Os 10 melhores filmes de Tom Cruise e seus fracassos mais memoráveis

Há estrelas que precisam se cercar de atores de terceira para brilhar. Tom Cruise não. Desde o começo de sua carreira lutou vorazmente por dividir a tela com os melhores. Longe de se encolher, cresce diante do salto mortal que é exigido para enfrentar Paul Newman, Dustin Hoffman e Jack Nicholson. O entusiasmo de Cruise é contagiante, e aprender a jogar bilhar com o mestre Paul Newman (dirigidos por Martin Scorsese) representou uma partida simbólica, na qual Newman concedeu a Cruise o titulo de “ator favorito do planeta”. A partir de então Cruise não quis ser outra coisa, mesmo que às vezes o título tenha engolido o ser humano que o ostenta.
Há estrelas que precisam se cercar de atores de terceira para brilhar. Tom Cruise não. Desde o começo de sua carreira lutou vorazmente por dividir a tela com os melhores. Longe de se encolher, cresce diante do salto mortal que é exigido para enfrentar Paul Newman, Dustin Hoffman e Jack Nicholson. O entusiasmo de Cruise é contagiante, e aprender a jogar bilhar com o mestre Paul Newman (dirigidos por Martin Scorsese) representou uma partida simbólica, na qual Newman concedeu a Cruise o titulo de “ator favorito do planeta”. A partir de então Cruise não quis ser outra coisa, mesmo que às vezes o título tenha engolido o ser humano que o ostenta.
O melhor filme de Tom Cruise. Ninguém estava preparado para ver Tom Cruise, mais belo que nunca, mas com um cabelo como o de um yuppie insone, gritando para uma massa febril: “Respeitem o pênis e domem a vagina”. Frank Mackey (interpretado por Cruise) é o mais desgraçado de todos os infelizes que povoam o caleidoscópio sobre a solidão que é Magnólia. Era o terceiro filme de Paul Thomas Anderson, que já admitia que nunca faria nada melhor. Mackey representa a tenebrosa melancolia dos vencedores, a angústia de ter um holofote permanentemente apontado para seu rosto, a necessidade de repetir muitas vezes o que quer ser em voz alta para assim se convencer disso. Frank Mackey é um espelho monstruoso de Tom Cruise. Ele não percebeu, é claro, mas se limitou a ir para as gravações e se enterrar na lama até o pescoço. E tudo para que seu público continuasse a aplaudir.
O melhor filme de Tom Cruise. Ninguém estava preparado para ver Tom Cruise, mais belo que nunca, mas com um cabelo como o de um yuppie insone, gritando para uma massa febril: “Respeitem o pênis e domem a vagina”. Frank Mackey (interpretado por Cruise) é o mais desgraçado de todos os infelizes que povoam o caleidoscópio sobre a solidão que é Magnólia. Era o terceiro filme de Paul Thomas Anderson, que já admitia que nunca faria nada melhor. Mackey representa a tenebrosa melancolia dos vencedores, a angústia de ter um holofote permanentemente apontado para seu rosto, a necessidade de repetir muitas vezes o que quer ser em voz alta para assim se convencer disso. Frank Mackey é um espelho monstruoso de Tom Cruise. Ele não percebeu, é claro, mas se limitou a ir para as gravações e se enterrar na lama até o pescoço. E tudo para que seu público continuasse a aplaudir.
Se algo caracteriza a saga de Missão Impossível é que sua falta de personalidade e continuidade acaba funcionando a seu favor. Ethan Hunt é um personagem vazio, sem caráter nem conflito, é uma desculpa para que Tom Cruise faça coisas. Assim, seu universo pode ser retecido sem problemas em cada versão. Nesta, dirigida por John Woo, se viu preso numa extravagância brega, que já estava fora de moda quando estreou. Matrix era o futuro, e Missão Impossível tentou se fazer moderna com (excessiva) câmera lenta, hipertrofia digital, desafios à gravidade e pombos num sótão. O bom do abuso da câmera lenta é que podemos ver que Tom Cruise sempre faz suas cenas de ação, sem dublês, para dar ao público a autenticidade que ninguém mais pede nos filmes de ação. Gesto louvável, embora a mistura de falhas e Semana Santa de Sevilha deixe bem claro o lugar ocupado pela Espanha na lista de prioridades de Hollywood. Anthony Hopkins nem deve se lembrar.
