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A OTAN se envolve

Implicar a aliança militar na crise dos refugiados é um passo desesperado

Um grupo de refugiados descansa no porto do Pireu, perto de Atenas, no dia 8 passado.
Um grupo de refugiados descansa no porto do Pireu, perto de Atenas, no dia 8 passado.YANNIS KOLESIDIS (EFE)

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Os ministros da Defesa dos países da OTAN decidiram, a pedido de Alemanha, Grécia e Turquia, envolver este organismo na crise dos refugiados. Em princípio, enviarão ao Egeu três navios de guerra, aos quais depois se somarão outros efetivos, para interceptar os barcos e perseguir as máfias que realizam o tráfico de pessoas. A decisão de envolver a aliança militar é um novo passo desesperado depois do fechamento de fronteiras decretado por alguns países para conter os fluxos de refugiados, e da impossibilidade de chegar a um acordo quanto a uma política comum de asilo com participação equitativa, como propunha a chanceler alemã, Angela Merkel. Em vez disso, criou-se uma dinâmica na qual todos tentam se esquivar e transferir o problema para o vizinho.

A decisão foi tomada ao mesmo tempo em que tem início o ultimato dado pela UE à Grécia para que, em um prazo de seis meses, seja garantido um controle efetivo das fronteiras; do contrário, será permitido que outros países estabeleçam controles de fronteira. Porém, ainda que a Grécia se esforce, dificilmente será capaz de arcar com a gestão do aluvião de refugiados que recebe. Só no ano passado chegaram ao país 868.000, e este ano já são quase 80.000.

O envolvimento da OTAN implica reconhecer o fracasso dos dispositivos do Frontex, a agência europeia de controle das fronteiras exteriores, e se adianta à criação da política europeia de fronteiras acordada recentemente. Mas militarizar as águas de trânsito não resolverá o terrível problema já criado. O único resultado será concentrá-lo em maior medida sobre os países não europeus, especialmente a Turquia. Ancara já decidiu criar trincheiras em sua fronteira com a Síria e pediu à OTAN que ajude com seus aviões a bloqueá-la. Junto a essa fronteira se acumulam entre 30.000 e 50.000 sírios, aos quais podem se somar outros tantos se a ofensiva contra a cidade de Aleppo prosseguir.