_
_
_
_

Conselhos para você conseguir, de uma vez por todas, poupar dinheiro

Um dos inimigos de quem está endividado é o cartão de crédito, tratado como segundo salário

Divulgação

Toda virada do ano a novela se repete. Muitas pessoas se sentem mais inspiradas em mudar algum hábito e começam enumerar resoluções para os próximos meses. No topo da lista, muitas vezes, está a vontade de conseguir poupar mais dinheiro ou, pelo menos, quitar as dívidas. Mas, assim como o Governo, manter as contas equilibradas em tempos de crise tem sido uma tarefa complicada para os brasileiros e o desejo de poupar não tem saído do papel. Com os preços nas alturas e renda em baixa, gastar mais do que se ganha tem virado cada vez mais uma rotina. Para fugir dessa armadilha, o EL PAÍS elencou alguns conselhos que vão ajudar a organizar sua vida financeira.

Segundo especialistas, o primeiro passo para fugir das dívidas é fazer um controle preciso de tudo o que você recebe e de tudo o que gasta por mês. Desta forma, é possível se planejar e descobrir quais despesas são realmente necessárias e quais podem ser diminuídas ou eliminadas de vez. Aquele cafezinho que você toma depois do almoço todos os dias pode parecer inofensivo, mas, quando colocar na ponta do lápis o quanto é gasto por mês com esse hábito, você poderá se surpreender. Além disso, você pode começar a negociar planos de celular, de internet e de televisão a cabo mais baratos, para cortar as despesas fixas do mês.

Mais informações
Novatos na crise: jovens brasileiros enfrentam por primeira vez uma recessão e um impeachment
Desemprego atinge recorde e deve continuar subindo, segundo especialistas
Será que o consumidor precisa pagar tão caro por uma coxinha?
Bastam 66 dias para mudar um hábito

Outra dica importante é começar a pensar em tudo o que você abdica para comprar “aquele smartphone de última geração” que se parece demais com um outro que você já tem. Quanto vale o aparelho em passagens de ônibus, refeições, mensalidade escolar?

O empresário Fernando Baptista dos Santos conseguiu enxergar onde estavam seus "desperdícios" quando começou a usar um aplicativo de celular que organiza os gastos diários, o Guia Bolso. O app está conectado diretamente com suas contas bancárias e todas as saídas e entradas de dinheiro são anotadas automaticamente na planilha do celular. Os gastos também são divididos por categoria como saúde, transporte, mercado, bares, contas. E foi justamente um desses grupos que surpreendeu o empresário. “Eu não tinha ideia de como gastava com transferências bancárias. Fui até o meu banco e negociei essas taxas. Também percebi o quanto gastava com aquele cafezinho após o almoço, resolvi enxugar essa despesa, poupei mais de 300 reais”, conta Santos. 

Seis dicas para economizar

1. Faça o raio X do seu orçamento:  Anote diariamente todos os gastos e ganhos, para ver onde o dinheiro está sendo (mal) utilizado.

2.Trace um objetivo:  Você pode começar com metas mais simples como poupar 10% do seu salário para pagar aquela viagem dos sonhos ou comprar um carro.

3.Separe o que vai poupar no início do mês: Não caia na armadilha de só investir ou colocar na poupança o que sobrar no fim do mês, pois você corre o risco de não guardar quase nada.

4. Enxugue os gastos:  Analise as despesas que podem ser evitadas, como saídas ao bar, o cafezinho após o almoço e, compra de roupas.

5. Negocie: pedir um desconto não é crime. Pechinche desde tarifas de banco até aluguéis.

6. Não abuse do cartão de crédito: Ele não é o seu segundo salário. E pagar só a parcela mínima pode ser uma roubada.

Para o empresário, mapear seu orçamento foi o pontapé para a mudança na sua organização financeira. “Depois disso comecei a poupar e investir meu dinheiro muito mais, inclusive consegui quitar o financiamento do meu apartamento bem antes do esperado”, explica.