Se algo caracteriza a saga de Missão Impossível é que sua falta de personalidade e continuidade acaba funcionando a seu favor. Ethan Hunt é um personagem vazio, sem caráter nem conflito, é uma desculpa para que Tom Cruise faça coisas. Assim, seu universo pode ser retecido sem problemas em cada versão. Nesta, dirigida por John Woo, se viu preso numa extravagância brega, que já estava fora de moda quando estreou. Matrix era o futuro, e Missão Impossível tentou se fazer moderna com (excessiva) câmera lenta, hipertrofia digital, desafios à gravidade e pombos num sótão. O bom do abuso da câmera lenta é que podemos ver que Tom Cruise sempre faz suas cenas de ação, sem dublês, para dar ao público a autenticidade que ninguém mais pede nos filmes de ação. Gesto louvável, embora a mistura de falhas e Semana Santa de Sevilha deixe bem claro o lugar ocupado pela Espanha na lista de prioridades de Hollywood. Anthony Hopkins nem deve se lembrar.
Poucos atores levariam adiante um anti-herói tão antipático como este. Conhecemos Maguire graças ao resto dos personagens: sua secretária e namorada em exercício, o irreverente filho dela e o potencial astro do rúgbi. Embora o filme, dirigido por Cameron Crowe, aferre-se aos recursos clássicos do cinema dos anos noventa (a obsessão pelo dinheiro, a amizade masculina interracial), tem todos os tropeços que definiriam depois a comédia intelectual do século XXI (Sideways – Entre umas e Outras e Amor sem Escalas). Cruise teve o status de estrela por toda a vida, mas sempre se prestou a filmes vanguardistas (De Olhos bem Fechados, Magnólia). Na cena em que grita “mostre-me o dinheiro”, sem medo do ridículo que recai sobre qualquer homem branco quando tenta imitar um negro, Cruise entrou na fase mais revolucionária de sua carreira. E tudo sem que todos continuem gostando.
Poucos atores levariam adiante um anti-herói tão antipático como este. Conhecemos Maguire graças ao resto dos personagens: sua secretária e namorada em exercício, o irreverente filho dela e o potencial astro do rúgbi. Embora o filme, dirigido por Cameron Crowe, aferre-se aos recursos clássicos do cinema dos anos noventa (a obsessão pelo dinheiro, a amizade masculina interracial), tem todos os tropeços que definiriam depois a comédia intelectual do século XXI (Sideways – Entre umas e Outras e Amor sem Escalas). Cruise teve o status de estrela por toda a vida, mas sempre se prestou a filmes vanguardistas (De Olhos bem Fechados, Magnólia). Na cena em que grita “mostre-me o dinheiro”, sem medo do ridículo que recai sobre qualquer homem branco quando tenta imitar um negro, Cruise entrou na fase mais revolucionária de sua carreira. E tudo sem que todos continuem gostando.
Ninguém sabia muito bem o que Tom Cruise estava fazendo em A Lenda, de Ridley Scott. E o resultado foi o anúncio de xampu mais longo da história. A fantasia de espada e bruxaria estava na moda, mas A Lenda sofre com uma princesa irritante e caprichosa que provoca desgraças para os outros (mas que não faz nada em todo o filme: interpretada por Mia Sara), um herói (Cruise) que parece mais preocupado com aparência e com um estilo visual borrado que faz com que sintamos ter acabado de acordar. Nem mesmo o ator Tim Curry, no papel do vilão demoníaco, salva. Pelo menos é curto, mas mesmo assim seus 85 minutos parecem uma viagem ruim de cogumelos alucinógenos.
Ninguém sabia muito bem o que Tom Cruise estava fazendo em A Lenda, de Ridley Scott. E o resultado foi o anúncio de xampu mais longo da história. A fantasia de espada e bruxaria estava na moda, mas A Lenda sofre com uma princesa irritante e caprichosa que provoca desgraças para os outros (mas que não faz nada em todo o filme: interpretada por Mia Sara), um herói (Cruise) que parece mais preocupado com aparência e com um estilo visual borrado que faz com que sintamos ter acabado de acordar. Nem mesmo o ator Tim Curry, no papel do vilão demoníaco, salva. Pelo menos é curto, mas mesmo assim seus 85 minutos parecem uma viagem ruim de cogumelos alucinógenos.
