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Aprovação de Haddad recua e a das ciclovias, bandeira da gestão, também

49% dos paulistanos avaliam o Governo como ruim ou péssimo, de acordo com o Datafolha Apoio à ciclovias cai de 80% para 56% a um ano de cruciais eleições municipais

Marina Rossi
Haddad na ciclovia na Paulista.
Haddad na ciclovia na Paulista.André Tambucci / Fotos Públicas

A um ano para as eleições municipais, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) é avaliado como ruim ou péssimo por 49% dos eleitores da cidade, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira. Considerando a margem de erro de três pontos para mais ou para menos, esse percentual é o mesmo registrado em julho do ano passado (47%) e em fevereiro deste ano (44%). Esses são os três picos de reprovação da gestão do petista, iniciada em 2013.

A má avaliação do prefeito, que ainda não fala abertamente em ser candidato no ano que vem ao mesmo tempo em que se move para tentar manter o PMDB como aliado, parece acompanhar a popularidade das ciclovias —uma das suas maiores bandeiras. Enquanto em setembro do ano passado 80% dos paulistanos eram a favor das ciclovias, hoje esse percentual caiu para 56%. Outras medidas recentes também dividem os paulistanos, como o fechamento da avenida Paulista aos domingos (47% a favor e 43% contra) e a redução da velocidade nas Marginais. Os que avaliam o prefeito petista como ótimo ou bom representam 15% dos eleitores da cidade, mesmo percentual registrado em julho do ano passado. Em junho de 2013, às vésperas das jornadas de junho, 34% dos paulistanos avaliavam Haddad como ótimo ou bom.

"A oposição em São Paulo está jogando no obscurantismo. A ponto de chamar um ciclista de comunista. Quando se chega nesse nível... ", queixou-se o prefeito em entrevista ao EL PAÍS no mês passado, enquanto as medidas eram elogiadas por publicações estrangeiras como o New York Times e o Wall Street Journal.

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Mais bem avaliado entre os ricos

Num comportamento pouco comum no histórico dos petistas na capital, os eleitores das classes mais altas continuam sendo o maior capital político do prefeito: 23% dos que têm renda superior a 10 salários mínimos aprovam o prefeito, ante 12% dos que têm renda até dois salários mínimos. Essa é uma questão que persegue Haddad desde o início da sua gestão e é mais um complicador em um eventual disputa para a reeleição que pode ter a ex-prefeita e ex-petista Marta Suplicy na disputa. A senadora, agora no PMDB, tem recall na periferia, enquanto também são populares na faixa o pré-candidato Celso Russomanno (PRB) e o apresentador e aspirante a candidato Luis Datena (PP).

O custo PT também deve, provavelmente, fazer parte dessa conta. O partido vive a maior crise desde que chegou ao poder no Governo federal e está sofrendo com os casos de corrupção da Petrobras, investigados pela Operação Lava Jato. A crise econômica e o ajuste fiscal, que reduzem os repasses de Brasília à prefeitura, também fazem parte do panorama.

Em setembro, o governo Dilma Rousseff foi avaliado como ruim ou péssimo por 69% dos brasileiros. A maior reprovação em 27 anos, segundo levantamento da CNI-Ibope. Na semana passada, foi a vez de Lula ser atingido pelo custo PT: uma pesquisa realizada pelo Ibope mostrou que 55% dos brasileiros não votariam no ex-presidente "de jeito nenhum". Até o momento, não há investigação de caso de corrupção no Governo de Haddad em São Paulo. Mas, mesmo assim, 77% dos manifestantes que foram às ruas na última grande manifestação contra o governo Dilma, em agosto, afirmaram que Haddad é corrupto.

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