Rodrigo de Losso, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), alerta que o inimigo número um de quem está endividado é o cartão de crédito ou o cheque especial, tratados, geralmente, como complementos de salário. “O ideal é juntar o dinheiro que se pretende gastar, e não adquirir dívidas para comprar alguma coisa”, diz. Claro que nem sempre sobra dinheiro, ainda mais em tempos de recessão. E imprevistos acontecem. Mas é preferível se endividar com crédito pessoal, que tem juros menores, do que com cartão de crédito, que cobra as maiores taxas entre os serviços financeiros. Em média, a taxa de juros do cartão é de 450% ao ano, o que significa que a sua dívida mais do que quintuplica a cada ano sem pagá-la.

“Se você já está no vermelho, com dívidas de cartão e de cheque especial, opte por conseguir um crédito pessoal no banco para pagá-las. Assim você substitui juros altos por juros mais baixos e acaba quitando a dívida com menos sufoco”, aconselha Losso. O professor também afirma que é importante fazer um “pente fino” em seu extrato bancário para economizar mais. “Às vezes você contratou seguro sem querer, pois assinou um monte de papéis na agência sem ler”, complementa.

Segundo passo

Depois de sair do vermelho, você pode se planejar para poupar um pouco todos os meses. Losso estima que, pelo menos entre 5% e 10% do seu salário deve ser aplicado em algum investimento todos os meses, quantia que pode lhe garantir um 14º salário por ano.

“O valor a ser investido deve ser encarado como uma despesa no seu orçamento mensal. Comece poupando um pouquinho e, com o tempo, vá aumentando quando puder. Mas isso precisa se tornar um hábito. Não adianta poupar hoje e deixar de poupar amanhã”, afirma o professor.

A Faculdade de Economia (FEA) da USP lançou um programa gratuito de consultoria financeira, sob coordenação de Losso, em fevereiro do ano passado. O atendimento deve ser agendado por telefone e ocorre todos os dias úteis, em horário comercial. Cerca de 40% das pessoas que procuram o serviço ganham até quatro salários mínimos. Do total, 30% estão endividados, 30% desejam apenas aprender a planejar as finanças pessoais e 35% querem aprender a investir. Os outros 5% buscam conselhos para planejar a aposentadoria ou comprar imóveis. Em um ano e meio de funcionamento, o Serviço de Orientação Financeira (Sof) atendeu 220 pessoas, número que vem crescendo por conta da crise. O professor destaca que muitas pessoas têm chegado até o SOF para saber como aplicar melhor os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), agora que estão desempregadas. 

“Somos conservadores, pois lidamos com um público que não entende de investimentos. Mas explicamos que há muitas opções de baixo risco que rendem mais que a poupança, um investimento que só teve perdas reais nos últimos anos”, afirma Losso.

“As pessoas precisam tomar muito cuidado com o banco, pois há um conflito de interesses na hora do gerente aconselhar os clientes a como investir. A primeira coisa que fazem é sugerir poupança. Só o banco sai ganhando com poupança. Outro absurdo que sugerem muito é um título de capitalização”, alerta. O rendimento de um título de capitalização é o menor do mercado e não consegue nem garantir a inflação. Só ganha com esse produto financeiro quem é sorteado, no fim das contas.

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo

¿Quieres añadir otro usuario a tu suscripción?

Si continúas leyendo en este dispositivo, no se podrá leer en el otro.

¿Por qué estás viendo esto?

Flecha

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo y solo puedes acceder a EL PAÍS desde un dispositivo a la vez.

Si quieres compartir tu cuenta, cambia tu suscripción a la modalidad Premium, así podrás añadir otro usuario. Cada uno accederá con su propia cuenta de email, lo que os permitirá personalizar vuestra experiencia en EL PAÍS.

En el caso de no saber quién está usando tu cuenta, te recomendamos cambiar tu contraseña aquí.

Si decides continuar compartiendo tu cuenta, este mensaje se mostrará en tu dispositivo y en el de la otra persona que está usando tu cuenta de forma indefinida, afectando a tu experiencia de lectura. Puedes consultar aquí los términos y condiciones de la suscripción digital.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_