Parece fácil, mas não é mesmo: fazer um filme que seja um vibrante entretenimento sem pretensão além de impressionar, respeitosamente, o público. Assim é No Limite do Amanhã, dirigido por Doug Limanes. Anos atrás eram comuns filmes desse tipo; hoje parece quase que temos que dar graças. Outra coisa importante que destaca este filme: Tom Cruise teve muito a ver com o novo papel da mulher em Hollywood. Suas companheiras (neste caso Emily Blunt) não são donzelas em apuros. São seres humanos, e Hollywood só demorou 120 anos para perceber. Cruise não se engana. Sabe que as heroínas de seus últimos filmes (Missão Impossível: Protocolo Fantasma e Jack Reacher) enriquecem a aventura e que não está lhes fazendo nenhum favor deixando que apareçam neles. Pelo contrário.
Parece fácil, mas não é mesmo: fazer um filme que seja um vibrante entretenimento sem pretensão além de impressionar, respeitosamente, o público. Assim é No Limite do Amanhã, dirigido por Doug Limanes. Anos atrás eram comuns filmes desse tipo; hoje parece quase que temos que dar graças. Outra coisa importante que destaca este filme: Tom Cruise teve muito a ver com o novo papel da mulher em Hollywood. Suas companheiras (neste caso Emily Blunt) não são donzelas em apuros. São seres humanos, e Hollywood só demorou 120 anos para perceber. Cruise não se engana. Sabe que as heroínas de seus últimos filmes (Missão Impossível: Protocolo Fantasma e Jack Reacher) enriquecem a aventura e que não está lhes fazendo nenhum favor deixando que apareçam neles. Pelo contrário.
Entre os múltiplos talentos de Tom Cruise, cabe acrescentar o de que não sentíssemos falta de Eduardo Noriega. O remake de Abra seus Olhos dirigido por Cameron Crowe funciona como tutorial de “como Hollywood tritura filmes-purê para que os norte-americanos não se engasguem”, porque basicamente explicam tudo no final. Não há ali lugar para o mistério, os fios soltos ou a confusão. Definitivamente, Hollywood trata seus espectadores como se não conseguissem andar e mascar chiclete ao mesmo tempo. O filme em si não é tão ruim como disseram na época, mas começou a se propagar certa tendência a se divertir esculachando Cruise. Parecia que ele, com seu grupo de estrelas, tivesse idiotizado o cinema norte-americano. Uma percepção contra a qual hoje em dia continua lutando, mesmo que tenha que se pendurar no edifício mais alto do mundo para isso.
Entre os múltiplos talentos de Tom Cruise, cabe acrescentar o de que não sentíssemos falta de Eduardo Noriega. O remake de Abra seus Olhos dirigido por Cameron Crowe funciona como tutorial de “como Hollywood tritura filmes-purê para que os norte-americanos não se engasguem”, porque basicamente explicam tudo no final. Não há ali lugar para o mistério, os fios soltos ou a confusão. Definitivamente, Hollywood trata seus espectadores como se não conseguissem andar e mascar chiclete ao mesmo tempo. O filme em si não é tão ruim como disseram na época, mas começou a se propagar certa tendência a se divertir esculachando Cruise. Parecia que ele, com seu grupo de estrelas, tivesse idiotizado o cinema norte-americano. Uma percepção contra a qual hoje em dia continua lutando, mesmo que tenha que se pendurar no edifício mais alto do mundo para isso.
A única explicação para Cruise aceitar interpretar o maior palhaço do pior circo da década é que sua agente é sua irmã. Talvez quando crianças tenham ouvido Def Leppard e outros grupos de hair metal dos anos oitenta, e tenham sentido saudade das tatuagens de serpentes e dos coletes de couro sem nada por baixo. O problema é que Tom Cruise não tem senso de humor. Não sabe rir com naturalidade nem é suficientemente autoconsciente de sua imagem para ridicularizá-la. Acabava de triunfar com Missão Impossível: Protocolo Fantasma e Trovão Tropical (em que conseguiu se parodiar, porque a piada não era sobre ele, e sim sobre o produtor Scott Rudin), mas Rock of Ages (dirigido por Adam Shankman) o devolveu de um golpe à vitrina da piada sem graça da qual muita gente não quer que saia.
