CARDIOLOGIA

A ‘tatuagem’ que vigia o coração

Um adesivo com nanopartículas de ouro permite medir e armazenar os sinais vitais

O equipamento se chama Holter e é uma espécie de gravador que registra a atividade cardíaca dos pacientes para ajudar no diagnóstico de possíveis doenças. Apesar de aparecer cada vez menor, o aparelho pode ser incômodo ou complicado para o usuário. Para solucionar esse problema, um grupo de cientistas criou um adesivo que mede quatro centímetros e pode ser aplicado na parte interna do antebraço, na altura do punho. Segundo os pesquisadores, o diminuto dispositivo recolhe os mesmos dados que um eletrocardiograma. O estudo acaba de ser publicado na revista Science Advances.

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Os pesquisadores contam que para que os dados sejam os mais confiáveis possíveis o ideal é que o paciente não sinta que está sendo monitorado. É algo que esse adesivo consegue fazer. Ele tem 0,004 milímetros de espessura e é equipado com eletrodos minúsculos e uma fileira de amplificadores que transmitem a informação para a parte onde são armazenados os dados. É muito flexível e, segundo os cientistas, pode aguentar as “deformações cotidianas” provocadas pelo portador. A peça tem uma membrana de silicone elástico com nanopartículas de ouro, que aumentam sua estabilidade e memória.

Assim como o Holter, esse adesivo é destinado a pacientes com alterações na frequência cardíaca, como as arritmias. O batimento irregular do coração pode ser fatal se não for tratado. “Mas as arritmias podem ser imprevisíveis e muito breves. É importante o monitoramento contínuo do coração para que sejam diagnosticadas”, afirma o principal autor do estudo, Dae-Hyeong Kim, da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul. A invenção também pode ser útil para pacientes que sofrem de tonturas ou perda de consciência, de acordo com Carlos Macaya, diretor de cardiologia do Hospital Clínico San Carlos, em Madri.

Nos últimos anos foram desenvolvidos dispositivos alternativos ao Holter, como relógios ou cintas que também medem a atividade do coração. Mas os materiais usados na fabricação desses aparelhos tinham problemas com a eficiência do armazenamento de dados e não aderiam à pele o suficiente para detectar o ritmo cardíaco com precisão.

Os pesquisadores estão convencidos de que os resultados de seu estudo ajudarão, no futuro, no desenvolvimento de melhores e mais personalizados dispositivos portáteis para monitorar a saúde à distância.

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