Mercosul abre pontes para acordo com a Aliança do Pacífico

Enquanto acordo com União Europeia não avança, bloco tenta acelerar aproximação com países do Pacífico

Presidentes Tabare Vazquez, Uruguai, Mauricio Macri, Argentina, Dilma Rousseff, Brasil, e Michelle Bachelet, Chile.
Presidentes Tabare Vazquez, Uruguai, Mauricio Macri, Argentina, Dilma Rousseff, Brasil, e Michelle Bachelet, Chile.NORBERTO DUARTE (AFP)
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Os chefes de Estados do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela debateram durante a Cúpula do Mercosul em Assunção, no Paraguai, os caminhos para fechar novos acordos com parceiros e blocos que sejam estratégicos para o grupo, e assim sair do isolamento em que se encontra. Apesar de a maioria dos presidentes ter apontado como prioridade o pacto com a União Europeia, a aproximação com a Aliança do Pacífico ganhou mais destaque durante o encontro.

O bloco anunciou que fará “uma reunião de alto nível” com o grupo formado pelo Chile, Peru, Colômbia, México e Costa Rica para acertar uma aproximação comercial e “abordar temas de interesse comum”. A data ainda não foi fechada. Durante seu discurso, a presidenta Dilma disse que é muito positiva “a contínua aproximação com a Aliança do Pacifico, com a qual temos muitas complementariedades, e com a qual devíamos estabelecer relações cada vez mais próximas e sólidas”. 

Já há um acordo de serviços do Mercosul com a Colômbia, e um tratado com o Peru e o Chile, embora só o Uruguai tenha firmado efetivamente um pacto com o México. Em outra frente, o Brasil assinou em novembro um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) com o Chile, visando estimular os negócios bilaterais. O país é o sétimo maior investidor no país andino. O volume de capital chileno em terras brasileiras também vem crescendo. Na última década, o fluxo de comércio entre os dois países aumentou 130%, atingindo 9 bilhões de dólares, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A presidenta do Chile, Michel Bachelet, concordou que os grupos possuem metas comuns que podem ser alcançadas como, por exemplo, a cooperação aduaneira. "Nunca vimos a Aliança do Pacífico dando as costas aos países do Atlântico. Acho que temos que buscar a sinergia e as possibilidades de trabalharmos juntos", disse Bachelet.

Hoje, na área de comércio, os números da Aliança do Pacífico superam os do Mercosul. Enquanto o primeiro representa 50% das exportações da região, o segundo tem 37% do comércio exterior.

O bloco discutiu também maneiras de reduzir barreiras para o comércio com a Rússia, Japão, Canadá e Índia, e ampliar o acordo com Cuba aproveitando a abertura das relações comerciais desse país com os Estados Unidos.

Acordo com a União Europeia

Na declaração final da cúpula realizada no Paraguai, os chefes de Estado também sugeriram aprofundar o relacionamento externo do Mercosul. Em concreto, o ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Eladio Loizaga, comentou que o bloco já elaborou sua proposta de um acordo com a União Europeia e antecipou que ela será apresentada no momento em Bruxelas defina a sua posição. Como as negociações entre Mercosul e a União Europeia começaram em 1999, muito antes de a Venezuela se juntar ao bloco em 2012, Caracas terá o direito de se manter a margem do pacto.

A conclusão da oferta sul-americana para negociar com os europeus foi uma das conquistas mais significativas dos últimos seis meses, segundo a avaliação do presidente do Paraguai, Horácio Cartes. UE e o Mercosul passaram o ano de 2015 compondo sua lista de ofertas para começar as negociações, mas até agora não estabeleceram uma data para fazê-lo, já que a força da agricultura do bloco sul-americano parece ser ainda um entrave para as negociações com os europeus.

Tanto Argentina como Brasil concordaram com o paraguaio sobre os avanços e classificaram a negociação como prioritária. “A decisão está agora do outro lado do Atlântico”, disse Dilma.

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