A única explicação para Cruise aceitar interpretar o maior palhaço do pior circo da década é que sua agente é sua irmã. Talvez quando crianças tenham ouvido Def Leppard e outros grupos de hair metal dos anos oitenta, e tenham sentido saudade das tatuagens de serpentes e dos coletes de couro sem nada por baixo. O problema é que Tom Cruise não tem senso de humor. Não sabe rir com naturalidade nem é suficientemente autoconsciente de sua imagem para ridicularizá-la. Acabava de triunfar com Missão Impossível: Protocolo Fantasma e Trovão Tropical (em que conseguiu se parodiar, porque a piada não era sobre ele, e sim sobre o produtor Scott Rudin), mas Rock of Ages (dirigido por Adam Shankman) o devolveu de um golpe à vitrina da piada sem graça da qual muita gente não quer que saia.
Tom Cruise usa em Questão de Honra (dirigida por Rod Reiner) todas suas ferramentas de fetiche: arrogância, honra, inteligência e carisma. Acima de tudo, carisma. A vida do tenente Kaffee (Tom Cruise) é tão devotada à integridade que nem sequer perde tempo em notar Demi Moore. Em qualquer outra filme teria havido um beijinho no final, mas Kaffee quer apenas averiguar se o coronel Jessup ordenou o maldito código vermelho. Sabemos que vai conseguir, porque é Tom Cruise. Cada conversa, dinamitada pela cocaína que o roteirista Aaron Sorkin confessou ter cheirado aos quilos enquanto escrevia, é uma batalha dialética, e Cruise sempre vence, porque quando se trata de lidar com nervo e ímpeto há poucos como ele. Até Jack Nicholson se acovarda.
Tom Cruise usa em Questão de Honra (dirigida por Rod Reiner) todas suas ferramentas de fetiche: arrogância, honra, inteligência e carisma. Acima de tudo, carisma. A vida do tenente Kaffee (Tom Cruise) é tão devotada à integridade que nem sequer perde tempo em notar Demi Moore. Em qualquer outra filme teria havido um beijinho no final, mas Kaffee quer apenas averiguar se o coronel Jessup ordenou o maldito código vermelho. Sabemos que vai conseguir, porque é Tom Cruise. Cada conversa, dinamitada pela cocaína que o roteirista Aaron Sorkin confessou ter cheirado aos quilos enquanto escrevia, é uma batalha dialética, e Cruise sempre vence, porque quando se trata de lidar com nervo e ímpeto há poucos como ele. Até Jack Nicholson se acovarda.
Quatro anos depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos se atreveram a voltar a olhar no espelho. O que encontraram foi Tom Cruise com o mesmo aspecto de sempre, mas transformado num herói precocemente aposentado, desgostoso, salvando o mundo. Não tinha mais graça. O resultado é o filme comercial mais pessimista da nossa geração. E dirigida por Steven Spielberg. Não há discursos patrióticos, não há “esta é nossa terra e vamos defendê-la”. Também não sobra um estilo de vida de subúrbio para proteger. Guerra dos Mundos é um ensaio sobre o medo, em que a única defesa possível é correr e rezar (ou nem isso) para não ser atingido. E ninguém corre mais que Tom Cruise.
Quatro anos depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos se atreveram a voltar a olhar no espelho. O que encontraram foi Tom Cruise com o mesmo aspecto de sempre, mas transformado num herói precocemente aposentado, desgostoso, salvando o mundo. Não tinha mais graça. O resultado é o filme comercial mais pessimista da nossa geração. E dirigida por Steven Spielberg. Não há discursos patrióticos, não há “esta é nossa terra e vamos defendê-la”. Também não sobra um estilo de vida de subúrbio para proteger. Guerra dos Mundos é um ensaio sobre o medo, em que a única defesa possível é correr e rezar (ou nem isso) para não ser atingido. E ninguém corre mais que Tom Cruise.
Naquela época (meados dos anos oitenta) os mitos eróticos masculinos ainda vestiam roupas. Eram heróis românticos, mas nunca escancaradamente sensuais. Tom Cruise redefiniu o consumo dos corajosos durante uma partida de vôlei em que estava apenas de jeans e óculos de aviador. Com as plaquinhas do Exército penduradas, a rebeldia insolente ganhou novo formato. Top Gun (dirigido por Tony Scott) foi o filme que tornou Cruise o maior astro de sua geração, cavalheiresco e sensual para elas, carismático e leal para eles. Os Estados Unidos superaram os traumas que arrastavam desde o Vietnã, e graças a este libelo militar disfarçado de catálogo de moda jovem o Exército voltou a ser atraente. Em 2018 teremos a continuação, que reunirá o elenco original (incluindo Val Kilmer), e todos nos sentiremos mais velhos.
