CARLOS SLIM

Slim propõe trabalhar 33 horas e três dias por semana contra o desemprego

Segundo ele prisões ibero-americanas são cheias de inocentes detidos por serem pobres

O ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González (d) fala com o empresário Carlos Slim pouco antes da entrega do título Doutor Honoris Causa ao ex-presidente do Uruguai, Julio Maria Sanguinetti, pela Universidade de Alicante.
O ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González (d) fala com o empresário Carlos Slim pouco antes da entrega do título Doutor Honoris Causa ao ex-presidente do Uruguai, Julio Maria Sanguinetti, pela Universidade de Alicante.Pepe Olivares

Na conferência de abertura da XXI sessão plenária do Círculo de Montevidéu realizada hoje na Universidade de Alicante, o empresário mexicano Carlos Slim insistiu em sua proposta de uma semana de trabalho de três dias e 33 horas de trabalho como fórmula para reduzir o desemprego. Além disso, se mostrou partidário de adiar a idade de aposentadoria, “porque se aposentar aos 62 anos torna o sistema insustentável”. Em sua opinião, a semana de trabalho de três dias poderia criar mais trabalho “e quem quisesse poderia ter dois empregos”.

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Slim abriu as apresentações de uma jornada destinada a analisar a crise de governança da democracia representativa, na sua condição de presidente empresarial do Círculo de Montevidéu. Como “espectador” da realidade mundial, denunciou os que, na sua opinião, são os principais problemas das sociedades democráticas de hoje.

Considerado um dos homens mais ricos do mundo, ele denunciou que as prisões ibero-americanas “estão cheias de inocentes que estão lá porque são pobres, e não pelos delitos menores que possam ter cometido”, um número que “algumas fontes dizem ser de 20% dos presos”, segundo Slim. Para reduzir essa injustiça, o empresário mexicano propõe a utilização de serviços sociais como pena para delitos menores e o recurso à mediação e à arbitragem para evitar que assuntos de pouca importância cheguem aos tribunais que se encontram, na maioria das vezes, saturados. “Uma família modesta não pode perder o pai porque ele pegou madeira da floresta e era proibido”, afirmou.

Contra a redução dos salários dos políticos

Com uma plateia que o escutava atentamente, incluindo o ex-primeiro-ministro Felipe González, e os ex-presidentes Julio Maria Sanguinetti, Belisario Betancur e Ricardo Lagos, Slim afirmou ser contrário à corrente que propõe reduzir os salários de políticos e funcionários. Em vez disso, acredita que “na Espanha, o salário dos executivos é muito baixo. É preciso fazer como em Cingapura, que paga muito bem os funcionários públicos”.

O empresário também denunciou como uma das deficiências das democracias modernas “o excesso de leis que muitas vezes são incompatíveis entre si”. Em sua opinião, os governos devem criar comissões destinadas a reduzir o corpo legislativo para evitar os problemas causados.

Durante a intervenção posterior, a cargo de Felipe González, um grupo de cerca de 70 estudantes interrompeu a sessão com protestos dirigidos tanto contra o ex-primeiro-ministro espanhol quanto Carlos Slim e todo o Círculo de Montevidéu. Durante uma conversa tensa com o reitor Manuel Palomar, este terminou ferido levemente na perna.

No entanto, ele se recusou a chamar a polícia. “Este é um espaço de liberdade”, disse a EL PAÍS e “pedi que eles deixem que os outros também a exerçam”. Após dez minutos de protestos, os jovens, pertencentes a uma associação de estudantes que tem uma centena de membros segundo afirmaram, abandonaram o auditório e a sessão continuou normalmente.

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