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Roda de conversa e oração das trans

Encontro é organizado pelo Ministério Séforas, braço da igreja inclusiva CCNE

  • A “Igreja Trans”, como tem ficado conhecido o encontro semanal de Jacque na região, é, na verdade, o Ministério Séforas, um braço da CCNE – uma das várias igrejas inclusivas que têm surgido no Brasil nos últimos dez anos. A congregação independente, ao exemplo de muitas outras do seu tipo, não se diz propriamente dita evangélica, mas segue a liturgia pentecostal com cantos gospels, louvores a Deus e sermões.
    1A “Igreja Trans”, como tem ficado conhecido o encontro semanal de Jacque na região, é, na verdade, o Ministério Séforas, um braço da CCNE – uma das várias igrejas inclusivas que têm surgido no Brasil nos últimos dez anos. A congregação independente, ao exemplo de muitas outras do seu tipo, não se diz propriamente dita evangélica, mas segue a liturgia pentecostal com cantos gospels, louvores a Deus e sermões.
  • Em um sobrado debaixo do elevado Minhocão, no centro da cidade, competindo com o barulho dos carros que passam praticamente na altura das janelas de vidro pixadas pelo lado de fora, Jacque se levanta e dá a mão ao grupo de cerca de 20 trans, gays e travestis. “Obrigado, Senhor, por ter nos reunido aqui hoje. Obrigado, Jesus Cristo, pelo milagre de nos ter deixado viver, porque ser trans e estar viva é um verdadeiro milagre”, prega.
    2Em um sobrado debaixo do elevado Minhocão, no centro da cidade, competindo com o barulho dos carros que passam praticamente na altura das janelas de vidro pixadas pelo lado de fora, Jacque se levanta e dá a mão ao grupo de cerca de 20 trans, gays e travestis. “Obrigado, Senhor, por ter nos reunido aqui hoje. Obrigado, Jesus Cristo, pelo milagre de nos ter deixado viver, porque ser trans e estar viva é um verdadeiro milagre”, prega.
  • “Quando não são assassinadas, geralmente acontece alguma outra fatalidade”, disse a ativista Rafaela Damasceno em entrevista recente à Agencia Brasil. Quem participa do encontro com Jacque sabe bem disso. Não à toa, depois da curta oração, é hora de falar, desabafar, em uma conversa conduzida por um psicólogo voluntário.
    3“Quando não são assassinadas, geralmente acontece alguma outra fatalidade”, disse a ativista Rafaela Damasceno em entrevista recente à Agencia Brasil. Quem participa do encontro com Jacque sabe bem disso. Não à toa, depois da curta oração, é hora de falar, desabafar, em uma conversa conduzida por um psicólogo voluntário.
  • O papo começa com um desabafo da Evelyn, de 45 anos, que diz estar tendo muita dificuldade para colocar seu nome social – o feminino – em seus documentos. Todas concordam que, apesar de estar na lei, essa é uma luta diária. “O que a gente ouve o dia todo é ‘não’”, dizem.
    4O papo começa com um desabafo da Evelyn, de 45 anos, que diz estar tendo muita dificuldade para colocar seu nome social – o feminino – em seus documentos. Todas concordam que, apesar de estar na lei, essa é uma luta diária. “O que a gente ouve o dia todo é ‘não’”, dizem.
  • “Eu sou evangélica e quando ia à igreja, o pastor olhava pra mim e chamava o ‘irmão Fábio’ para orar lá na frente. Quem é o irmão Fábio? Ah, é! Sou eu. Como pode? Olha pra mim: peito, bunda e cabelo comprido!”, diz Samanta.
    5“Eu sou evangélica e quando ia à igreja, o pastor olhava pra mim e chamava o ‘irmão Fábio’ para orar lá na frente. Quem é o irmão Fábio? Ah, é! Sou eu. Como pode? Olha pra mim: peito, bunda e cabelo comprido!”, diz Samanta.
  • “Esse encontro não é um culto evangélico fundamentalista, não esperamos converter ninguém, nem impor nada. Isso aqui é uma porta de entrada para a possibilidade de uma vida mais digna. A parte espiritual existe, mas só se aprofunda quem quer”, diz Jacque. Ao menos cinco das participantes daquela noite dizem ser espíritas ou de religiões afro-brasileiras e não ter interesse imediato no cristianismo.
    6“Esse encontro não é um culto evangélico fundamentalista, não esperamos converter ninguém, nem impor nada. Isso aqui é uma porta de entrada para a possibilidade de uma vida mais digna. A parte espiritual existe, mas só se aprofunda quem quer”, diz Jacque. Ao menos cinco das participantes daquela noite dizem ser espíritas ou de religiões afro-brasileiras e não ter interesse imediato no cristianismo.
  • Debaixo do Minhocão, entre República e Santa Cecília, um dos trechos mais degradados do centro de São Paulo, a localização da sede da CCNE acaba dizendo muito sobre quem vai aos encontros do Séforas.
    7Debaixo do Minhocão, entre República e Santa Cecília, um dos trechos mais degradados do centro de São Paulo, a localização da sede da CCNE acaba dizendo muito sobre quem vai aos encontros do Séforas.
  • “Igrejas não deixam de ser igrejas, de ter dogmas, e a monogamia e o discurso contrário a prostituição são duas coisas muito enraizadas, inclusive nas congregações inclusivas”, diz Natividade.
    8“Igrejas não deixam de ser igrejas, de ter dogmas, e a monogamia e o discurso contrário a prostituição são duas coisas muito enraizadas, inclusive nas congregações inclusivas”, diz Natividade.
  • Divulgado em 2015, um levantamento feito pela ONG Transgender Europe diz que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Por aqui, a expectativa de vida dessa população é de apenas 35 anos.
    9Divulgado em 2015, um levantamento feito pela ONG Transgender Europe diz que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Por aqui, a expectativa de vida dessa população é de apenas 35 anos.