Naquela época (meados dos anos oitenta) os mitos eróticos masculinos ainda vestiam roupas. Eram heróis românticos, mas nunca escancaradamente sensuais. Tom Cruise redefiniu o consumo dos corajosos durante uma partida de vôlei em que estava apenas de jeans e óculos de aviador. Com as plaquinhas do Exército penduradas, a rebeldia insolente ganhou novo formato. Top Gun (dirigido por Tony Scott) foi o filme que tornou Cruise o maior astro de sua geração, cavalheiresco e sensual para elas, carismático e leal para eles. Os Estados Unidos superaram os traumas que arrastavam desde o Vietnã, e graças a este libelo militar disfarçado de catálogo de moda jovem o Exército voltou a ser atraente. Em 2018 teremos a continuação, que reunirá o elenco original (incluindo Val Kilmer), e todos nos sentiremos mais velhos.
Seu cabelo grisalho dizia “estou velho demais para esta droga”, mas sua linguagem corporal continuava em forma. Embora Jamie Foxx tenha ficado com todos os elogios (uma constante na carreira de Cruise, o que o confirma como um ator mais generoso do que parece), o filme respira pela boca de Tom. Se Colateral (dirigido por Michael Mann) é elegante, perturbador e imprevisível é graças ao assassino representado por Tom Cruise. Cruza Los Angeles como um animal, mas inevitavelmente tem que ser o rei da floresta, porque sabe que até quando mata implacavelmente o público o observa e o segue incondicionalmente. O filme, uma mistura de Máquina Mortífera e Drive, retrata as guinadas da masculinidade no cinema até se reencarnar em Michael Fassbender. Foram anos difíceis para todos.
Seu cabelo grisalho dizia “estou velho demais para esta droga”, mas sua linguagem corporal continuava em forma. Embora Jamie Foxx tenha ficado com todos os elogios (uma constante na carreira de Cruise, o que o confirma como um ator mais generoso do que parece), o filme respira pela boca de Tom. Se Colateral (dirigido por Michael Mann) é elegante, perturbador e imprevisível é graças ao assassino representado por Tom Cruise. Cruza Los Angeles como um animal, mas inevitavelmente tem que ser o rei da floresta, porque sabe que até quando mata implacavelmente o público o observa e o segue incondicionalmente. O filme, uma mistura de Máquina Mortífera e Drive, retrata as guinadas da masculinidade no cinema até se reencarnar em Michael Fassbender. Foram anos difíceis para todos.
Nicole Kidman discute com seu marido – começando a ser ex. Não chegar a um acordo. Estão partindo em direções opostas. Ela baixa a calcinha, começa a urinar, mas continuam discutindo. Não é a vida real, é o testamento do diretor mais impiedoso da história do cinema, Stanley Kubrick. O público observa essa intimidade como se a tela do cinema fosse um buraco na parede do quarto do casal. A incapacidade sexual de seu personagem, sua paranoia e sua obsessão em se agarrar a seu encanto de classe alta parecem uma dissecação da personalidade de Cruise. É possível que o astro, reconvertido afinal em ator, não tivesse percebido muito claramente a sádica psicanálise a que Kubrick o estava submetendo. Mas se deixou manietar porque, acima de tudo, Tom Cruise é um profissional. Tanto para se deixar eviscerar emocionalmente quanto para subir na asa de um avião decolando. Ainda que perca a vida nisso.
Nicole Kidman discute com seu marido – começando a ser ex. Não chegar a um acordo. Estão partindo em direções opostas. Ela baixa a calcinha, começa a urinar, mas continuam discutindo. Não é a vida real, é o testamento do diretor mais impiedoso da história do cinema, Stanley Kubrick. O público observa essa intimidade como se a tela do cinema fosse um buraco na parede do quarto do casal. A incapacidade sexual de seu personagem, sua paranoia e sua obsessão em se agarrar a seu encanto de classe alta parecem uma dissecação da personalidade de Cruise. É possível que o astro, reconvertido afinal em ator, não tivesse percebido muito claramente a sádica psicanálise a que Kubrick o estava submetendo. Mas se deixou manietar porque, acima de tudo, Tom Cruise é um profissional. Tanto para se deixar eviscerar emocionalmente quanto para subir na asa de um avião decolando. Ainda que perca a vida nisso.
