Futebol | Real Madrid

O Real Madrid apresenta seus reservas

Lucas, Jesé, e Casemiro são uma mostra da evolução do novo modelo ideal da equipe

Casemiro disputa a bola com Matuidi no jogo do Real contra o PSG.
Casemiro disputa a bola com Matuidi no jogo do Real contra o PSG.T.SAMSON (AFP)

Lucas Vázquez estreou como titular na Champions na quarta-feira passada, no jogo contra o PSG, em Paris. Aos 24 anos, ele chegou ao último estágio de uma trajetória que começou nas categorias de base de Valdebebas. Estreou pelo Juvenil C em 2007, continuou pelo Juvenil A e culminou sua formação na Castilla (antigo Real Madrid B), que chegou à Segunda Divisão em 2012 pelas mãos de Alberto Toril. Naquele time, Vázquez desempenhou o nobre papel de elemento surpresa no meio-campo. Quando todos os rivais esperavam as arrancadas de Joselu, Morata e Jesé, as principais figuras daquela equipe, na qual também se destacou Carvajal, ele partia pela ponta direita com habilidade e costumava decidir partidas de modo inesperado. O destino tinha-lhe reservada essa função de 'elemento surpresa'. Após tantos anos de trabalho na sombra, Vásquez assume o papel de reserva com discrição e otimismo. Em Malmo ou em Paris, assim como fazia em Miranda ou em Alcoy. Seu trabalho representa a abundância que reúne o plantel do Real nesta temporada.

Rafa Benítez tem nas mãos um elenco tão qualificado que Lucas, uma excelente opção, não figurava nem no projeto de banco ideal para esta temporada. Assim como Cheryshev, outra cria da base que foi repescada para este ano, o plano da direção madridista deixava a dupla de fora da reserva em benefício de uma hierarquia que tinha como protagonistas Kiko Lacuna, Carvajal, Pepe, Casemiro, Kovacic, Isco e Jesé. Só a epidemia de lesões que castiga a equipe possibilitou a abertura de portas e a exibição do poder da folha de pagamento que o clube possui. A tal ponto que no empate da quarta-feira (0-0) ante o PSG, resultado que encaminha a classificação para a segunda rodada da Champions, alguns dos protagonistas, junto de Lucas, foram Casemiro, Isco e Jesé.

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A evolução tem sido evidente. Há um ano, Carlo Ancelotti tinha menos profissionais ao seu dispor e em piores condições, mentais e físicas. Nesta época da temporada passada, o ex-treinador madridista não podia contar com Jesé nem com Khedira, ambos vítimas de rompimento dos ligamentos cruzados; tentava devolver o fôlego a um Illarramendi espiritualmente abalado; e nem considerava como opção Coentrão, afastado por indisciplina por contínuos e inexplicáveis desaparecimentos, atrasos e lesões. A equipe se rearmava com James e Kroos, que ainda passavam por um período de adaptação. Os jogadores sentiam o vazio deixado por Xabi Alonso e Dí María, considerados duas grandes perdas.

Ancelotti dirigiu a transição até ser demitido. Desde então, as saídas de Casillas, Lucas Silva, Chicharito, Illarra e Coentrão, que, juntos, custam cerca de 100 milhões de euros ao clube, deram espaço nesta pré-temporada a Casilla, Danilo, Casemiro, Kovacic, Cheryshev e Lucas Vásquez, que custam em torno dos 80 milhões. O resultado, ao menos por enquanto, parece positivo. As lesões de Pepe, Carvajal, James, Bale, Benzema, Kovacic, Ramos e Modric permitiram medir a força do grupo com relativo sucesso no último mês. Apesar da falta do jogo requintado, os resultados revelam a força do elenco. As onze partidas sem derrota, dois gols sofridos e quatro empates sem gols atestam que a estrutura da equipe não foi quebrada e permitem ao treinador uma série de alternativas táticas que seu antecessor não tinha.

O panorama mostra tanta abundância que Benítez até parece insinuar que os substitutos fazem um trabalho melhor do que alguns supostos titulares. “Quando tiramos Bale e colocamos Jesé contra o Levante controlamos mais o jogo”, disse o técnico. “Conseguimos uma equipe agressiva, incisiva, que buscou o gol adversário e que dominou mais o meio-campo”, celebrou em Paris. Foi um piscar de olhos aos reservas.

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