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A imprevisibilidade de Trump

Presidente eleito dos EUA se dispõe a mudar de forma drástica a política em relação à Rússia e China

Trump, durante ato político em Michigan
Trump, durante ato político em MichiganAndrew Harnik (AP)

Os primeiros passos de Donald Trump em política exterior, a pouco mais de um mês de sua posse como presidente dos Estados Unidos, causaram uma inquietação mais do que justificada. A manutenção da paz e da segurança internacional exige que os Governos sejam previsíveis em suas ações e que honrem os acordos feitos por seus predecessores.

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Nada disso parece se cumprir no caso de Trump, que deu inúmeras amostras de que pretende mudar de forma drástica a política de seu país em relação à Rússia e China. No primeiro caso, o milionário norte-americano já havia discordado durante a campanha da linha seguida até agora por Barack Obama e os países ocidentais, caracterizada, entre outras coisas, pelas sanções econômicas a Moscou motivadas pelo expansionismo russo contra a Ucrânia e a anexação ilegal da Criméia. A nomeação na segunda-feira de Rex Tillerson – presidente da petrolífera Exxon – como secretário de Estado aprofunda as suspeitas de uma reconciliação com Moscou, que desempenhou papel extremamente obscuro na campanha eleitoral. Tillerson reforçou a presença da Exxon na Rússia com uma aliança com a petrolífera estatal russa Rosneft e foi condecorado pessoalmente por Vladimir Putin, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade de separar os interesses nacionais dos EUA dos da indústria petrolífera.

No caso da China, Trump segue o caminho oposto. Desde os anos setenta, Washington acredita que o pragmatismo é a melhor forma de se entender com Pequim. Mas Trump, além de ameaçar os chineses com sanções comerciais, provocou desnecessariamente Pequim questionando a política de Uma China Única. Como se não bastasse, muitos de seus contatos com autoridades estrangeiras não seguem as vias oficiais e não contam com nenhuma assessoria diplomática. E tudo isso sem ainda ocupar o Salão Oval.