Há estrelas que precisam se cercar de atores de terceira para brilhar. Tom Cruise não. Desde o começo de sua carreira lutou vorazmente por dividir a tela com os melhores. Longe de se encolher, cresce diante do salto mortal que é exigido para enfrentar Paul Newman, Dustin Hoffman e Jack Nicholson. O entusiasmo de Cruise é contagiante, e aprender a jogar bilhar com o mestre Paul Newman (dirigidos por Martin Scorsese) representou uma partida simbólica, na qual Newman concedeu a Cruise o titulo de “ator favorito do planeta”. A partir de então Cruise não quis ser outra coisa, mesmo que às vezes o título tenha engolido o ser humano que o ostenta.
Há estrelas que precisam se cercar de atores de terceira para brilhar. Tom Cruise não. Desde o começo de sua carreira lutou vorazmente por dividir a tela com os melhores. Longe de se encolher, cresce diante do salto mortal que é exigido para enfrentar Paul Newman, Dustin Hoffman e Jack Nicholson. O entusiasmo de Cruise é contagiante, e aprender a jogar bilhar com o mestre Paul Newman (dirigidos por Martin Scorsese) representou uma partida simbólica, na qual Newman concedeu a Cruise o titulo de “ator favorito do planeta”. A partir de então Cruise não quis ser outra coisa, mesmo que às vezes o título tenha engolido o ser humano que o ostenta.
O diretor de maior prestígio na época, Oliver Stone, escalou o ator do momento para corromper sua imagem, e milhões de fãs saíram traumatizados do cinema. O bigode e o cabelo desgrenhado não o favoreciam (a campanha promocional tratou de escondê-los), e também não foi fácil ver Cruise alcoolizado, raivoso e preso a uma cadeira de rodas. Suas feições radiantes se puseram a serviço de uma geração perdida, que os Estados Unidos retratavam com culpa. Ron Kovic (o personagem que lhe deu sua primeira indicação ao Oscar) encontrava a expiação dos horrores da guerra fazendo algo que, paradoxalmente, Tom Cruise não fez em toda sua vida: admitir sua vulnerabilidade e contar sua história.
O diretor de maior prestígio na época, Oliver Stone, escalou o ator do momento para corromper sua imagem, e milhões de fãs saíram traumatizados do cinema. O bigode e o cabelo desgrenhado não o favoreciam (a campanha promocional tratou de escondê-los), e também não foi fácil ver Cruise alcoolizado, raivoso e preso a uma cadeira de rodas. Suas feições radiantes se puseram a serviço de uma geração perdida, que os Estados Unidos retratavam com culpa. Ron Kovic (o personagem que lhe deu sua primeira indicação ao Oscar) encontrava a expiação dos horrores da guerra fazendo algo que, paradoxalmente, Tom Cruise não fez em toda sua vida: admitir sua vulnerabilidade e contar sua história.
Encontro Explosivo é uma aposta num tipo de cinema esclerosado. A comédia de ação, mera desculpa para que as estrelas se comportem como estrelas. Um desses filmes que acabam custando uma fortuna, mas não se vê isso na tela porque foi tudo para seus protagonistas. Dirigido por James Mangold, não é ruim, é não trascendental, e os espectadores já a terão esquecido ao sair da sala. Cameron Diaz faz Cameron Diaz, e Tom Cruise demonstra que é... ele. Claro que estavam ótimos, mas isso não justifica a existência do filme. Cruise voltou à Espanha deixando claro que durante os anos que namorou Penélope Cruz eles falaram de muitas coisas, mas as festividades locais espanholas não estiveram entre elas. Talvez pudesse rodar uma comédia de ação ambientada na feira de Alcobendas.
Encontro Explosivo é uma aposta num tipo de cinema esclerosado. A comédia de ação, mera desculpa para que as estrelas se comportem como estrelas. Um desses filmes que acabam custando uma fortuna, mas não se vê isso na tela porque foi tudo para seus protagonistas. Dirigido por James Mangold, não é ruim, é não trascendental, e os espectadores já a terão esquecido ao sair da sala. Cameron Diaz faz Cameron Diaz, e Tom Cruise demonstra que é... ele. Claro que estavam ótimos, mas isso não justifica a existência do filme. Cruise voltou à Espanha deixando claro que durante os anos que namorou Penélope Cruz eles falaram de muitas coisas, mas as festividades locais espanholas não estiveram entre elas. Talvez pudesse rodar uma comédia de ação ambientada na feira de Alcobendas.

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