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Samsung para de fabricar o Galaxy Note 7 e pede aos donos que o desliguem

A empresa perde 15 bilhões de dólares na Bolsa devido ao fracasso de seu principal aparelho

Um Samsung Note 7 que se incendiou durante testes em um laboratório em Cingapura.

Não haverá mais Samsung Galaxy Note 7. O fabricante sul-coreano anunciou oficialmente nesta terça-feira que vai cancelar definitivamente a produção e venda de seu aparelho de ponta, depois de não conseguir enfrentar a crise causada por problemas na bateria, que fizeram com que muitas unidades se incendiassem espontaneamente por aquecimento.

Nesta madrugada, a empresa tinha anunciado em todo o mundo que suspenderia as vendas do modelo original e as substituições dos telefones, ao mesmo tempo em que pedia aos proprietários do modelo que desligassem seus aparelhos e não os utilizassem enquanto se esclarecia por que alguns da série —inclusive os reparados ou substituídos por aquecimento— entraram em combustão. Horas depois, o fabricante coreano adotava uma medida mais drástica: enterrar definitivamente o projeto.

Para isso, deu ordem para que se retirem todos os modelos comercializados, incluindo os que foram vendidos depois da revisão ao detectarem-se os primeiros problemas, em um segundo lote. E solicitou às companhias de telecomunicações e seus representantes que os ajudem na retirada de todas as unidades. Nos próximos dias, a marca coreana divulgará que tipo de compensações oferecerá para os usuários do Note 7.

O fiasco do Note 7 está representando para o gigante sul-coreano, primeiro fabricante mundial de celulares, um custo brutal em termos de imagem, mas não só: as ações da companhia despencaram mais de 8% em Seul, o que significa que o valor da empresa caiu mais de 15 bilhões de euros (54 bilhões de reais).

“Recentemente, reajustamos os volumes de produção para permitir uma pesquisa exaustiva e um controle de qualidade, mas, colocando a segurança do consumidor como nossa prioridade número um, chegamos à decisão final de parar a produção do Galaxy Note 7”, diz um comunicado emitido pela Samsung nesta terça-feira.

O enterro do aparelho criado para liderar o setor das phablets, híbrido de celular e tablet, consumou-se com esta última chamada ao consumidor e a paralisação da produção. A Samsung tinha mantido o silêncio em seu site desde 10 de setembro.

No início de setembro, a Samsung já pediu aos proprietários de 2,5 milhões de telefones Galaxy Note 7 que fossem às lojas substituir os aparelhos depois das informações sobre explosões de baterias, supostamente por aquecimento. Depois de trocar alguns aparelhos e baterias, a empresa afirmou que eram seguros.

No entanto, informações de que os telefones reparados também pegaram fogo aparentemente sem motivo levaram a companhia a tomar uma decisão drástica: pedir a seus clientes que desligassem os telefones até novo aviso. “Os clientes do Galaxy Note 7 original ou substituído devem desligar o aparelho e parar de usá-lo”, afirma uma nota da empresa. Horas depois, dava o passo definitivo e anunciava que parava de fabricá-lo.

Retirada sem precedentes

A companhia sul-coreana começou a vender o telefone em 19 de agosto passado, mas no início de setembro anunciou um recall sem precedentes, depois de se informar de mais de trinta casos de incêndio em vários países. Depois da chamada para revisão, em meados de setembro foram entregues aparelhos em substituição. Mas as notícias de telefones novos ou reparados incendiados na Coreia do Sul, Estados Unidos e Taiwan levaram a companhia a, em primeiro lugar, pedir a operadoras e varejistas de todo o mundo que parassem as vendas e substituições e, depois, a encerrar a produção.

Um Note 7 em chamas durante teste de laboratório em Cingapura. ampliar foto
Um Note 7 em chamas durante teste de laboratório em Cingapura. REUTERS

O último incidente conhecido é o de um homem de Kentucky que afirmou que acordou em um quarto cheio de fumaça, onde seu Note 7 substituído estava pegando fogo, fato ocorrido dias depois que um voo foi evacuado nos Estados Unidos depois que um terminal começou a soltar fogo na cabine.

Mas o caso que deu a volta ao mundo é o vídeo postado no YouTube no qual se vê uma funcionária do Burger King sul-coreano que, com luvas à prova de fogo, retira com dificuldade um Note 7 que solta fumaça branca. Ou outro do jornal The Sun que mostra um aparelho em chamas em outro restaurante.

Na semana passada, duas das maiores operadoras de telefonia móvel nos Estados Unidos (AT&T, Verizon e T-Mobile US) deixaram de vender as novas unidades do Note 7 —teoricamente não afetadas pela avaria— diante de cinco novos casos de incêndio que foram reportados no país. A Verizon é a única cujo porta-voz se pronunciou a respeito. Kelly Crummey convida os consumidores a pensar em alternativas: “Neste momento, temos o novo iPhone. E estamos a ponto de lançar o novo Pixel do Google, que é exclusividade nossa. Também há modelos muito bons da Motorola”. Um forte golpe no fabricante que determinava o ritmo do universo Android.

Na Europa, onde as vendas do aparelho estavam previstas para serem retomadas em 28 de outubro, Vodafone e Orange anunciaram nesta segunda-feira a interrupção da pré-venda do dispositivo.

Apesar do perigo evidente dos aparelhos, nem todos os consumidores estão devolvendo. E não é simples recolher 2,5 milhões de celulares. A Samsung criou uma página na web com as instruções para os clientes dos Estados Unidos e também ofereceu um número de telefone (1-844-365-6197). Além disso, oferecem um cartão de presente de 25 dólares pela entrega.

Nas últimas semanas, a deterioração da empresa foi constante. Virou regra ouvir o pessoal de voo advertir sobre a impossibilidade de ligar o celular enquanto estivesse dentro do avião se você tivesse um Note 7. Pela primeira vez, falava-se de um modelo e marca concretos.

O fiasco desta série de telefones da Samsung coloca dúvidas sobre o controle de qualidade da empresa e põe sua reputação em cheque. As ações da Samsung Electronics caíram 8% na terça-feira, dia 11, cerca de 15,2 bilhões de dólares (cerca de 48 bilhões de reais) na Bolsa de Seul depois de se anunciar a suspensão global de vendas e substituições de seu telefone Galaxy Note 7.

Apesar do contratempo, a Samsung mantém seu ciclo de inovação. Espera-se que apresente seu próximo aparelho de ponta em 26 de fevereiro em Barcelona, durante o Congresso Mundial de Celulares, MWC, como se conhece mundialmente.

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