CHAMPIONS LEAGUE | REAL MADRID 1 - PSG 0

Real Madrid ganha por milagre de um PSG muito superior

Os homens de Benítez vencem um PSG que foi melhor com um gol acidental de Nacho

Cavani se lamenta depois de perder uma chance.
Cavani se lamenta depois de perder uma chance.JuanJo Martín (EFE)

O futebol às vezes é injusto. Aconteceu com o PSG, que fez o que ditam os melhores roteiros e quase tudo saiu perfeito, exceto a jogada final, que bateu quatro vezes nas traves. Ao contrário do Real Madrid, que foi dominado o jogo inteiro. O primeiro tempo foi todo do PSG, mas no segundo tempo o ritmo do time francês caiu um pouco, apesar de ter sido superior. Desta vez, o time francês nada tem lamentar a não ser sua má pontaria. Já o Real Madrid vai passar um bom tempo no divã depois da maior queda de rendimento da temporada. Uma vitória, mas casual.

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Paralisado no primeiro tempo, o Real foi para o intervalo em vantagem com o qual não contava nem o torcedor mais otimista do planeta. Uma bola rebatida depois um chute de Kroos que Thiago Silva desvia, um goleiro, Trapp, que perde a direção e deixa a porta aberta e Nacho, o artilheiro mais inesperado do dia, finaliza sem intenção de finalizar quando fazia um passe a Jesé. De repente, do nada, o Real Madrid cresceu: por arte de magia, talvez por algum feitiço, um mau-olhado para Paris, pelos caprichos dessa roleta futebolística... Vai entender, obra dos deuses do futebol.

Antes e bem depois do gol involuntário desse coadjuvante de primeira que é Nacho, que atuou improvisado na lateral esquerda depois da lesão de Marcelo, o único do elenco sem substituto natural, o PSG dominava a partida. Nada a ver com o time sem força que jogou mal em Paris há apenas duas semanas. Desta vez o PSG teve paixão, veias com sangue e futebol, do bom, aliás. Diante de um Real Madrid perdido, sem vibração e sem inspiração, dominou a bola, encontrou todo tipo de brecha, explorou com força as laterais, dominou o meio, onde Di María criou momentos de superioridade. Venceu Nacho, mas quem jogou foi Di María.

Até certa altura do segundo tempo, o Real parecia um bando de garotos diante de uma tropa de adultos aos quais alguma conjunção astral impediu que acertassem o alvo. Inúmeras oportunidades tiveram os homens do técnico Blanc, e de todas as cores. Um chute mascado de Matuidi, um tiro curvo de Ibrahimovic, uma chicotada de Di María, um chute que o indolente sueco errou por um dedo, como uma cabeçada de Cavani frente a frente com Keylor Navas, um tiro na trave do canhoto Rabiot –que repetiu um tiro envenenado com a perna direita... O bombardeio continuou com Cavani, que quase venceu o duelo com Keylor, mas mandou outra bola na trave, assim como fez numa cobrança de escanteio direto para o gol o argentino Di María. E se o PSG não causou ainda mais perigo foi pela inconsistência de Aurier, um lateral com tanta chegada ao ataque quanto pé torto. Uma angústia, e Navas sem tocar na bola.

Real Madrid 1 x PSG 0

Real Madrid: Keylor Navas; Danilo, Varane, Sergio Ramos, Marcelo (Nacho, 33 m.); Modric, Casemiro; Isco (Kovacic, 81 m.), Kroos, Jesse (Lucas Vázquez, 63 m.); e Christian. Não utilizados: Casilla; Pepe, Cheryshev e James.

PSG: Trapp; Aurier, David Luiz, Thiago Silva, Maxwell; Motta, Verratti (Rabiot, 16 m.), Matuidi (Lucas Moura, 75 m.); Di María, Ibrahimovic e Cavani. Não utilizados: Sirigu; Stambouli, Kurzawa, Van der Wiel e Lavezzi.

Gol: 1-0. 35. M. Nacho.

Árbitro: Mark Clattenburg (Reino Unido). Mostrou cartão amarelo para Aurier, Casemiro e David Luiz.

Santiago Barnabéu: 75.000 espectadores.

O Real Madrid perdeu todos os desafios, individuais e coletivos. Nem sequer intimidou no início, como mostra a história da Champions no primeiro estádio do Real, Chamartin, onde tantos temores foram provocados só ao mostrar o escudo do time. O time de Madri começou gélido, contemplativo, sem tensão, demasiado frouxo. Os acidentados 15 primeiros minutos complicaram ainda mais as coisas. Isco ficou ensanguentado por causa de uma cabeçada involuntária de Aurier, e Verratti, que se machucou sozinho, teve que sair. O jovem francês Rabiot, seu substituto, inclusive melhorou o PSG, o melhor parceiro para Motta dominar o meio-campo.

Não havia sinal de nenhum madridista a não ser Varane, Ramos e Nacho no final. Casemiro caçava moscas diante dos meio-campistas adversários, Modric estava apagado e Kroos parecia estar com a cabeça em outro lugar. Em suas costas, um latifúndio, com Cristiano mudo, Isco e Jesé totalmente desligados. Ninguém era capaz de combater com dentes de serra o adversário para frustrar seus toques curtos, que levavam o time para frente até o momento final, a finalização. Ali, patinaram grandes artilheiros como Cavani e Ibrahimovic.

O jogo era dos meio-campistas do PSG, e não de seus atacantes ilustres. O Real Madrid não era capaz encarar o adversário. Lucas Vázquez, substituto de Jessé, até conseguiu incomodar um pouco o brasileiro Maxwell e concedeu a Isco a melhor oportunidade de gol. A de Nacho não era uma dessas. De qualquer forma, o Real Madrid venceu e ficou a dois passos do primeiro lugar em seu grupo, depois de uma noite em que, felizmente para o Real, o futebol mostrou a língua ao PSG.

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