Eleições nos Estados Unidos

Ascensão de Trump e expectativa sobre juros dos EUA contêm Bolsas pelo mundo

O índice espanhol perde mais de 1%, um pouco acima dos demais índices europeus No Brasil, Ibovespa caiu 2,46% na terça-feira

Investidores em Wall Street, na noite de terça.
Investidores em Wall Street, na noite de terça.SPENCER PLATT (AFP)

O dia das Bolsas na Europa foi marcado, nesta quarta-feira, pelos EUA. A reunião do Federal Reserve (o banco central norte-americano) que deve decidir sobre a adoção de medidas de estímulo à economia, o fechamento negativo (- 0,58%) de Wall Street nesta terça e o crescimento de Donald Trump nas pesquisas estão segurando as bolsas europeias. No meio do dia, o Ibex, da Espanha, perdia 1,12%, ficando abaixo dos 9.000 pontos. Londres, Paris e Frankfurt caíram entre 0,4% (no caso britânico) e 0,79% (Alemanha), enquanto o pregão em Milão foi o mais afetado, com uma queda de 1,45%. O dólar, além disso, perdeu terreno em relação ao euro e à libra.

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No Brasil, a Bolsa de Valores não funciona nesta quarta-feira, por conta do feriado, mas os efeitos da ascensão de Trump já foram sentidos no dia anterior. O Ibovespa fechou em queda de 2,46%, a maior desde 13 de setembro.

No caso do Ibex (índice da bolsa espanhola), o setor bancário foi o que registrou pior comportamento. O El Popular mantém o seu declínio, baixando quase 3%. Bankia e Sabadell seguem atrás, com quedas acima de 2%. No outro lado, somente Viscofan e Grifols permanecem sem cair. Dessa forma, a Bolsa espanhola registrou 8.940 pontos, perdendo os 9.000 conquistados em 20 de outubro.

No restante da Europa, as notícias não são muito melhores. Londres caiu 0,45%, um pouco menos do que Paris (-0,67%), Frankfurt (- 0,79%). O índice de Milão foi o que mais caiu, com -1,45%, superando a queda do próprio Ibex.

Os mercados costumam ser bastante sensíveis às reuniões dos bancos centrais, especialmente de um país como os EUA, onde teve início na noite passada o encontro do Federal Reserve. Ainda assim, há um consenso no sentido de que Janet Yellen não irá mexer nas taxas de juros nem suspender outros estímulos à economia norte-americana a menos de uma semana das eleições, razão pela qual a influência desse encontro nos índices não parece ser relevante.

Mais importante parece ser, sim, a incerteza crescente, que começa a aparecer nas pesquisas, em relação aos resultados eleitorais. Se há apenas duas semanas a vitória de Hillary Clinton parecia praticamente definida depois das declarações machistas do candidato republicano, a questão dos correios eletrônicos dos EUA parece agora pesar fortemente sobre a candidata democrata, impulsionando Trump. Pesquisa do jornal The Washington Post divulgada nesta quarta-feira traz o republicano na dianteira. A percepção dos investidores é de que uma vitória de Trump não seria um bom negócio.

Diante do crescimento do republicano, Wall Street fechou nesta terça-feira em baixa, perdendo 0,58%, o que segurou também os mercados asiáticos. O índice Nikkei caiu 1,76% e a Bolsa de Shangai perdeu 0,6%.

O panorama eleitoral nos EUA também pesa sobre o dólar, que perde terreno para o euro — cujo valor subiu para 1,11 dólar — e para a libra, que chega a 1,23 dólar. O preço do barril do brent, por sua vez, se distancia dos 50 dólares, caindo mais do que 1% e chegando a 47,65 dólares. A taxa de risco da Espanha caiu, ficando em 107 pontos básicos.

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