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Vendas do iPhone param de crescer pela primeira vez e Apple prevê queda

Impulso da China permite que a Apple registre um lucro trimestral recorde, apesar da desaceleração

Loja da Apple em Sidney, na Austrália, em imagem de julho de 2015.
Loja da Apple em Sidney, na Austrália, em imagem de julho de 2015. PAUL MILLER (EFE)

Os resultados correspondem ao primeiro trimestre fiscal da Apple. A empresa de Cupertino (Califórnia) está há meses sob pressão, e até os investidores mais fiéis se contiveram ao fazer suas projeções. Bater o rendimento do mesmo trimestre de 2014 era complicado. Naquela ocasião, o lucro ficou em 18 bilhões de dólares, sobre um faturamento de 74,6 bilhões e 74,4 milhões de unidades vendidas do celular da marca, que na época lançava os modelos iPhone 6 e iPhone 6 Plus.

Um ano depois, a Apple relata a venda de 74,8 milhões de unidades do iPhone, um aumento de apenas 0,5% com relação ao mesmo período do ano passado. É o menor aumento desde que o iPhone foi lançado, em meados de 2007. No trimestre precedente, o crescimento em número de unidades vendidas em comparação ao ano anterior havia sido de 22%, e no primeiro trimestre fiscal de 2015 ficou em 46%. A Apple antevê uma queda de 15% no atual trimestre, resultando na sua primeira redução de faturamento desde 2003.

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O aparelho gerou para a empresa um faturamento de 51,64 bilhões de dólares, 1% a mais do que no ano anterior. Mas os investidores se acostumaram a ver crescimentos de até dois dígitos nas vendas do iPhone, que começaram a se moderar após três anos. Os novos modelos introduzidos em setembro não geraram o entusiasmo esperado, porque na verdade trazem poucas novidades para justificar uma mudança de aparelho. Para isso será preciso esperar o iPhone 7.

A expectativa, portanto, já era baixa. O executivo-chefe Tim Cook precisava de números que mostrassem não haver motivos para preocupação, em meio a um trimestre em que as vendas seguem um ritmo mais normal, sem ficarem infladas pela estreia de novas versões do aparelho. Cook continua tendo fé absoluta na China como motor do crescimento para a Apple e em especial o iPhone.

O dilema chinês

O mercado chinês gerou 18,37 bilhões de dólares em faturamento, o que apresenta uma elevação de 14% com relação ao ano anterior. É o segundo mercado mais importante depois das Américas, onde a Apple faturou 29,33 bilhões. As vendas na Europa chegaram a 17,93 bilhões. Cook, entretanto, enfrenta críticas pela crescente dependência da Apple em relação à China no contexto atual de debilitação econômica. Um a cada quatro iPhones é vendido nesse país. Ele posteriormente admitiu aos analistas que as vendas passaram a crescer de forma mais moderada, e descreveu o atual ambiente geral de negócios como “extremamente complexo”.

Tim Cook enfrenta críticas pela crescente dependência da Apple em relação à China

A Apple publica seus resultados enquanto crescem os rumores sobre a chegada de um novo celular menor neste semestre. O faturamento da Apple está mais de 60% ligado ao iPhone. Os setores do relógio de pulso interativo e do aparelho que serve para reproduzir conteúdo audiovisual sob demanda continuam pequenos demais para compensarem, mas o segmento de outros negócios melhorou 43% no ano. O tablet iPad, enquanto isso, registrou uma queda de 21% nas vendas em relação ao ano anterior, apesar do recente lançamento de uma versão para uso profissional.

A Apple acumula uma queda de 15% nas Bolsas desde a última vez que apresentou resultados, o dobro da queda no índice Dow Jones. As perdas chegam a 20% quando se toma como referência o valor máximo da ação da Apple neste último ano, que foi de 134,50 dólares. O valor de mercado da empresa ronda os 560 bilhões de dólares, ficando assim muito próximo da Alphabet (ex-Google), cujo valor de mercado se aproxima de 505 bilhões de dólares, apesar das dificuldades generalizadas para as ações de tecnologia neste volátil começo de ano.

As contas da Apple servem, na verdade, para começar a medir a temperatura dos grandes nomes do Vale do Silício após uma temporada de resultados dominada até agora pelos conglomerados financeiros. Nesta quarta-feira será a vez da rede social Facebook, e na quinta-feira da Amazon e Microsoft, terminando na próxima segunda com a divulgação do balanço da Alphabet. Essas quatro empresas tiveram um resultado muito sólido no ano passado em Wall Street.

A incógnita é saber em qual direção irão as ações da Apple enquanto os investidores continuarem obcecados pela sua próxima novidade. Cada vez mais analistas consideram que o auge do fabricante do iPhone já ficou para trás, e apontam para a volatilidade das suas ações. O padrão de altas e baixas bruscas costuma ser sinônimo de esgotamento, embora a maioria continue considerando suas ações atraentes. Os próximos seis meses, portanto, serão decisivos.

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