Fracasso com os refugiados

A Europa não consegue dar uma resposta satisfatória à crise imigratória de 2015

Um cartaz onde se lê “Nós somos o povo”.
Um cartaz onde se lê “Nós somos o povo”.WOLFGANG RATTAY (REUTERS)

Mais informações

Tomada pela onda de refugiados, a Europa não tem sido capaz de gerir de forma eficaz a crise imigratória desencadeada em 2015. Cada país procurou adotar suas próprias receitas. Dinamarca e Suécia iniciaram o ano restabelecendo os controles fronteiriços aleatórios e por tempo limitado, uma medida que torpedeia a livre circulação das pessoas e põe o Acordo de Schengen - que permite o livre trânsito de pessoas no território europeu - em quarentena. Com essa resposta, os dois países tentam frear a entrada em massa e descontrolada de refugiados.

A Alemanha registrou no ano passado 1,1 milhão de pedidos de asilo. A Suécia recebeu 163.000 pessoas, o maior número per capita da União Europeia. Os dois países que mais têm se empenhado em estender a mão àqueles que fogem das guerras têm razão ao pensar que o fardo não foi dividido igualmente e que é necessário compartilhar responsabilidades.

É hora de admitir que o programa de redistribuição de refugiados fracassou. Os 28 países da UE tinham se comprometido a transferir 106.000 pessoas da Grécia e da Itália – as duas principais portas de acesso ao solo europeu – para outros países. No entanto, só foram capazes de instalar 272, das quais 18 chegaram à Espanha.

O agravamento desta crise está se transformando em um terreno fértil para inquietantes surtos xenófobos, como o que atingiu a Alemanha após as agressões sexuais contra mulheres durante as celebrações de Ano Novo. As investigações sobre os distúrbios – que ainda não foram bem explicados e estão envoltos em uma confusa atuação policial que provocou a destituição do chefe de segurança em Colônia – se concentram em “homens jovens de aspecto árabe ou norte-africano”. O fato de que entre os suspeitos haja solicitantes de asilo reabriu o debate sobre a política migratória de Angela Merkel, que declarou estar disposta a revisar as leis de acolhida.

Tão importante quanto castigar os culpados, independentemente de sua origem, é não cair na tentação de erguer ainda mais barreiras discriminatórias contra os refugiados.