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EDITORIAL

Doping de Estado

O COI deve punir severamente a grave fraude organizada pela Rússia sem prejudicar os atletas que não são culpados

Sede do Comité Olímpico da Rússia.
Sede do Comité Olímpico da Rússia.

Não é fácil para o Comitê Olímpico Internacional resolver o grave caso de doping revelado pelo relatório McLaren segundo o qual a Rússia criou entre 2010 e 2015 um mecanismo para burlar os sistemas de controle. Até 643 amostras de urina positivas para substâncias proibidas em vinte modalidades olímpicas se transformaram em negativa.

O relatório McLaren, encomendado pela Agência Mundial Antidoping, revela que não são, como em ocasiões anteriores, casos individuais. Desta vez, a fraude é generalizada e foi concebida e organizada pelo próprio Ministério de Esportes pouco antes dos Jogos de Inverno de Sochi, com o objetivo de superar a queda no número de medalhas que o país enfrentava. Para sua execução, o plano contou com a colaboração de agentes secretos do Serviço Federal de Segurança. A Agência Mundial Antidoping e mais de uma dezena de agências nacionais, lideradas pelos EUA e Canadá, pediram ao COI que suspenda a participação da Rússia na Olimpíada do Rio que começa em 5 de agosto. Esta medida tem o inconveniente de que, ao punir o país, pode prejudicar atletas inocentes; ou seja, vão acabar pagando pelos pecados de outros.

O COI deve adotar uma resolução forte o suficiente que sirva para disciplinar, mas que preserve, ao mesmo tempo, o direito de competir dos atletas que possam demonstrar um histórico limpo. Até agora, o comitê adiou sua decisão, mas não deve esquecer que a credibilidade da luta contra a fraude vai depender da decisão adotada. O organismo internacional deve encontrar uma maneira justa de punir esse fato bastante grave e não deve se sentir intimidado por ameaças veladas que já lançou o Governo de Putin ao afirmar que vai colaborar com o COI para identificar os culpados, mas insinuando que, se o castigo for muito pesado, poderíamos voltar aos dias de boicote às Olimpíadas.

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