Crise na China

China baixa as taxas de juros para controlar a queda das bolsas

Bolsas europeias sobem mais de 2% apesar das novas quedas asiáticas

As autoridades chinesas agiram após a queda generalizada das Bolsas. O Banco Popular da China baixou na terça-feira as taxas de juros dos empréstimos e dos depósitos em 25 pontos básicos, para 4,6% e 1,75% respectivamente. Além disso, o banco central do gigante asiático reduziu em meio ponto percentual, para 18%, o coeficiente de reserva de capital dos bancos que operam no país.

Esse novo movimento, o quinto nesse sentido desde novembro de 2014, busca tranquilizar os investidores depois das graves quedas dos últimos dias, incluindo a última segunda-feira. Dessa forma, Pequim responde aos que exigiam uma ação mais contundente diante da sangria das Bolsas e tenta fortalecer o cumprimento do objetivo de crescimento para 2015, de 7%. O risco de que a desvalorização do yuan, decretada há duas semanas, possa acelerar a fuga de capitais do país a lugares mais seguros também aumentou a pressão para que as autoridades chinesas agissem.

Após a segunda-feira negra nas Bolsas mundiais, os principais mercados asiáticos voltaram a cair nesta. Na China, cuja situação econômica causou a preocupação que gerou o desastre do dia anterior, as fortes quedas continuaram: Xangai caiu 7,63% no fechamento, após abrir com uma baixa de 6,41%. Shenzhen, a segunda maior Bolsa do país, perdeu 7,09%.

Nas últimas quatro sessões Xangai, a principal Bolsa chinesa, perdeu 22% de seu valor, a maior queda em quatro dias desde 1996. A queda de segunda-feira, de 8,48%, foi a maior baixa em oito anos e eliminou os lucros de 2015, o que causou o pânico que arrastou os mercados mundiais. A queda de 2015 é de 7,01% e pela primeira vez em oito meses, o índice se encontra abaixo dos 3.000 pontos.

As Bolsas europeias se recuperam

Os mercados europeus responderam com fortes subidas à ação das autoridades da segunda maior economia mundial. A Bolsa espanhola se recuperou da queda de segunda-feira, quando o índice caiu mais de 5% pelo temor de que uma desaceleração das economias asiáticas afetasse negativamente o crescimento mundial, e subiu quase 3,5% alinhada com o resto das grandes bolsas europeias. No mercado espanhol, os títulos da Abengoa, Gamesa, Santander e IAG tiveram as maiores subidas. Nenhum valor do Ibex está no vermelho.

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As Bolsas do Velho Continente conseguiram se descolar das fortes quedas sofridas novamente pelo mercado chinês, no qual os analistas consideram que estourou a bolha que vinha inchando durante o último ano e que levou as ações a estarem supervalorizadas. O CAC francês e o DAX alemão subiram 4,2% e 3,9% respectivamente e o Ftse britânico ganhou mais de 3,2%. Os índices europeus recuperam assim parte do terreno perdido na segunda-feira, entre 4,5% e 5%. Do outro lado do Atlântico, a expectativa é de uma forte subida na abertura da Bolsas, às 10h30, hora de Brasília.

Esse novo movimento comprador dos investidores indica um certo retorno do apetite pelo risco aos mercados de valores europeus depois de uma queda, a de segunda-feira, que muitos chamam de “exagerada”. Os investidores parecem descontar o atraso na elevação das taxas de juros nos Estados Unidos: as dificuldades econômicas que espreitam a China e os outros países emergentes foi um alerta para o Banco Central norte-americano que, segundo as previsões da maioria dos bancos de investimento, optará por postergar a retirada de estímulos até março de 2016.

O prêmio de risco espanhol (a rentabilidade extra exigida pelos investidores ao bônus espanhol 10 anos à frente do alemão, considerado livre de risco) caiu ligeiramente até ficar nos 139 pontos básicos. Os diferenciais de outros países periféricos como a Itália seguiram a mesma tendência.

O barril de petróleo Brent, referência na Europa, subiu mais um dólar no começo da sessão, até 43,6 dólares (154,89 reais). Depois da subida registrada na segunda-feira, o euro se mantém estável em relação à moeda norte-americana, a 1,155 dólares por cada unidade da moeda comum da zona do euro.

O principal índice mundial de matérias-primas, o Bloomberg Commodity Index, está em seu menor valor em 16 anos e as moedas dos países emergentes continuam caindo em relação às duas divisas de referência global, o dólar e o euro. As previsões, entretanto, indicam uma retomada do preço do petróleo na sessão.

A maior gestora de fundos do mundo vê "oportunidades"

A Blackrock, a maior gestora de fundos do mundo, acredita que as correções das últimas semanas nos mercados de valores europeus abrem uma janela de oportunidades para os investidores. Em um relatório publicado na segunda-feira, no momento em que a queda chinesa afetava as Bolsas e os números vermelhos cresciam em todo o mundo, a gestora norte-americana frisava que os indicadores econômicos são positivos tanto no continente europeu como nos EUA e que o crescimento será reforçado pelas baixas taxas de juros de ambos os lados do Atlântico e pela queda do preço do preço do petróleo.

Nesse cenário, a Blackrock diz que a renda variável do Velho Continente está “novamente atrativa” e considera que os investidores “exageraram” a exposição das empresas. As quedas nas últimas semanas retiraram 5 trilhões de dólares (17,76 trilhões de reais) dos mercados mundiais, o equivalente à soma das economias francesa e espanhola.

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