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Real Madrid deixa de ser o clube com maior faturamento pela primeira vez em 12 anos

O Manchester United, que não se classificou para a Champions, lidera o campeonato das finanças, segundo um estudo de Deloitte

Torcedores do Manchester United em Xangai.
Torcedores do Manchester United em Xangai. REUTERS

O dinheiro não compra a felicidade. Nem os troféus. Depois de 11 anos, o Real Madrid deixa de ser o clube com maior faturamento na temporada 2015/2016, de acordo com o já consolidado estudo Football Money League (Liga do Dinheiro no Futebol), da Deloitte. No ano de sua décima-primeira Champions League, a equipe branca foi ultrapassada pelo Manchester United. A equipe inglesa, que ocupa o quinto lugar no Campeonato Inglês e foi eliminada na fase de grupos da Champions 2015/2016, não se classificou para a principal competição europeia nesta temporada.

A análise mostra, mais uma vez, que embora os melhores resultados esportivos venham do Campeonato Espanhol, o dinheiro está no Campeonato Inglês. Na edição 2015/2016, o Real Madrid aumentou sua receita em 7% em relação à temporada anterior. O número não foi suficiente para evitar sua queda para o terceiro lugar na lista, que leva em conta os rendimentos que as equipes tiveram por meio de direitos de televisão, fontes comerciais (produtos, patrocínios, museus esportivos...) e os dias de jogos. O Real Madrid, que ocupa sua pior posição desde a temporada 2002/2003, tampouco lidera a classificação dos ricos da Espanha: o FC Barcelona é o segundo, que incrementou seus números em 11%. Paradoxalmente, a estratégia de Florentino Pérez como presidente da instituição merengue sempre foi a da supremacia financeira, do esmagamento econômico. No entanto, sem ser o mais milionário, o clube continua ganhando.

Pela primeira vez, os clubes superaram os 600 milhões de euros (cerca de 2,04 bilhões de reais) em faturamento. O Real Madrid faturou 620,1 milhões de euros e o Barcelona 620,2. O Manchester United acumulou 689 milhões, mais da metade (53%), graças aos recursos comerciais: venda de camisetas, visitas (tours) ao estádio e patrocínios, entre outras coisas. Apenas 23% é proveniente de receitas de direitos televisivos.

Ranking do estudo. Valores em euros.
Ranking do estudo. Valores em euros.

O Campeonato Inglês supera todas as expectativas. Os números do estudo não incluem o bilionário acordo de televisão que o torneio inglês assinou a partir desta temporada. O Manchester United e o Manchester City estão entre os cinco clubes com maior faturamento do mundo. Nunca dois clubes britânicos tinham estado juntos no top 5. E tem mais: oito equipes inglesas estão entre as 20 com maior faturamento.

No total, os 20 clubes mais ricos do mundo quebraram a barreira dos 7 bilhões de euros em caixa. O número é seis vezes superior ao de 20 anos atrás, quando a Deloitte iniciou essa análise. Desse número, apenas 9% é dinheiro gerado em dia de jogo. Isso evidencia a falta de desenvolvimento do negócio dos clubes para oferecer experiências atraentes para os torcedores nos estádios. Muitos ainda pensam como oferecer melhores serviços para os torcedores nos encontros. Vários clubes, além dos ingleses, estão modificando seus estádios ou construindo-os, como o Real Madrid e o Atlético de Madrid, que faz apenas 16% da sua receita nos dias de jogos (entradas, consumação no estádio).

O Atlético, impulsionado pela final da Champions, e o Leicester, empurrado pelo título do Campeonato Inglês, são as equipes que mais cresceram (29% e 23%, respectivamente). O clube espanhol é o único que avançou três posições na tabela, da 16ª posição à 13ª, graças ao aumento dos seus direitos de transmissão televisiva em 53 milhões de euros. E o campeão do futebol inglês aparece pela primeira vez na lista da Deloitte.

A disputa nas redes

Os clubes também competem nas redes sociais, onde os espanhóis, Barcelona e Real Madrid, lideram confortavelmente. Os catalães são os primeiros no Facebook e no Instagram, com 95 e 44 milhões, respectivamente. Os brancos lideram o campeonato no Twitter, com quase 22 milhões de seguidores. O mercado latino-americano e a globalidade da língua castelhana dão uma grande vantagem aos clubes da Espanha. O Bayern de Munique, uma das equipes mais populares da Europa, tem apenas três milhões de seguidores no Twitter. É impressionante a semelhança entre o ranking de rendimentos financeiros e o das redes sociais, uma partida que claramente os clubes estão se esforçando para ganhar.

Clubes não europeus em 2030

Os especialistas preveem que em 2030 haverá equipes não europeias entre as 20 mais ricas do planeta. A globalidade do futebol e a irrupção da China são as principais razões para imaginar um futebol desenvolvido fora da Europa. Os principais mercados são China, Estados Unidos e Brasil, onde há equipes que atingem receitas de mais de 80 milhões de euros.

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