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Empreendedores driblam queda do consumo no mercado brasileiro com vendas para outros países

Teste se seu negócio está pronto para dar esse passo e saiba as ferramentas disponíveis para isso

Óculos da carioca Zerezes, de madeira de aproveitamento, exportados para Europa e EUA.
Óculos da carioca Zerezes, de madeira de aproveitamento, exportados para Europa e EUA. Divulgação

A empresa ainda é de pequeno porte, com uma produção de até 600 óculos por mês. Mas nasceu ambiciosa. A armação é feita com o aproveitamento de móveis de madeira nobres que foram jogados no lixo. Trabalhar com a reciclagem desse material foi uma forma de inserir na fabricação o conceito de responsabilidade socioambiental e consumo consciente, filosofias que atraem cada vez mais o público jovem. A empresa também trabalha com arranjos locais de produção, uma cadeia de pequenos fornecedores.

O conceito de design sustentável levou a marca a vender em países como Suíça, Suécia e Estados Unidos, mas o objetivo é chegar a outros mercados ainda este ano. “Nossos óculos têm história e cultura. Temos concorrência lá fora, mas ninguém usa jacarandá, cuja única fonte é o reaproveitamento”, explica. Algumas linhas fazem até referência às ruas em que os móveis foram encontrados. O mercado externo contribuiu para o crescimento do faturamento de 2015, que alcançou 800 mil reais.

Caminho comum

O cenário econômico atual tem motivado muitas empresas a vislumbrarem o mercado externo para potencializar vendas, principalmente com o arrefecimento do consumo das famílias – somente no primeiro trimestre de 2016, houve retração de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram as micro e pequenas empresas que lideraram esse movimento de expansão, exportando 5,2% a mais em 2015, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Os investimentos realizados em empresas brasileiras instaladas no exterior também vêm evoluindo. Dados do Banco Central apontam que entre janeiro e maio deste ano, 5,96 bilhões de dólares foram enviados às filiais verde-amarelas em outros países.

Henrique Meyrelles, Luiz Eduardo Rocha e Hugo Galindo, sócios da Zerezes.
Henrique Meyrelles, Luiz Eduardo Rocha e Hugo Galindo, sócios da Zerezes.Divulgação

“A tendência é que o câmbio oscile pouco daqui para frente, tornando o momento mais propício para ampliar fontes de receitas, principalmente no segmento de manufaturados, que é o principal produto que as micro e pequenas empresas exportam”, afirma Alexandre Comin, gerente de acesso a mercados e serviços financeiros do Sebrae Nacional. Mas se a recessão abre oportunidades para além das fronteiras nacionais, os empreendedores precisam ficar atentos quanto aos riscos da expansão dos negócios em outros mercados. Comin destaca que, antes de investir nas operações lá fora, o empresário deve se informar muito bem sobre os potenciais mercados, seus concorrentes, a legislação, burocracias e até a língua e a cultura do outro país. “As empresas precisam fazer um plano de negócios rigoroso, procurar agências de apoio à exportação e frequentar feiras no exterior, para networking”, afirma.

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), uma estratégia crucial para quem está começando a olhar para o mercado externo é planejar vendas em pouca quantidade. “1% da produção é suficiente para sentir a demanda, conhecer os fornecedores, ganhar confiança e apresentar a marca. Se não der certo, este não é um valor que pode quebrar a empresa. Se der certo, será mais fácil partir desse ponto do que do zero”, aconselha. Ainda assim, o empresário tem de fazer um pente fino daquilo que pode ser exportado. “Não adianta atirar para todos os lados”.

O especialista brinca que “o estágio de toda empresa deveria ser a América Latina”. Isso porque a proximidade com a língua e com a cultura facilita o acesso aos consumidores. A exportação, entretanto, deve ser incorporada à cultura de qualquer empresa. “Não adianta investir no mercado externo só por causa do momento atual do cenário econômico. Vender para fora minimiza riscos e amplia possibilidades de negócios. Nunca coloque todos os ovos em uma só cesta”, diz.

Dez perguntas antes de exportar:

  1. Por que entrar nesse mercado?
  2. Quais produtos da sua empresa têm potencial para venda no exterior?
  3. Quais são as suas metas de curto e de longo lá fora?
  4. Quais estratégias de vendas do produto?
  5. Quem é o cliente?
  6. Quais são meus concorrentes?
  7. Quem são os meus parceiros e fornecedores?
  8. Como será a distribuição do produto?
  9. Quais são as minhas opções de financiamento?
  10. Quais são as probabilidades de sucesso?

Fonte: Sebrae e AEB.

A equipe econômica do Santander,  um banco internacional com presença nas maiores cidades do mundo e que tem informações sobre economia local e números de comércio exterior, também projeta um cenário mais promissor para as vendas ao exterior. “A perspectiva de encaminhamento de uma agenda de reforma fiscal, cujas medidas sinalizam uma trajetória mais contida para a dívida pública, tem permitido uma apreciação do câmbio em direção a um patamar mais compatível com os fundamentos da economia brasileira. Sendo assim, não esperamos flutuações drásticas como observado em 2015”, informa em relatório de agosto do banco.

Para não perder tempo

Para auxiliar o empresário na decisão de exportar, o Santander disponibiliza um portal com informações sobre 186 países, 25 mil estudos setoriais e calendário de cerca de 40 mil feiras de negócios pelo mundo. O Portal Santander Trade permite que o empresário faça pesquisas específicas sobre quais países mais importam um determinado produto do Brasil, quais são as regras para exportação e para abertura de empresas nos países escolhidos, cotações, taxas, impostos e até o investimento médio necessário para se instalar em alguma região. Também apresenta ferramentas de networking e informações de possíveis parceiros.

Esta notícia, patrocinada pelo Banco Santander, foi elaborada por um colaborador do EL PAÍS.