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Rio Doce contaminado pela lama de rejeitos.
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Após um mês do tsunami da lama, a fila pela água potável em Minas

Mau cheiro da água que sai das torneiras deixa moradores inseguros. Muito acordam cedo para conseguir garrafas de água nos pontos de distribuição

  • Governador Valadares, a 300 km de Bento Rodrigues, foi inundada pela tsunami de rejeitos da barragem da mineradora Samarco. Cidade continua enfrentando os estragos causados pela lama um mês após a tragédia
    1Governador Valadares, a 300 km de Bento Rodrigues, foi inundada pela tsunami de rejeitos da barragem da mineradora Samarco. Cidade continua enfrentando os estragos causados pela lama um mês após a tragédia
  • Desastre Mariana
    2A Prefeitura de Governador Valadares chegou a decretar estado de calamidade pública no dia 10 de novembro em função do desabastecimento de água na cidade de 300 mil habitantes. A captação começou a ser retomada uma semana depois, mas grande parte dos moradores ainda não se sente segura para utilizar a água.
  • Uma decisão judicial determinou que a mineradora Samarco, controlada pela Vale, a maior mineradora do Brasil, e pela australiana BHP (a maior do mundo), forneça à população 550 mil litros de água potável por dia. Por isto, segundo a Prefeitura, a água mineral tem sido distribuída ainda, mesmo com a volta do abastecimento da água tratada. A cidade também tem recebido doações de várias partes do país.
    3Uma decisão judicial determinou que a mineradora Samarco, controlada pela Vale, a maior mineradora do Brasil, e pela australiana BHP (a maior do mundo), forneça à população 550 mil litros de água potável por dia. Por isto, segundo a Prefeitura, a água mineral tem sido distribuída ainda, mesmo com a volta do abastecimento da água tratada. A cidade também tem recebido doações de várias partes do país.
  • Distribuição de água Governador Valadares
    4A comerciante Daiana dos Reis, de 31 anos, tem vivido dias de angústia desde que o sistema de distribuição de água da cidade de Governador Valadares foi impactado pela contaminação do rio Doce. “A água que sai da torneira tem um cheiro forte e está amarelada. Não podemos usar para cozinhar e muito menos para tomar. Antes, podíamos tomar água da torneira”, explica. “Você imagina o que é tomar banho nessa água? Mas não tem outra opção, as poucas garrafas de água mineral que conseguimos fica só para beber mesmo e cozinhar”.
  • Desastre Mariana
    5A comerciante Daiana conta que as filas nos centros de distribuição de água viram o quarteirão diariamente. "Na semana passada fui para a fila às 8h30 e só consegui pegar as garrafas às 16h, não consegui nem ir trabalhar. Passei o dia inteiro ali, é um absurdo", afirma.
  • Segundo Daiana, há dias que mais de 2.000 pessoas precisam ir buscar água potável em um mesmo posto de distribuição. "Não há uma organização e muito menos filas preferenciais para idosos, grávidas, e mulheres com crianças. O certo seria essa água chegar nas nossas casas".
    6Segundo Daiana, há dias que mais de 2.000 pessoas precisam ir buscar água potável em um mesmo posto de distribuição. "Não há uma organização e muito menos filas preferenciais para idosos, grávidas, e mulheres com crianças. O certo seria essa água chegar nas nossas casas".
  • "Essas filas que viram o quarteirão muitas vezes são fruto de uma total desorganização. Como podem colocar apenas um ponto de distribuição de água para moradores de 7 bairros? É claro que vão passar horas esperando", explica Cleusane Lott, de 43 anos, diretora do conselho comunitário de bairros da cidade. A forma de divulgar esses pontos também é alvo de críticas de Cleusane. "Colocam as listas no Facebook, mas há uma parte da população mais carente e mais idosa que não acessa essa rede. Essa parcela fica desinformada", diz.
    7"Essas filas que viram o quarteirão muitas vezes são fruto de uma total desorganização. Como podem colocar apenas um ponto de distribuição de água para moradores de 7 bairros? É claro que vão passar horas esperando", explica Cleusane Lott, de 43 anos, diretora do conselho comunitário de bairros da cidade. A forma de divulgar esses pontos também é alvo de críticas de Cleusane. "Colocam as listas no Facebook, mas há uma parte da população mais carente e mais idosa que não acessa essa rede. Essa parcela fica desinformada", diz.
  • A prefeitura de Governador Valadares explicou que a normalização da redistribuição de água foi possível através do uso de um produto que conseguiu separar a lama (decantar). Após o uso do reagente - que se chama polímero de acácia negra- a água foi tratada, segundo laudos apresentados pela prefeitura. As análises apontaram também que não há presença de metal pesado (tóxico) na água. No entanto, as pessoas não estão seguras, segundo Cleusane. “Ninguém está tomando dessa água. Ninguém confia quando olha e sente um cheiro horrível”, explica.
    8A prefeitura de Governador Valadares explicou que a normalização da redistribuição de água foi possível através do uso de um produto que conseguiu separar a lama (decantar). Após o uso do reagente - que se chama polímero de acácia negra- a água foi tratada, segundo laudos apresentados pela prefeitura. As análises apontaram também que não há presença de metal pesado (tóxico) na água. No entanto, as pessoas não estão seguras, segundo Cleusane. “Ninguém está tomando dessa água. Ninguém confia quando olha e sente um cheiro horrível”, explica.
  • A cidade de Alpercata, a cerca de 16 km de Governador Valadares, vive o mesmo drama. Cada morador pode recolher nos centros de distribuição apenas 6 garrafas de 1 litro e meio. As filas também dobram o quarteirão. "Tem gente que fica das 9h até de noite esperando. Quando o caminhão chega, é um tumulto, um desespero. Sem essa água potável não podemos nem cozinhar, não há outra opção, precisamos esperar", conta a enfermeira Janete Inácio Oliveira, de 29 anos.
    9A cidade de Alpercata, a cerca de 16 km de Governador Valadares, vive o mesmo drama. Cada morador pode recolher nos centros de distribuição apenas 6 garrafas de 1 litro e meio. As filas também dobram o quarteirão. "Tem gente que fica das 9h até de noite esperando. Quando o caminhão chega, é um tumulto, um desespero. Sem essa água potável não podemos nem cozinhar, não há outra opção, precisamos esperar", conta a enfermeira Janete Inácio Oliveira, de 29 anos.
  • Mãe de uma menina de 9 anos, Janete afirma que muitas crianças têm apresentado náuseas, vômito e irritação na pele pelo contato com água da torneira. "Minha filha mesmo teve diarreia na semana passada, claro que tem ligação com essa água que ela é obrigada a tomar banho", reclama.
    10Mãe de uma menina de 9 anos, Janete afirma que muitas crianças têm apresentado náuseas, vômito e irritação na pele pelo contato com água da torneira. "Minha filha mesmo teve diarreia na semana passada, claro que tem ligação com essa água que ela é obrigada a tomar banho", reclama.