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Caminhoneiros que pedem saída de Dilma mantêm protesto em 11 Estados

Governo ameaça multar em quase 2.000 reais quem bloquear estradas

Protesto caminhoneiros
Bloqueio em Valparaíso, Goiás, nesta segunda-feira. EFE

Os caminhoneiros autônomos que pedem a renúncia da presidenta Dilma Rousseff mantiveram nesta terça-feira 46 pontos de bloqueios em rodovias de onze Estados brasileiros, conforme o Comando Nacional do Transporte, o grupo que promove os atos. Este é o segundo dia de paralisação com uma pauta política e sem reivindicações diretas voltadas para a classe.

De acordo com os organizadores do protesto, há bloqueios em estradas de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Bahia e Ceará. Na segunda-feira, foram 49 bloqueios em 14 Estados, de acordo com o Governo federal. Diante das paralisações, o ministério da Justiça orientou a Polícia Rodoviária Federal a multar os caminhoneiros que impedirem o fluxo de veículos pelas rodovias federais. A multa é de 1.915 reais.

“Essa é mais uma estratégia deste governo autoritário para prejudicar um movimento pacífico. Eles usam a força ao invés de usarem a argumentação”, afirmou Ivar Schmidt, um dos líderes do Comando Nacional do Transporte. Schmidt, que na última semana disse que não havia margem para conversas com a União agora diz que esperava ao menos uma sinalização do Governo de que tem o interesse de “melhorar a economia” e iniciar um diálogo. “Ao invés de nos intimidar, poderiam conversar”, ponderou.

A gestão Rousseff avalia que a paralisação tem como única função desgastar o Governo e, por essa razão, ainda não negociou com os manifestantes. Até o momento nenhuma entidade sindical que representa os caminhoneiros aderiu aos protestos. “Consideramos imoral e repudiamos qualquer mobilização que se utilize da boa-fé dos caminhoneiros autônomos para promover o caos no país e pressionar o Governo em prol de interesses políticos ou particulares, que nada têm a ver com os problemas da categoria”, disse por meio de nota a Confederação Nacional de Transportadores Autônomos que respondem por 50% do transporte de produtos duráveis e perecíveis no país, segundo informação no portal da entidade.

Esta é a segunda onda de paralisação dos caminhoneiros brasileiros. Entre fevereiro e março, dezenas de cidades ficaram sem abastecimento de combustível e até alimentos por conta de uma série de protestos. Naquela época entidades como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e a União Nacional dos Caminhoneiros engrossaram os protestos que tinha como pauta a redução do preço do óleo diesel, melhores condições de financiamento dos veículos e a criação de um frete mínimo.

Na ocasião, vários caminhoneiros também acabaram multados em até 10.000 reais por bloqueios em rodovias. Semanas depois, porém, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei que os anistiava da punição. O projeto ainda não foi votado no Senado e as multas daquele período permanecem.

Prejuízos

Em nota, o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, informou na segunda-feira a criação de um comitê de crise para tentar “viabilizar a entrega de insumos nas granjas, o transporte de animais para o abate e de produtos para distribuição no mercado interno e para as exportações”. A preocupação do setor, segundo Turra, é que se repitam “os graves efeitos“ da paralisação de fevereiro. Na ocasião, informa a ABPA, cargas não puderam ser entregues, portos pararam, agroindústrias suspenderam abates e os estoques ficaram lotados, num total de mais de 700 milhões de reais em prejuízos.

Diante das perdas já registradas no ano, o mês de novembro era crucial, nos planos do setor, para se recuperar, principalmente depois de outra paralisação, a dos fiscais federais agropecuários, em setembro e outubro. “Neste mês, grandes importadores, como a Rússia, elevam suas importações para formação de estoques para enfrentar o inverno, quando a atividade de portos é suspensa devido ao frio e ao gelo”, diz Turra na nota. “A paralisação tem efeitos perversos no setor e, neste momento, tememos que sejam ainda piores que os que sofremos no início do ano”, completa.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (ACEB), José Augusto Castro, pondera, contudo, que ainda é muito cedo para calcular prejuízos para o país. "Em termos de exportação, o impacto tende a ser pequeno, porque a carga acaba sendo embarcada com uma ou duas semanas de atraso. O que ocorre mesmo é um aumento de custo para as empresas", diz Castro, que lamenta o aumento desse tipo de mobilização em tempos de crise econômica. 

Sem o apoio de entidades sindicais, os caminhoneiros autônomos encontraram amparo em outros grupos que defendem a saída de Rousseff. Nesta terça-feira, lideranças dos caminhoneiros se juntarão a representantes do Movimento Brasil Livre que estão acampados em frente ao Congresso Nacional em Brasília para aumentar o coro pelo impeachment.

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