nós, como mulheres e como seres humanos. É impossível de explicar em palavras, mas espero que este trabalho fotográfico explique.” Na imagem: As irmãs Patricia e Rebecca posam numa estação de Zurique (Suíça). Quando pequenas, seus colegas de classe riam delas pela cor dos cabelos.
  • “Eu gostaria que o livro pudesse ser visto em todas as partes do mundo e convencesse as pessoas de que a diversidade é um tesouro, e não motivo para ódio e conflitos. Somos diferentes, mas, ao mesmo tempo, fazemos parte da mesma família.” Na imagem: Lisa conta em Berlim (Alemanha) que muitas vezes se envergonha das cicatrizes de um acidente que sofreu aos 11 anos, tanto que não consegue deixar de ruborizar ao falar do assunto.
    14“Eu gostaria que o livro pudesse ser visto em todas as partes do mundo e convencesse as pessoas de que a diversidade é um tesouro, e não motivo para ódio e conflitos. Somos diferentes, mas, ao mesmo tempo, fazemos parte da mesma família.” Na imagem: Lisa conta em Berlim (Alemanha) que muitas vezes se envergonha das cicatrizes de um acidente que sofreu aos 11 anos, tanto que não consegue deixar de ruborizar ao falar do assunto.
  • “Tento passar algum tempo com as mulheres que retrato. Escuto suas histórias e tiro várias fotos. Tento entendê-las na medida do possível.” Na imagem: Jovem com seu traje de noiva na Amazônia, uma das peças que continuam resistindo à influência da modernidade.
    15“Tento passar algum tempo com as mulheres que retrato. Escuto suas histórias e tiro várias fotos. Tento entendê-las na medida do possível.” Na imagem: Jovem com seu traje de noiva na Amazônia, uma das peças que continuam resistindo à influência da modernidade.

MAIS INFORMAÇÕES