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Apple fecha o exercício fiscal de 2015 com o maior lucro da história

Empresa ganha 54 bilhões de dólares em 12 meses e bate o recorde da Exxon em 2008

Tim Cook, CEO de Apple, apresenta em setembro o iPhone 6s.
Tim Cook, CEO de Apple, apresenta em setembro o iPhone 6s.B. D. / REUTERS

A Apple se consolida como a empresa privada mais rentável do planeta ao bater o recorde estabelecido havia sete anos pela petroleira Exxon Mobil, quando o alto preço da energia alimentava seu negócio. A fabricante do iPhone, do iPad e dos Mac encerrou o exercício fiscal de 2015 com um lucro de 54.060 bilhões de dólares (211 bilhões de reais). É 36% mais do que ganhou há um ano, graças ao maior peso da China.

A marca a bater era o lucro de 45,22 bilhões de dólares (175 bilhões de reais) que a Exxon Mobil registrou em todo 2008. Quando se somam os 11,12 bilhões de dólares (43,2 bilhões de reais) que ganhou no quarto trimestre, a Apple supera até mesmo essa cifra ajustada à inflação. O lucro acumulado de 42,27 bilhões de dólares (165 bilhões de reais) nos primeiros nove meses já indicava que a coisa seria fácil. Além disso, serviu para ultrapassar os 39,5 bilhões de dólares (153 bilhões de reais) que a Apple ganhou em 2014, quando a empresa baluarte da nova economia superou a petroleira.

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A Apple é a maior companhia cotizada em Wall Street, com valor de 690 bilhões de dólares (2,7 trilhões de reais), e a quinta por receitas da Fortune 500, atrás do Walmart, Exxon Mobil, Chevron e Berkshire Hathaway. O volume de dinheiro que acumula no balanço chega a 205,7 bilhões de dólares (800 bilhões de reais). Embora a atenção recentemente tenha se voltado para seu relógio interativo, o novo tablet para uso profissional ou a nova versão de seu serviço de música, o iPhone continua sendo seu maior sucesso.

A empresa de Cupertino deve quase tudo a um produto. O iPhone representa mais de 60% das receitas globais, com 32,32 bilhões de dólares (125,4 bilhões de reais) no trimestre passado. Para o conjunto do ano o total se eleva a 155,04 bilhões de dólares (601 bilhões de reais), graças em grande parte aos 74,5 milhões de telefones que vendeu no trimestre que coincidiu com a temporada passada de compras natalinas, quando já bateu o recorde de lucro.

O limite desta vez eram as 47,5 milhões de unidades do terceiro trimestre. A Apple conseguiu melhorar somente 1% entre julho e setembro, até 48 milhões de aparelhos. Se o que for tomado como referência for o mesmo período do ano anterior, o incremento foi de 22%. A projeção é que supere os 75 milhões no trimestre em curso, com o feriado prolongado de Ação de Graças e o Natal.

Quando se tomam como referência todos os produtos da Apple, a cifra de negócio da empresa se elevou a 51,5 bilhões de dólares (quase 200 bilhões de reais) no trimestre. São números 22% melhores que um ano atrás. Nos nove meses prévios as receitas combinadas foram de 182,2 bilhões de dólares (706 bilhões de reais). O total de 233,7 bilhões (907 bilhões de reais) para o exercício representa um incremento de 28% em relação ao rendimento de 2014.

Novos produtos

O trimestre concluído em setembro costuma ser fraco para a Apple. Por isso a empresa aproveita a calma para apresentar suas novidades. Há um mês iniciou a venda do novo modelo iPhone6S. As contas foram fechadas um dia depois. Os resultados, portanto, não incluem o impacto desse aparelho nem tampouco a atualização do reprodutor audiovisual Apple TV ou do tablet iPad Pro.

A grande pergunta que os analistas fazem é se a Apple pode continuar elevando as vendas do telefone como tem feito até agora. O avanço desse aparelho durante os últimos anos foi muito robusto, com um crescimento trimestral de dois dígitos. Mas a realidade é que ele joga suas cartas em um mercado já muito maduro e onde os rivais competem com dispositivos que não lhe ficam devendo nada.

Piper Jaffray, um dos analistas mais positivos em relação à Apple, dá por certo que o ritmo de crescimento do iPhone será mais moderado no exercício de 2016 e o reduz até mesmo a um só dígito. Tudo dependerá, além disso, de como progridem as vendas na China. Tim Cook, o executivo-chefe, tem posto todas suas esperanças nesse mercado, apesar da debilidade que a economia asiática está mostrando.

A China é cada vez mais importante para a Apple, até o ponto de ser um mercado maior que o da Europa em seu conjunto. Quase uma terça parte das vendas ocorre no país mais povoado do planeta. As receitas no trimestre alcançaram 12,52 bilhões de dólares (47,5 bilhões de reais), o que representa um incremento de 99%. O iPhone, no entanto, está sob pressão. Xiaomi e Huawei são os líderes agora.

O temor de uma moderação no volume de vendas do iPhone se reflete no mercado. As ações da Apple perderam 5% desde que apresentou os resultados do trimestre passado, em comparação com 0,5% do incide Dow Jones, e 10% desde o máximo, que está em 134,5 dólares. Os fundos que gostam de fazer dinheiro rápido, em lugar de pensar em longo prazo, estão abandonando esse papel.

O grande problema da Apple, como do Google, Microsoft, Amazon ou Facebook, é seu tamanho. Por isso os investidores estão obcecados por ver quem será o próximo. Embora haja incrementos no restante das categorias, o temor é que possa não ser suficiente para compensar uma moderação do iPhone. O iPad, por sua vez, registrou as vendas mais baixas desde 2011.

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