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Futebol europeu mantém o ritmo latino com craques das Américas

Jogadores sul-americanos voltam a ser destaque no mercado nas grandes ligas

O colombiano Bacca festeja um gol na última Liga Europa.
O colombiano Bacca festeja um gol na última Liga Europa. Efe

A carreira do colombiano Carlos Bacca (Puerto Colombia, 1986) não tem sido fácil. Antes de marcar gols e ser um ídolo do futebol, o atacante se dedicava a cobrar a passagem das pessoas que faziam o trajeto de ônibus entre Barranquilla e Puerto Colombia. Abandonou o trabalho em 2009. Acabava de estrear na primeira divisão de seu país com o Junior de Barranquilla. Em apenas seis anos, deu um salto rumo à Europa (ao Club Brugge em 2011); foi campeão da última temporada da Liga Europa com o Sevilha; e o Milan pagou 30 milhões de euros (119 milhões de reais) por seus serviços. Uma passagem à glória.

Muitos jogadores latino-americanos sonham com um caminho parecido. Como Bacca, a maioria tem origem humilde. Para eles o velho continente não é só um sonho – o de vestir a camiseta de clubes ilustres ou pisar a grama de estádios repletos de fãs. É também uma oportunidade de sucesso, de fazer fortuna. Entre as proezas, ser contratado por um dos grandes times. Mas somente um seleto grupo consegue isso. Dele fazem parte Falcao e Di María, que voltaram a protagonizar o mercado de contratações nas grandes ligas europeias.

Com o seu contrato no PSG, o argentino Ángel Di María (Rosario, 1988) tornou-se o jogador que movimentou mais dinheiro na história com as suas transferências: 169 milhões de euros (671 milhões de reais). Neste verão boreal, a equipe francesa pagou 63 milhões de euros (250 milhões de reais) por ele. Um ano antes, foi o Manchester United que o transformou na contratação mais cara de sua história, pagando 75 milhões de euros (297,7 milhões de reais). O Real Madrid havia desembolsado 33 milhões de euros (131 milhões de reais) ao Benfica em 2010, que três anos antes destinou 8 milhões de euros (31,7 milhões de reais) por esse canhoto habilidoso e destemido que jogava no Rosario Central.

O argentino Di María em sua apresentação como jogador do PSG. ampliar foto
O argentino Di María em sua apresentação como jogador do PSG. AFP

Tão famosa quanto a contratação de Di María foi a transferência do atacante colombiano Radamel Falcao (Santa Marta, 1986) ao Chelsea. Seu passe pertence ao Mônaco, que na temporada passada o cedeu ao Manchester United e, na atual, ao clube dirigido por José Mourinho. O Chelsea, por sua vez, abre mão de Filipe Luís (Jaraguá do Sul, 1985). O lateral esquerdo retorna ao Atlético de Madrid um ano depois de sair do Calderón para se vestir de blue. Os alvirrubros pagaram 16 milhões de euros (63,5 milhões de reais) por ele, segundo o portal Transfernarkt, 20 milhões de euros (119 milhões de reais) pelo argentino Vietto (Córdoba, 1997) e 35 milhões de euros (139 milhões de reais) por Jackson Martínez (Quibdó, 1986), outro atacante colombiano procedente do Porto.

Já o Real Madrid contrata dois novos brasileiros, também vindos do Porto. Um deles, Casemiro (São José dos Campos, 1992) já vestiu a camiseta branca duas campanhas atrás. O clube merengue o recuperou depois de uma cessão que demonstrou que o meia pode ser de grande utilidade para o equilíbrio do time treinado por Rafa Benítez. O outro é o lateral direito Danilo (Bicas, 1991), que foi convocado para disputar a Copa América 2015 pela Seleção Brasileira mas foi cortado devido a uma lesão e substituído pelo azul-grená Dani Alves.

