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A febre dos sapatos

Novo objetivo dos famosos é criar suas próprias linhas de calçado junto a reconhecidas marcas de moda

Esboços da coleção de sapatos de Katy Perry.
Esboços da coleção de sapatos de Katy Perry.

Colonizado o terreno das coleções encomendadas prêt-à-porter (veja Kanye West para Adidas com a linha Yeezy, por exemplo) o calçado, como elemento de fetiche, surge como novo objetivo para os famosos que têm a oportunidade de se converter em estilistas ocasionais. Mas esse também é um objeto de culto para os consumidores, como se demonstrou no documentário de 2005 Loucos por Sapatos. Um furor que se tornou visível nas férias comerciais e nas filas quilométricas que se formam nas portas de lojas especializadas de meio mundo para se conseguir edições limitadas e exclusivas de alguns pares de sapatos.

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A penúltima a se somar a essa tendência foi Katy Perry. Pelas mãos da Global Brands Group, a cantora promete calçados a preços acessíveis para todos os bolsos (a partir de 52 euros) que poderão ser comprados a partir de 2017. Além do delicioso assunto (calçar os sapatos desenhados por alguém de destaque tem que dar gosto), estão os números. A rentabilidade das estrelas a propósito de sua união com marcas de moda e empresas diversas começou a ser mais evidente quando Anna Wintour, editora da edição norte-americana da revista Vogue, colocou em suas capaz atrizes, cantoras, atletas e primeiras-damas a partir do final dos anos 1980.

Apesar de o estilista Dries Van Noten pensar que “as celebridades mataram a moda”, segundo declarou em entrevista para Smoda, o fato é que as marcas encontram nos famosos suas galinhas de ovos de ouro. O exemplo mais claro disso é o estudo publicado no mês de janeiro pela consultoria de marketing NPD Group. Nele se dava a conhecer os personagens mais rentáveis para marcas relacionadas com o setor da moda e da beleza. A pesquisa se concentra nos famosos que acumulam ao menos 10 milhões de seguidores (não especificam se em uma ou em várias redes sociais) e foi realizada com 92.000 pessoas. No número um do ranking, com 367 pontos, está Rihanna. Isso significa que a artista de Barbados faz aumentar, aproximadamente, em 3,7% as receitas de uma marca cada vez que colabora com ela, se pelo menos 50% dos fãs da cantora forem consumidores dessa referida marca.

Um dos exemplos de rentabilidade de Rihanna é a coleção de seis modelos que criou junto a Blahnik, Denim Desserts. O furor pela colaboração entre ambos foi tanto na Internet que o site da marca saiu do ar no dia do início das vendas, em 5 de maio. Resultado que certamente gostariam de ter Jennifer López e Zayn Malik a respeito de sua recentemente anunciada contribuição para a marca Giuseppe Zanotti para o próximo ano.

Os sapatos, como prolongamento da personalidade, constituem outro ramo da comunicação não verbal, na qual se representam as preferências éticas e estéticas. Porque, como dizia Walter Benjamin: “No fetichismo, o sexo derruba as barreiras entre os mundos orgânico e inorgânico. Vestidos e enfeites estabelecem com ele suas alianças”.