Daydream, a realidade virtual de qualidade do Google

Gigante tecnológico busca aliados para competir com Oculus

Protótipo de óculos e comando do Daydream do Google.
Protótipo de óculos e comando do Daydream do Google.

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Um ponteiro capaz de funcionar como um laser, óculos compatível com Android N e um sensor capaz de seguir melhor os movimentos da cabeça. Esses são os ingredientes do Google para conquistar o cada vez mais competitivo mundo da realidade virtual. Esta manhã divulgaram DayDream, seu plano para ir um passo além do papelão, para dar qualidade sem sacrificar o preço. O segundo dia da conferência do Google, com menos entusiasmo e mais olheiras entre os espectadores, está dedicado a este formato. Samsung e Huawei são alguns dos fabricantes que se comprometeram a brindar apoio com celulares compatíveis, mas não há ainda um modelo que sirva como propaganda. Algo ainda muito distante da proposta dos moradores de Menlo Park. Desde que o Facebook comprou o Oculus vem mantendo duas linhas de desenvolvimento, a mais acessível com os óculos da Samsung, e a de alta qualidade com o Rift, com o qual é necessário usar um computador como motor. O Google apostou no Cardboard, os óculos de papelão, com grande difusão e sucesso. A simplicidade tem sido seu grande trunfo.

A Unreal, uma das empresas de videogames de maior prestígio, é uma de suas aliadas. A Unity, o motor mais comum para o desenvolvimento do lazer eletrônico, também está envolvida nesta plataforma. John Riccitello, executivo-chefe da Unitv, explicou sua visão: “Nascemos há 10 anos com a ideia de democratizar o desenvolvimento, dar ferramentas aos desenvolvedores de um modo fácil. Com o Google constatamos que compartilhamos esses valores”. A Unity conta com um registro de 5,5 milhões de desenvolvedores, mas não se conforma: “Quero que vocês sonhem e tornem realidade”.

No Google estão conscientes de que sem conteúdo de pouco servem os avanços. Criaram uma vitrine com todos os aplicativos criados para o formato. O Google Maps, com um grande realismo, é um dos primeiros. Poderão ser encontrados em Play, sua loja de aplicativos, sob o nome de DayDream.

O YouTube também será um dos aplicativos em que serão promovidos. O grande videoclube universal convidará a conhecer os melhores vídeos, os mais imersivos. Daydream Labs é seu laboratório de pesquisa. Está na sede de Mountain View, o coração do Google. Estão há tempos trabalhando nele, mas eram mantidos em segredo.

Capa do YouTube para conteúdo em realidade virtual.
Capa do YouTube para conteúdo em realidade virtual.

No ano passado apresentaram Jump, uma fórmula para usar as câmeras GoPro como solução simples para gravar. Agora é acrescentado o Yi, um fabricante chinês, com uma proposta de baixo custo. O IMAX será sua chave para entrar em Hollywood. Já usaram essas ferramentas o Discovery Channel, a Paramount e o New York Times.

Não se esqueceram da educação. Expedições é como chamam o programa para promover para os alunos a descoberta de lugares como se fossem lá numa excursão. Machu Picchu é o mais visitado nas escolas, usando óculos de papelão. No total, mais de um milhão de estudantes vivenciaram a experiência de viajar com os óculos de papelão.

Ao contrário da sessão estelar do primeiro dia, a apresentação terminou 40 minutos depois. Restou uma sensação pouco habitual quando o Google anuncia algo. Houve pouca concretização, escassos produtos, apenas aliados. Não se viram os óculos nos quais dizem estar trabalhando, nem tampouco datas de lançamento. Muito menos preços aproximados. Foi apontado o segundo semestre como data estimada.

Outro aspecto chamativo desta décima edição de I/O é que não se viu nenhum dos dois fundadores do Google. Nem Larry Page nem Sergey Brin apareceram no palco ou arredores.

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