O brasileiro Danilo no dia de sua apresentação no Santiago Bernabéu. ampliar foto
O brasileiro Danilo no dia de sua apresentação no Santiago Bernabéu. Reuters

Mas a sensação da pré-temporada foi outro brasileiro, Douglas Costa (Sapucaia do Sul, 1990). O Bayern de Munique acaba de pagar 30 milhões de euros (119 milhões de reais) por ele ao Shakhtar Donetsk da Ucrânia. Douglas jogava na Europa desde 2010, mas sua contratação pela equipe de Pep Guardiola o leva à grande liga e o ajudará a se tornar uma das referências latino-americanas no esporte. Será acompanhado na empreitada alemã pelo chileno Arturo Vidal (Santiago, 1987), por quem os bávaros pagaram 35 milhões de euros (139 milhões de reais) à Juventus.

Outro chileno, Charles Aránguiz (Santiago, 1989), um dos heróis da última Copa América, que o seu país venceu, finalmente deu o salto rumo à Europa. O Bayer Leverkusen pagou 13 milhões de euros (51 milhões de reais) ao Internacional de Porto Alegre, a quem esse habilidoso meia pertencia até agora. Lá dividiu o vestiário com o brasileiro Gilberto (Campinas, 1993), um atleta veloz com drible certeiro que nos últimos meses jogou no Botafogo e agora foi contratado pela Fiorentina por dois milhões de euros (7,9 milhões de reais).

Arturo Vidal num jogo desta pré-temporada pelo Bayern de Munique. ampliar foto
Arturo Vidal num jogo desta pré-temporada pelo Bayern de Munique. AFP

O samba não tem fronteiras. Na França, o Mônaco contratou o volante Gabriel Boschilia (São Paulo, 1996) por 10 milhões de euros (39,7 milhões de reais) e o Olimpique de Lyon pagou três milhões de euros (11,9 milhões de reais) ao Manchester United pelo lateral direito Rafael (Petrópolis, 1990). Na Espanha, o Betis desembolsou 1,7 milhão de euros (6,7 milhões de reais) por Petros (Juazeiro, 1989), que se destacou na intermediária do Corinthians. Historicamente, a colônia de jogadores brasileiros e argentinos tem sido grande na Europa. Agora, são cada vez mais os jogadores de outras nacionalidades que realizam a longa jornada para disputar uma aventura que nem sempre termina bem. É o pedágio a pagar.

Dybala

A Juventus pagou 32 milhões de euros (127 milhões de reais), 20 a mais que o Palermo há três anos, para contratar esse atacante habilidoso de 21 anos, uma das revelações da temporada passada ante a Udinese.

Otamendi

O Manchester City esvaziou o bolso para contratar outro argentino que até agora jogava no Valencia. Os 45 milhões de euros (178 milhões de reais) da transação transformam Otamendi num dos defensores mais caros da história.

Rondón

O atacante venezuelano chegou à Europa em 2008. Jogou desde então na Espanha e na Rússia. Agora tenta a sorte na Inglaterra, com o West Bromwich, que pagou por ele 17 milhões de euros (67,5 milhões de reais).

Romero

Aos 28 anos, o goleiro titular da seleção argentina chegou desimpedido ao Manchester United, já que finalizava contrato com a Sampdoria. Jogou como titular nas primeiras rodadas da Premier.

Miranda

A Inter pagou 15 milhões de euros (59,5 milhões de reais) por este zagueiro brasileiro de 30 anos, que nos últimos quatro foi um verdadeiro alicerce no Atlético. Agora, procura se destacar num dos históricos clubes italianos.

Firmino

O meia-atacante já jogava na Europa, no 1899 Hoffenheim alemão, mas neste verão boreal o Liverpool pagou por ele 40 milhões de euros (158,8 milhões de reais).

Héctor Moreno

O zagueiro mexicano jogará no PSV Eindhoven, que desembolsou por ele 5 milhões de euros (19,8 milhões de reais) ao Espanyol de Barcelona.

Raúl Jiménez

Quase sem oportunidades no Atlético de Madrid, o atacante mexicano de 24 anos foi para o Benfica por 9 milhões (35,7 milhões) em busca de melhores perspectivas.

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