Cúpula Ásia-Pacífico

Zuckerberg: “A única solução para a desigualdade é mais conexão, não menos”

Fundador do Facebook pede que líderes não fechem seus países, em referência indireta às eleições dos EUA

Mark Zuckerberg, na APEC.MARIANA BAZO (REUTERS) / QUALITY

Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, tem mais poder que muitos presidentes. Por sua plataforma passam 2,7 bilhões de pessoas, um terço da humanidade. E está no centro da polêmica: nos Estados Unidos, muitos acusam o Facebook de contribuir para a vitória de Trump porque a rede facilitou a difusão das notícias falsas criadas pelos fiéis do magnata. Nesse contexto, Zuckerberg, recebido como uma estrela de rock em Lima, abriu o dia mais importante da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), na frente, inclusive, do todo-poderoso presidente chinês, Xi Jinping. Em seu discurso, o criador do Facebook pediu que os líderes mundiais coloquem a conectividade como máxima prioridade do planeta e se esqueçam da tentação de se fechar, numa referência indireta a Trump, o grande protagonista ausente da reunião.

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"Sabemos que a conectividade é boa para o progresso da humanidade. Mas, a cada eleição, vemos resultados indicando que a globalização também cria desigualdade", disse Zuckerberg. "Não podemos deixar ninguém para trás. Temos que ver como resolver essa desigualdade. Podemos optar pela desconexão e confiar que os empregos destruídos voltarão. Ou escolher uma maior conexão e compartilhar essa prosperidade que está sendo criada. É claro que a segunda opção é melhor. No entanto, uma maior conectividade precisa de grandes investimentos, decisões de longo prazo. Por isso, deve ser a grande prioridade."

Zuckerberg, que havia reagido ante as críticas ao papel da rede social na campanha dos EUA prometendo melhorar seus filtros contra as mentiras, não evitou o assunto na reunião da Apec. "O Facebook deve fazer a sua parte para evitar a propagação do ódio e do racismo. Mas também é possível fazer isso trabalhando na conectividade. Podemos resolver o problema conectando mais as pessoas. Conectividade implica conectar ideias, dar oportunidades. O talento está distribuído igualitariamente pelo mundo, mas não as oportunidades. Conectar as pessoas é a melhor forma de criar prosperidade", insistiu diante de uma plateia formada pelos principais líderes do planeta.

"Quatro bilhões de pessoas não estão conectadas à internet. De cada 10 pessoas conectadas, uma sai da pobreza e pelo menos um emprego é criado. Nossa geração pode fazer coisas ainda maiores do que já foi feito. Uma das histórias mais inspiradoras para mim foi quando Kennedy disse, em 1961, que no final da década chegaríamos à lua. Muitos pensaram que era impossível. Mas conseguiram."

"Por isso sou otimista. Durante séculos houve poucos avanços na saúde, mas há 100 anos começamos a utilizar métodos científicos e fizemos avanços enormes. Podemos aumentar a esperança de vida para 100 anos até o final deste século. Nos EUA, investimos 50 vezes mais na cura das pessoas que em pesquisas voltadas a acabar com as doenças", disse Zuckerberg entre aplausos dos líderes e com um visual novo: de terno e gravata.

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